Lojas sem clientes
Redação DM
Publicado em 15 de setembro de 2016 às 02:50 | Atualizado há 1 anoCom suas forças econômicas voltadas para os setores de serviços e comércio, Goiânia enfrenta além do desafio da geração de vagas de emprego a recuperação do mercado oscilante. Em decorrência da crise econômica, o mercado tem sofrido até mesmo com o fechamento de lojas na Capital. Mas, outros fatores também contribuem para a dificuldade de lojistas permanecer de portas abertas.
De acordo com o presidente do Sindicato do Comércio Varejista no Estado de Goiás (Sindilojas), José Carlos Palma Ribeiro, os empreendedores estão sendo surpreendidos cada vez mais com novas leis e normas, que dificultam o próprio mercado. “As lojas estão fechando não apenas em consequência da crise econômicas, mas também porque hoje em dia não dão conta de cumprir exigências que estão surgindo. Os lojistas que estão começando agora, cada vez mais são surpreendidos com novas leis e normas, que prejudicam o próprio mercado”, afirma.
Para alguns economistas, a tendência é de que a reação no mercado na abertura de vagas de emprego, seja com a indústria assumindo a frente nas contratações, depois o comércio e serviços. Apesar da recuperação do mercado oscilar, o desemprego pode permanecer em Goiânia por mais tempo. Conforme último dado da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desemprego em Goiânia é de 7,7% – ainda abaixo dos 11,6% registrados no País.
O presidente da Associação Comercial e Industrial da Avenida Bernardo Sayão e Região (ACIBS), Cairo Myron Ramos, destaca que o comércio de moda na região do Setor Campinas, por exemplo, gera 6 mil empregos diretos e indiretos, mesmo frente à crescente competição econômica. Segundo ele, o setor de confecção é o que mais emprega em Goiânia. Contudo, para o goianiense, o desemprego é o um dos maiores problemas a ser resolvido.
Diante das oscilações do mercado, existem outros fatores que somam dificuldade para a superação do comércio em Goiânia. É o caso, por exemplo, da inadequação dos espaços públicos e pouco planejamento urbano. O presidente do Sindilojas critica a implantação dos corredores exclusivos para ônibus em vias importantes para o comércio, lugares em que é proibido estacionar. A falta de estacionamento planejado e ordeiro tem prejudicado clientes e lojistas. “Onde estão os corredores de ônibus não tem onde parar ou estacionar. O goianiense não está acostumado com isso. São ordenações de trânsito que precisam melhorar. A falta de estacionamento na cidade é um problema para os clientes. Além disso, não existe um planejamento para criar estacionamento subterrâneo”, critica o presidente do Sindilojas, José Carlos Palma Ribeiro.
Segundo ele, a falta de um planejamento urbano, que implica em melhoria do trânsito, também ajuda na piora do mercado – principalmente em vias comerciais onde foram implantadas as faixas exclusivas para ônibus. “A verdade é que falta uma sintonia entre setor público e privado, patrões e empregados para reverter esse quadro. As forças precisam se unir e discutir a melhor alternativa para minimizar ou resolver o problema. Os corredores exclusivos para ônibus ajudaram a enfraquecer o comércio”, salienta.
Driblar a crise
As promoções e corte de custos tem sido o mantra dos lojistas para driblar a crise. O desemprego crescente, elevado endividamento das famílias e crédito caro persistem e habitam os piores pesadelos dos empresários, que no ano passado já assistiram ao maior tombo nas vendas desde 2013 e fecharam lojas.
A lojista Rosangela Maria Galdino, 50 anos, trabalha com moda masculina e feminina em sua loja na Avenida Bernardo Sayão, no Setor Fama, afirma que o mercado está em ruína. “O movimento está parado por conta da crise. Até 213 as vendas eram boas, depois encaramos dificuldade no mercado”, afirma. Segundo ela, alternativas e criatividade são as formas para tentar superar a oscilação nas vendas. “A gente faz promoções que pouco adianta. Minhas vendas desde de 2013 caíram cerca de 30%, mas tentamos superar de todas as formas”, salienta. Rosangela destaca que tinha quatro funcionários, mas por conta da instabilidade agora só está com dois.
Tatiele Parlandim, 23 anos, que trabalha como vendedora na loja de Rosangela, afirma que o momento é de preocupação e que um bom diálogo com o cliente pode ser importante. “Eu dou muita atenção para o cliente e uso as ferramentas que podem dar resultado. Ser atencioso na hora de atender o cliente é essencial”.
Não muito longe da loja de Rosangela, trabalha a vendedora Eliane Souza, 24 anos, numa loja de roupas infantil. Segundo ela, a situação preocupante é a mesma para todos. “O comércio está uma negação. A crise é o problema para nós todos. Estamos procurando vender mais barato para render alguma coisa, mas não está nada fácil”, afirma.
O economista Welington Rodrigues dos Santos explica que a economia está desacelerada em pelo menos dois anos e, com isso, lojistas diminuem os custos e começam a dispensar funcionários. “O mercado consumidor diminuiu porque o mercado produtivo também caiu. O cliente está consumindo apenas coisas essenciais e outras estão sendo deixadas de lado”.
Para ele, tudo o que está acontecendo é consequência da recessão econômica, mas que não falta dinheiro no bolso do consumidor. O mercado está reagindo as novas mudanças também. “ O problema é motivado pela crise. O dinheiro está guardado, mas falta circulação. Outra coisa é importante salientar: o mercado está reagindo com as novas medidas do governo. É uma questão de credibilidade. O novo governo pode fazer ações de longo prazo, daí a aceleração começa a voltar ao normal.

