Lojistas são alvos de operação contra esquema de desmanche de mais de 50 caminhonetes
Redação Online
Publicado em 1 de setembro de 2026 às 11:24 | Atualizado há 42 minutos
A Polícia Civil de Goiás deflagrou, nesta terça-feira (1º), a Operação Código Frio, que investiga um grupo suspeito de envolvimento em um esquema de receptação, adulteração, desmanche clandestino e comercialização de peças de caminhonetes furtadas em Minas Gerais. Lojistas do setor de autopeças estão entre os investigados.
Segundo a apuração policial, mais de 50 caminhonetes teriam passado pelo esquema. Os veículos eram furtados em Minas Gerais, transportados para Goiás e encaminhados para galpões onde eram desmontados. Posteriormente, as peças abasteceriam estabelecimentos do comércio de autopeças.
A operação é conduzida pela Delegacia Estadual de Repressão a Furtos e Roubos de Veículos Automotores (DERFRVA). Ao todo, foram expedidos 20 mandados judiciais, sendo sete de prisão preventiva e 13 de busca e apreensão. As ordens têm como alvos residências de investigados, estabelecimentos do ramo automotivo e galpões que teriam sido utilizados pelo grupo.
A investigação ganhou força depois que dois homens foram presos em flagrante em Goiânia. Conforme a Polícia Civil, eles retornavam de Minas Gerais conduzindo caminhonetes furtadas que seriam levadas para locais de desmanche. A partir dessas prisões, os investigadores identificaram outros suspeitos e passaram a reconstruir a estrutura montada para transportar os veículos e comercializar os componentes.
A apuração aponta que o grupo mantinha uma logística específica para buscar as caminhonetes. Pessoas ligadas ao esquema viajavam de ônibus até Minas Gerais, recebiam os veículos e retornavam dirigindo até Goiânia.
Para colocar as caminhonetes em funcionamento, os suspeitos teriam utilizado módulos de ignição codificados e chaves falsas. A escolha das rotas e dos horários das viagens também faria parte da estratégia para diminuir o risco de abordagens e fiscalizações durante o trajeto entre os dois estados.
Após a chegada a Goiás, os veículos não seriam levados diretamente aos estabelecimentos comerciais investigados. As caminhonetes seguiam primeiro para locais destinados ao desmanche. A polícia identificou pelo menos dois galpões que teriam sido utilizados para armazenar componentes retirados dos veículos.
Depois da desmontagem, as peças eram retiradas desses locais e encaminhadas para armazenamento e posterior comercialização. Segundo a investigação, manter os pontos de desmanche separados das lojas seria uma forma de dificultar o rastreamento dos componentes e a identificação da origem criminosa das mercadorias.
A possível participação de comerciantes é um dos pontos investigados pela Polícia Civil. Lojistas que atuam com peças para picapes e caminhonetes são suspeitos de integrar a cadeia responsável pela aquisição e comercialização dos componentes. A polícia também apura se integrantes ligados ao comércio financiavam parte da estrutura utilizada para buscar os veículos fora de Goiás.
As investigações apontam para uma divisão de tarefas entre os envolvidos. Havia suspeitos que seriam responsáveis pela negociação dos veículos, financiamento das viagens, transporte das caminhonetes entre Minas Gerais e Goiás, desmontagem e distribuição das peças.
Os comerciantes investigados, por sua vez, são suspeitos de encomendar, adquirir ou colocar à venda componentes provenientes dos veículos furtados. A Polícia Civil busca individualizar a participação de cada envolvido e determinar o tamanho da estrutura financeira mantida pelo grupo.
A investigação continua para identificar outros possíveis participantes, rastrear a destinação das peças e dimensionar quanto dinheiro teria sido movimentado pelo esquema.