Máfia da merenda: foto resume felicidade do corrupto tipicamente brasileiro
Redação DM
Publicado em 15 de abril de 2016 às 01:51 | Atualizado há 2 anos
Uma foto que circula em reportagens pela internet tem simbolizado o momento em que o Brasil vive: na imagem, Carlos Luciano Lopes, um dos vendedores da Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar (Coaf), base da corrupção descoberta em São Paulo que envolve desvio de recursos da merenda escolar, aparece com olhar esbugalhado de felicidade contando dinheiro supostamente fruto de propinas.
A cena parece chocante para um país em crise, com taxas de desemprego alarmantes e recessão recorde justamente pelo tamanho da corrupção.
Na imagem, o olhar da ‘corrupção’ marca para sempre a história do Brasil, onde o dinheiro vivo circula traquilamente nas mãos dos políticos, apaniguados e seus serviçais – o caso de Carlos Lopes.
“O deputado esfregou indicador e polegar, das duas mãos, rindo e de braços abertos, enquanto dizia: ‘não esquece de mim, hein, estou sofrendo em campanha!'”, relatou o lobista Marcel Julio.
O Coaf – onde Carlos Lopes trabalhava – faz parte do modus operandi da corrupção que poderá derrubar, por exemplo, o deputado estadual Fernando Capez – penalista e presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo que estava à frente da fila dos pretendentes ao cargo de governador em 2018.

Ele seria ungido por Geraldo Alckmin para substituí-lo. Mas os planos parecem mudar.
Apesar das suspeitas de corrupção, Capez nega qualquer espécie de envolvimento no esquema de desvio de recursos. Ele diz que é um absurdo ver seu nome envolvido no esquema.
As investigações da Operação Alba Branca, que apura as fraudes nos contratos de fornecimento de merenda escolar, chegaram em Capez e também nos deputados federais Baleia Rossi (PMDB-SP) e Nelson Marquezelli (PTB-SP),.
Outro que caiu é o ex-chefe de gabinete da Casa Civil de Geraldo Alckmin, Luiz Roberto dos Santos (“Moita”).
O homem que conta os maços de notas de R$ 2, 10, 20 e R$ 50 teria uma relação de entrega constante de dinheiro para os políticos paulistas.
Carlos Lopes pode ser a peça chave para montar todo o processo que poderá levar para a cadeia pessoas que até então faziam as leis.
O ex-funcionário da Coaf teria dito que parte do dinheiro da ‘comissão’ acabava nas mãos do lobista Marcel Ferreira Julio e outra parte era entregue para o deputado Fernando Capez.
Na delação premiada de Marcel, Capez é também citado como destinatário.
Sua delação já foi homogada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo.
Conforme relato do jornal O Estado de S. Paulo, Marcel contou um episódio que teve com Capez: os dois se encontraram no escritório, em São Paulo, durante as eleições de 2014.
“O deputado esfregou indicador e polegar, das duas mãos, rindo e de braços abertos, enquanto dizia: ‘não esquece de mim, hein, estou sofrendo em campanha!'”, relatou.
GOIÁS
Caso semelhante de suposto desvio de recursos da merenda escolar foi denunciado na Câmara Municipal de Goiânia por vereadores como Djalma Araújo (Rede), Elias Vaz (PSB) e Tatiana Lemos (PCdoB).
Mas a casa sequer cogitou montar uma comissão para investigar os supostos desvios, na ordem de milhares de reais. Dentre as irregularidades, estariam a oferta de alimentos estragados e vencidos para crianças.
A própria Polícia Civil de São Paulo suspeita que a máfia paulista da merenda escolar esteja agindo em Goiás.
Mas a Polícia Federal e Ministério Público Federal ainda não se pronunciaram quanto às denúncias.