Mais brasileiros com excesso de peso
Redação DM
Publicado em 16 de abril de 2015 às 01:46 | Atualizado há 11 anosDivania Rodrigues Da editoria de Cidades
Cada vez mais brasileiros estão com excesso do peso, de acordo com pesquisa divulgada, ontem, pelo Ministério da Saúde. O número pulou de 43% há nove anos para 52,5% da população adulta do País em 2014. O crescimento representa 23%. Já a taxa de obesidade se manteve estável, atingindo 17,9% das pessoas com mais de 18 anos. Na região Centro-Oeste os números ficam abaixo da média nacional, com o índice de sobrepeso em 51,3% e de obesidade em 17,1%.
Para o diagnóstico em adultos, é utilizado como mais comum o índice de massa corporal (IMC). Este é obtido dividindo-se o peso do paciente pela sua altura elevada ao quadrado. Conforme o padrão utilizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), se esse resultado for entre 18,5 e 24,9, o peso da pessoa é normal. Entre 25,0 e 29,9, há sobrepeso, acima deste valor, a pessoa é considerada obesa. Já a obesidade mórbida é quando o IMC ultrapassa 40.
Em declaração na divulgação da pesquisa (Vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico – Vigitel 2014) o ministro da Saúde Arthur Chioro esclareceu que o mais importante para o Brasil – conter crescimento da obesidade – foi conquistado. “Isso já é um grande ganho para a sociedade brasileira. Em relação ao sobrepeso, não temos o mesmo impacto da obesidade, de estabilização, mas também não temos nenhuma tendência de crescimento disparando”. Ele também reforçou que os índices brasileiros estão abaixo de países vizinhos como Argentina (20,5%), Paraguai (22,8%) e Chile (25,1%).
“Estar acima do peso é o mal do mundo moderno”, diz o cardiologista Francisco Marques Guimarães Júnior. Para ele, esses números refletem, em grande parte, a industrialização da comida e a mudança do estilo de vida que houve com a proliferação das grandes áreas urbanas.
A quantidade de quilos a mais pode ser responsável por doenças crônicas, como as do coração, hipertensão e diabetes. Francisco se especializou também em nutrologia ao perceber a relação íntima entre obesidade e doenças no sistema cardiovascular. A pesquisa apontou que em todo o País, 20% dos entrevistados têm colesterol alto. As mulheres são a maioria com 22,2% contra o índice masculino de 17,6%. Quanto mais idade maior o risco: com 55 anos o índice ultrapassa 35%.
Homens e mulheres também diferem quando o assunto é o peso. Enquanto o índice de excesso de peso neles chega a 56,5%, elas alcançam 49,1%. Já quando o assunto é obesidade não há diferença significativa.
As pessoas entre 45 e 64 anos são as que mais estão acima do peso (61%). A taxa de jovens de 18 a 24 anos fica em apenas 38%. Também há uma diferença quanto ao nível de escolaridade. Quanto mais estudo, menos as pessoas estão acima do peso. Entre 0 e 8 anos de estudo o índice chega 58,9%, enquanto quem estudou 12 anos ou mais o número é de 45%.
O Vigitel 2014 pesquisou por meio de inquérito telefônico 40.853 pessoas com mais de 18 anos, entre fevereiro e dezembro de 2014. As entrevistas ocorreram nas capitais de todos os Estados do País e do Distrito Federal. A pesquisa é realizada, desde 2006, pelo Ministério da Saúde e tem como objetivo medir a prevalência de fatores de risco e proteção para doenças não transmissíveis na população brasileira. Os dados servem para subsidiar as ações de promoção da saúde e prevenção de doenças.
(Com informações do Ministério da Saúde)
Brasileiros estão mais saudáveis
De acordo com a pesquisa, o brasileiro está praticando mais exercícios físicos e comendo alimentos menos gordurosos. Houve aumento de 18% nos últimos seis anos da taxa de praticantes de atividade física.
Em 2009, o índice era de 29,9% e, em 2014, passou para 35,3% de pessoas que praticam 150 minutos de exercícios por semana. Nesse caso, o número de homens é maior que o de mulheres, 41,6% e 30% respectivamente. Os jovens e os com mais anos de estudo também são os mais ativos.
O índice da população fisicamente inativa ficou em 15,4%, o que é considerado crítico já que para Organização Mundial de Saúde (OMS) este é o quarto maior fator de risco de mortalidade global. Os não suficientemente ativos somam 48,7% dos pesquisados.
A alimentação dos brasileiros também tem mudado. Dos entrevistados, 36,5% disseram consumir frutas e hortaliças cinco ou mais dias da semana, mas apenas 24,1% consomem cinco ou mais porções diárias (400 gramas), que é o indicado pela OMS.
O consumo de carnes, com excesso de gordura, caiu entre 2007 e 2014, de 32,3% para 29,4%. Refrigerantes e doces também estão sendo menos consumidos. Em 2014, 20,8% dos entrevistados tomou refrigerante cinco vezes ou mais na semana, índice que em 2007 era de 30,9%. Quando o assunto é doce a taxa ficou em 18,1% – mulheres 20,3% e homens 15,8%.
Sal
Considerado por muitos como vilão, o sal ainda é muito consumido pelos brasileiros. A taxa de adultos, que consideram seu consumo de sal muito alto ou alto, foi de 15,6. Esse percentual cai com a idade, mas aumenta com os anos de escolaridade. A média nacional é de 12 gramas enquanto o recomendado pela OMS é de 5 gramas diárias.
Melhor alimentação
A pesquisa mostra que as mulheres estão se alimentando melhor que os homens. Elas consomem mais frutas e verduras (28,2%), enquanto os homens são apenas 19,3%. Eles consomem mais alimentos gordurosos com 38,4% – contra 21,7% feminino – e mais sal, com 17,4%.
O peso e a mente
O livro As Diretrizes Brasileiras de Obesidade, da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica, infere que “há aumento significativo da prevalência da obesidade em diversas populações do mundo, incluindo o Brasil”. De acordo com as informações presentes nessas diretrizes, o principal estímulo do crescimento dessa doença é o ambiente moderno. É descrito que a “diminuição dos níveis de atividade física e o aumento da ingestão calórica são os fatores determinantes ambientais mais fortes”, na atualidade que geraram essa mudança.
A obesidade tem, conforme as diretrizes, forte influência genética, o que não indica que é inevitável. Ela também não é classificada como um transtorno psiquiátrico. Porém, o livro ressalta que os “sintomas de estresse, tais como ansiedade, depressão, nervosismo e o hábito de se alimentar quando problemas emocionais estão presentes são comuns em pacientes com sobrepeso ou obesidade, sugerindo relação entre estresse e obesidade”.
Sendo o estresse caracterizado como uma “consequência da obesidade devido a fatores sociais, à discriminação e, alternativamente, a causa da obesidade”. O tratamento recomendado por especialistas inclui entre atividades físicas, mudanças na alimentação e estímulo a hábitos saudáveis, entre outros.
Para o nutrólogo Francisco Marques Guimarães Júnior, a obesidade é uma causa e uma consequência da depressão: “Um indivíduo depressivo está propenso à obesidade e o obeso está propenso a agravar o quadro de depressão”, explica.
As modificações no comportamento alimentar necessitam, conforme a Sbem, de um suporte social. “Os familiares e amigos são também importantes no sentido de auxiliar o paciente a se comportar em situações difíceis como festas, jantares onde há necessidade de dizer “não” para os alimentos oferecidos muitas vezes de forma insistente”, informa a entidade em seu site.