Mal-estar da crise
Redação DM
Publicado em 16 de setembro de 2016 às 02:29 | Atualizado há 10 anos- Especialistas afirmam que o sentimento de insegurança é o pior dos problemas e que planejar contas é uma boa medida
A instabilidade financeira afeta a autoestima de qualquer pessoa. Até porque a sociedade tem construído valores sobre “ter para ser”. Mas, quando a pessoa não tem o que deseja, ela sofre drasticamente. O economista Marcos Túlio Rodrigues Ramos afirma que a principal área afetada pelo problema é a vida familiar.
Em decorrência da crise econômica, inúmeras pessoas têm lutado para driblar o mal-estar da instabilidade nas contas. Segundo o psicólogo Shouzo Abe, uma crise financeira pode atingir todas as áreas da vida, em especial a emocional.
O especialista explica que valores ideológicos e culturais da sociedade ajudam na piora do quadro emocional das pessoas. “As pessoas estão muito ligadas ao que elas têm de valor. Pelo fato da sociedade construir cada vez mais valores como ‘ter para ser’, quando alguém não consegue algo, ele acaba perdendo a segurança de si mesmo”, salienta.
Assim, as crises financeiras podem representar um preocupante fator desencadeante de transtornos psicológico. A falta de dinheiro ou o controle dele afeta tudo. A autoestima fica vulnerável à instabilidade quando as finanças não estão bem. Uma vez que a vida financeira está ameaçada, logo a dignidade também está sujeita a riscos. A crise ameaça coisas primordiais à vida e acaba desestruturando as pessoas”, explica o psicólogo Shouzo Abe.
O especialista diz que o sentimento de insegurança é o pior deles. Ele é sério e pode desencadear depressão, ansiedade e, principalmente, um abalo emocional. “Quanto mais a comunidade em que a pessoa vive dá valores aos bens materiais e a depender mais daquilo que tem, nessa sociedade você fica mais exposto e cada vez mais inseguro. As doenças e outros tipos de crises são reconhecidos em decorrência da perda da segurança que ele tem de si mesmo, mas a baixa autoestima também está ligada a questões financeiras”.
De acordo com o psicólogo, equilibrar as finanças pessoais depende da autoestima e das crenças que as pessoas têm sobre quem elas são e da segurança que têm em si mesmas. Neste momento decisivo que a vida exige o máximo de discernimento e controle para resolver um problema, é preciso de autoajuda. “É importante que a pessoa faça parte de uma comunidade ou grupo que possa ajudá-la no direcionamento e aconselhamento para melhorar o quadro financeiro. Vale salientar que decidir sozinho em meio a crise não é a melhor alternativa. A orientação é buscar ajuda de pessoas de confiança”.
O economista Marcos Túlio Rodrigues Ramos afirma que para minimizar os impactos da instabilidade financeira é preciso muita cautela para fazer os reparos necessários. “A primeira coisa é não agir por impulso e buscar conhecer se de fato está sendo atingido. Em segundo lugar, deve conhecer a realidade financeira que enfrenta e fazer os ajustes necessários”.
O economista afirma que é importante buscar ajuda no momento de crise e que nem sempre ela vem de casa ou através de empréstimo financeiro. Mas ela pode vir como apoio para aumentar a renda ou cortar custos. “Trabalhos extras para aumentar a renda ou providenciar economias são boas alternativas para melhorar o quadro financeiro”, orienta.