Cotidiano

“MDB é o único que faz oposição há 20 anos em Goiás”

Redação DM

Publicado em 16 de janeiro de 2018 às 01:12 | Atualizado há 8 anos

Após uma viagem à Disney (Estados Unidos) com a família, o deputado fede­ral e presidente do MDB goiano, Daniel Vilela, retornou à realidade da política de Goiás jogando ainda mais gasolina na relação com o se­nador Ronaldo Caiado, do DEM. Em entrevista à Rádio 730, no iní­cio da manhã de ontem (15), o pré­-candidato do MDB ao governo al­finetou o colega da oposição, que nos últimos dias voltou a atacar as bases emedebistas com objetivo de enfraquecer Daniel e conquistar o apoio da legenda na corrida ao Palácio das Esmeraldas.

Na entrevista, Daniel – sem ci­tar nome – fez críticas à postura de oposição do senador. “Não adian­ta promover um projeto de ‘oposi­ção pitoresca, caricata’. As pessoas querem um projeto de oposição que verdadeiramente gere inspiração, que seja um exemplo de transfor­mação, de mudança de comporta­mento”, cutucou. No ano passado, o deputado, durante o programa par­tidário do rádio e TV, atacou a for­ma como Caiado tem se posiciona­do contra o governo.

A fala de Daniel Vilela remete, subliminarmente, ao fato do DEM/ PFL ter feito parte da base governis­ta, tendo inclusive eleito por duas vezes o senador Demóstenes Torres (2002/2010) e indicado o vice (José Eliton) na chapa Marconi Perillo.

Daniel Vilela destacou que o PMDB foi o único partido que fez oposição em Goiás nos últimos 20 anos. “Temos mais de 20 anos na opo­sição. Nós nunca compactuamos com esse governo e com esse grupo políti­co. Nesse período, nós apresentamos nossas propostas e nossos candida­tos. Ninguém pode tirar do PMDB o título de verdadeira oposição”, disse. Antes, o emedebista lembrou que em outros momentos determinado par­tido chegou a declarar “apoio a uma tese em uma semana, na outra estava conversando com a tese antagônica”.

Em 1998, Ronaldo Caiado aju­dou a eleger Marconi Perillo ao Go­verno de Goiás, integrando o gru­po que derrotou o então senador e ex-governador Iris Rezende, maior liderança do MDB em Goiás. Em 2010, o democrata indicou José Eli­ton para a vice de Marconi. Em 2014, Caiado chegou a se aproxi­mar do tucano de olho na vaga ao Senado na chapa governista. Mas acabou fechando com Iris Rezen­de, candidato ao governo à época.

ATAQUE

Durante a entrevista, o deputa­do federal atacou o governo sobre os acontecimentos no sistema peni­tenciário no início do mês e o gover­nador por ter viajado de férias, por três dias, nesse período. O emedebis­ta falou da falta de planejamento do governo para o sistema penitenciá­rio no estado e a segurança pública.

Sabatinado pelos jornalistas Kle­ber Ferreira e Rubens Salomão, na Rádio 730, ele não fugiu a nenhum tema espinhoso. Afirma que consi­dera normal divergências no parti­do, lembrando que em 2006 o prefei­to Adib Elias disputou prévias com o senador Maguito Vilela pelo direi­to de representar o PMDB naqueles eleições ao governo do Estado.

Daniel garante que após um ano rodando o Estado e conversando com a militância, percebe que a maioria da base peemedebista quer uma can­didatura própria do partido. Ele asse­vera que não vê problemas que a opo­sição tenha mais de um candidato ao governo. Avalia que a população quer a alternância de poder e pode­rá escolher em uma das alternativas

 

PRINCIPAIS TRECHOS DA ENTREVISTA

 

Como está a pré-campanha?

Daniel Vilela – Está animada. Estamos imaginando os próximos passos. Iniciamos esta semana um giro pelo interior do Estado, num momento de mais participação po­pular, e menos partidária. Tivemos no ano de 2017 onde movimenta­mos bastante o partido, talvez como não houvesse sido movimentado nos últimos dez anos, visitando as regionais, conversando com a base do partido e concluímos com um grande encontro em Goiânia no mês de dezembro, com a partici­pação maciça da militância. Este é um momento de mudança.

E qual é este projeto? Quais são as principais críticas ao governo?

A falta de alternância nestes 20 anos de poder em nosso Estado levou a este mesmo grupo político a cometer muitos erros. Hoje temos sérios problemas na área de Saúde, sérios problemas na área de Edu­cação e gravíssimos problemas na Segurança Pública, que levaram à rebelião que tivemos em Apare­cida neste início de ano, que é fru­to desta omissão, desta ausência e falta de planejamento. Goiás fi­cou nas manchetes nacionais nes­te início de ano, e foram manche­tes internacionais inclusive, como motivo de chacota, devido a esta falta de planejamento, deste des­compromisso e omissão do governo com uma área sensível, que possi­velmente foi deixada de lado por­que não representa retornos elei­torais. Este é um governo que vive há 20 anos calcado na alimenta­ção da vaidade pessoal de seus lí­deres, na auto-promoção, no mar­keting político, e em poucas ações de políticas públicas que efetiva­mente elevem a qualidade de vida dos goianos.

Sobre a questão da crise penitenciária, o problema também não envolve omissão do governo federal? Esta é a alegação do governo estadual.

Acho que isto ficou muito cla­ro com as declarações do ministro da Justiça (que disse) que recursos transferidos para o Estado de Goiás e que, por esta omissão, não foram utilizados. Este é um debate supe­rado. Ficou claro que o governo fe­deral fez a sua parte. Podemos di­zer que (o governo federal) pudesse fazer mais. É lógico que você não pode cobrar um governo que trans­feriu R$ 42 milhões, foram utiliza­dos R$ 7 milhões, e aí cobrar mais recursos, se nem aqueles que foram disponibilizados não foram usa­dos pelo Estado.

E quais são os seus projetos nesta área (da segurança)?

É complexo a gente vir aqui e dizer que a solução é “tal”. Isto pre­cisa ser construído. É o que nós va­mos iniciar, a partir desta semana ouvindo a população e ouvindo es­pecialistas. Já montamos um time de técnicos de todas as áreas que vão elaborar alternativas, soluções para estes problemas mais graves. Agora, passa pelo aumento do efe­tivo, pelo equilíbrio e isto não é a curto prazo, é a médio e longo pra­zo que vamos equilibrar o número de efetivo em relação à população. É preciso usar também inteligência e estratégia. Não adianta a gente deixar de usar as ferramentas tec­nológicas para que a gente possa minimizar a falta de efetivo.

Como estão as alianças? Que partidos o MDB está buscando?

Temos a convicção da neces­sidade de construir uma grande a ampla aliança para as eleições. Te­mos conversado com vários parti­dos e líderes partidários. É chegado o momento de diálogos mais inci­sivos na construção esta aliança. Daqui para março há conversas que podem avançar ou não. A gen­te sabe, pelo histórico das últimas eleições, que estas conversas aca­bam sendo decididas às vésperas das convenções partidárias. Elei­toralmente tudo tem se antecipa­do muito, é possível que tenhamos alianças antecipada.

Você acredita que o PP, do senador Wilder de Morais, e o PSD, do ex-deputado Vilmar Rocha, vêm com o MDB?

Como presidente do partido tenho obrigação de fazer este diálo­go, de abrir o partido para discus­são de alianças. Temos convicção de que este foi um fator fundamen­tal para que a gente não tenha tido sucesso nas últimas eleições. Temos que manter as alianças anteriores, mas ampliar. Tenho tido boas con­versas, acredito que o ex-deputado e secretário Vilmar Rocha que tem tido publicamente o que pensa do Estado, do quadro político. É um homem equilibrado, sereno, que na minha opinião é extremamen­te moderno em relação ao pensa­mento político e às novas exigências da população em relação ao futu­ro do país e do Estado, e penso que é possível avançar para uma nova aliança. O PP do senador Wilder Morais também tem demonstrado este interesse de construção de um novo projeto, e de continuar o tra­balho qualitativo que vem desem­penhando no Senado. E além de outros partidos como o PR, o PRB, o PTB e vários outros partidos que nós temos conversado.

A oposição está dividida com a candidatura do senador Ronaldo Caiado? Isto está consolidado para o primeiro turno?

O senador RonaldoCaiado éumafiguraim­portantíssimano nosso quadro po­lítico. Tenhouma excepcional re­lação com ele, e as conversastêm seguido. Ele tem a postulação da candidatura ao governo do Es­tado, isto é na­tural e legítimo. O MDB teve um anodeencontros regionais, muni­cipaisondeouviu sua militância, sua base e não é um pensamen­to pessoal, não é um desejo pes­soal meu, mas foi o que a militân­cia disse durante o ano de 2017, que majoritariamente, em todos os en­contros, nunca teve um diretório de Goiás que tenha se manifesta­do contra uma candidatura pró­pria do PMDB.

O PMDB não abre mão da cabeça-de-chapa?

Este é o desejo da base. Eu posso falar como presidente do partido, de uma forma democrática. Eu não falo minha opinião pessoal, pelo meu desejo pessoal, como alguns podem até defender. É até legítimo defender os seus interesses pessoais, mas eu como presidente do parti­do tenho que ouvir a base e o que a base, a militância do PMDB dis­se é que quer candidatura própria e não abre mão desta definição.

O ex-prefeito Maguito Vilela disse que a divisão no primeiro turno pode ser favorável para a oposição e depois no segundo turno, todos se unem.

Nãoachoquesejaumerro, acho plenamente possível que este cená­rio ocorra. O que digo é que gosta­ríamos muito de receber o apoio do senador Ronaldo Caiado.

É o melhor cenário para disputa?

Sim, porque hoje quando você fala em oposição, você vai falar de três ou quatro partidos. Temos o PMDB, o DEM, o PRP, o PRTB, o PT, porque se você falar em muitos outros partidos a gente não sabe o que vai acontecer. Tem partido que declarou apoio a uma tese numa semana e na ou­tra estava con­versando com a teseantagônica, então você tem que separar o joio do trigo. Estamos há 20 anos na oposi­ção. Nós nunca compactuamos com este governo e com este grupo político aí.

O PMDB tirou o “p” porque andava muito partido: partia prá lá, partia pra cá. O sr. conseguiu unir o MDB?

Unanimi­dade ninguém consegue. Nem Je­sus conseguiu isto. O PMDB é um partido grande e que aceita as suas divergências internas naturalmen­te. E vou dizer mais, acho até que além de ser positivo para o parti­do estas divergências, elas não tem relevância numa disputa eleitoral.

O que ocorre com o deputado José Nelto, que falou em lançar o seu próprio nome ao governo do Estado, se o partido já está tem um candidato?

Acho natural. Seria até bom se ele lançasse o nome dele. De re­pente a gente promoveria uma pré­via, uma pré-convenção e o partido iria se manifestar, e a gente saberia o que o partido pensa desta can­didatura, aqueles que postulam uma outra, o PMDB saberia o que é o desejo de cada um.

Mas se ganha uma eleição tão partido assim?

É o que eu disse. Eu não me preocupo com estas coisas não. Em 2006, o senador Maguito Vilela ti­nha quase 70% nas pesquisas, o prefeito Adib Elias tinha zero e ele entendeu que tinha o direito de dis­putar uma prévia. Ele tinha sua convicção de que tinha potencial de crescimento, tinha chances de ganhar as eleições, e democratica­mente foi aceito, inclusive pelo se­nador Maguito Vilela, que a época era um senador e um ex-governa­dor bem avaliado. Foi feita a dis­puta, o partido escolheu e acho que isto não teve reflexo nas eleições, nós perdemos por outras razões.

Dos partidos que o sr. citou, um deles é o Solidariedade que foi uma das principais pernas da aliança de 2014, que teve a candidatura de 2014 com Iris e o DEM, mas depois das eleições o Solidariedade voltou para a base, teve cargos no governo. Na eleição de 2016 articulou até o último momento com a candidatura do PMDB e depois foi para o governo e apoiou a candidatura de Vanderlan Cardoso. Não fica nenhum resquício, nenhuma mágoa?

Eu tenho uma relação de ami­zade pessoal com o deputado Lucas Vergílio. Acho que o Solidarieda­de foi correto com o PMDB, com o Armando Vergílio como vice, que é um quadro importantíssimo e que não pode se ausentar do ce­nário político e administrativo do nosso Estado.

Para quem o sr. vai pedir votos em Goiás para presidente?

Eu nem sei quem são os can­didatos. Como você quer que eu responda isto imediatamente. O quadro nacional está completa­mente indefinido. A única candi­datura definida é do Bolsonaro, apesar de que ele não está conse­guindo partido para ser candidato.

Rodrigo Maia e Henrique Meirelles disputam entre si para serem candidatos do governo. O sr. acredita que o presidente Michel Temer vai ter um candidato á sucessão?

Vejo esta discussão diariamen­te em Brasília. Todo governo quer ter um candidato para defender seu legado, suas teses. Sou amigo do deputado Rodrigo Maia e acho que ele, hoje, reúne as melhores con­dições, pois tem apoio de partidos que compõe a base, partido signi­ficativos, e que tem aí algo a ofere­cer eleitoralmente, que robustece uma aliança. Se de fato for este o projeto dele, acho que tem condi­ções de ter a maior aliança de cen­tro no Brasil. Não sei se é este de fato o projeto dele, mas penso que teria respaldo de partidos como o PP, PV, PR, o próprio Solidarie­dade, e vejo ele com uma situação muito favorável.

O PMDB está muito distante do PT? O apoio a um candidato do PT, que seja Lula ou outro candidato?

O PMDB, em nível nacional, continua com a sua divisão eterna. O PMDB no Nordeste todo ele ja se manifestou a favor de uma candi­datura do presidente Lula. Agora, ninguém sabe se esta candidatura irá de fato se registrada, devido as circunstâncias. Isto tudo é que vai definir a posição do PMDB nacio­nal. Se não for o Lula, penso que o PMDB do Norte-Nordeste, não de­verá caminhar com o PT. É o que eu vejo nas conversas. Não sendo ele o candidato, não temos um ce­nário visível para o PMDB.

O vereador Lucas Kitão pergunta se o sr. vê futuro numa aliança entre o PMDB e o PSDB?

Cumprimento o Lucas que é um vereador jovem, determinado e qualificado. Digo que esta chan­ce é zero em Goiás. Eu já disse isto de forma reiterada que nosso pro­jeto é antagonista ao projeto des­te governo.

O sr. diz que o governo está sem projeto, o sr. acha que em Goiânia, Iris também está sem planejamento?

Pelo contrário, ele tem feito um primeiro ano que exigiu muito pla­nejamento fiscal, porque encontrou uma situação extremamente difí­cil, como é a situação de todas as grandes cidades, que enfrentam queda de receita, aumento das des­pesas, especialmente no custeio da prefeitura. Acho que ele teve que se dedicar exaustivamente ao plane­jamento fiscal da prefeitura, e isto vai gerar os frutos para que 2018 seja de muito investimento e de re­cuperação do urbanismo da nossa capital. Não tenho a menor dúvida da capacidade gerencial e da de­terminação que o prefeito Iris Re­zende tem e que farão Goiânia se exemplo em muitos sentidos.

 



Está cristalizada na cabeça dos goianos a necessidade de mudança, de alternância de poder, de um novo projeto para Goiás”

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