Cotidiano

Mendanha não acerta com PL e desempenho desagrada aliados

Redação DM

Publicado em 2 de fevereiro de 2022 às 13:46 | Atualizado há 4 anos

O prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha terminou o mês de janeiro sem boas notícias em relação à sua pré-campanha ao governo de Goiás. O presidente Jair Bolsonaro não sinalizou favoravelmente à filiação de Mendanha ao Partido Liberal. O terceiro lugar do prefeito na pesquisa Serpes (13% de intenções de voto), atrás de Marconi Perillo (14,1%) e Ronaldo Caiado (37,1%), caiu como uma “ducha de água fria”, frustrando expectativas de aliados, como a deputada federal Magda Mofatto.
O que mais abalou o grupo foi a comprovação, pela 1ª pesquisa Serpes, de que o prefeito não existe fora de Aparecida, politicamente falando. Os 13% que alcançou no levantamento estimulado praticamente correspondem à fatia do eleitorado do município, onde, no pleito municipal de 2020, Mendanha teve quase 200 mil votos. Mofatto gravou vídeo, em que manifesta decepção com o desempenho de Mendanha na pesquisa Serpes.
O percentual de 13% das intenções de votos que Mendanha alcançou na 1ª pesquisa Serpes resultou quase que exclusivamente da citação do seu nome por eleitores aparecidenses. Excluindo-se esse dado, o prefeito cai para um índice entre 2 e 3%, no resto do Estado, número semelhante, por exemplo, ao do deputado federal Major Vitor Hugo, que marcou 2,6% das preferências para governador, no levantamento patrocinado pela Associação Comercial e Industrial do Estado de Goiás – ACIEG.
O que frustrou o grupo de Mendanha foi a constatação de que todos os esforços dispendidos durante o ano passado não renderam frutos. Foram mais de 100 viagens aos municípios, acompanhadas de reuniões e entrevistas a emissoras de rádio e blogs locais e mesmo assim não adiantou. Não houve adesão de eleitores.
Major Vitor Hugo bate pesado em Mendanha no seu perfil no Instagram, endossando a onda de reprovação do bolsonarismo ao prefeito e insistindo na lembrança de que o prefeito nunca teve compromisso com o presidente e é especialista em “jogo duplo” para se beneficiar politicamente e alcançar os seus interesses pessoais. “É muito engraçado ver esse dilema dele”, observa o deputado. “Quando se diz bolsonarista, por conveniência política momentânea, perde os esquerdistas que o apoiam. Só que não são bolsonaristas de fato: já viu bolsonarista 1) fechar com PT, PCdoB, PDT, PSB e PV? 2) ironizar ou rir do presidente? 3) dizer sobre o PR que “não tem paixão não”? Quando se mostra esquerdista (verdadeira face), perde os bolsonaristas”, cutuca Vitor Hugo.

Sem respaldo
Gustavo Mendanha foi a Brasília, semana passada, certo de que voltaria a Aparecida de Goiânia acertado o apoio do PL à sua pré-candidatura ao Palácio das Esmeraldas. Levado pelo casal Magda Mofatto/Flávio Canedo, conversou com o presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto e com o senador Flávio Bolsonaro, mas voltou de “mãos vazias”. Os cardeais do PL pediram tempo para dar aval a uma eventual filiação do ex-emedebista.

Mendanha tentou, em dezembro e janeiro, ser recebido pelo Jair Bolsonaro, no Palácio Alvorada e no Palácio do Planalto, em Brasília, para tratar da sucessão estadual, mas não conseguiu agenda com o presidente. As informações levadas a Bolsonaro pelo deputado federal Major Vitor Hugo sobre o perfil e conduta política de Mendanha não agradam ao bolsonarismo raiz.
Major Vitor Hugo, que é também pré-candidato ao governo de Goiás, tem mostrado ao presidente a inconveniência de o PL aceitar a filiação de Mendanha. E justifica: o prefeito de Aparecida não tem fidelidade aos princípios ideológicos e políticos defendidos por Jair Bolsonaro. O parlamentar lembra que Mendanha abriga, em seu secretariado, cinco partidos de esquerda.
Após um ano e um mês de pré-campanha ao governo de Goiás, Gustavo Mendanha reuniu apoio de poucos partidos: apenas o Podemos e o PTC já anunciaram que estarão com o prefeito, caso renuncie o mandato de prefeito de Aparecida de Goiânia e entregue na disputa eleitoral de 2022. O Patriota, que abriu mão da candidatura de Jânio Darrot, poderá respaldar o prefeito. Ele conversa também com o Republicanos e Progressistas.
Mendanha tem prazo até 2 de abril para filiação partidária e renúncia ao mandato de prefeito de Aparecida de Goiânia.

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