Cotidiano

Mistura letal

Redação DM

Publicado em 7 de janeiro de 2016 às 20:26 | Atualizado há 10 anos

O estado de saúde do operário Daniel de Sousa Rocha, 23 anos, atropelado na BR-153 enquanto fazia manutenção na pista, é regular, conforme informações do último boletim médico do Hospital de Urgência de Goiânia (Hugo), onde ele está internado. O acidente ocorreu, na madrugada de ontem, por volta das 2h, após o veículo GM Corsa, em que trafegava a universitária Larissa Pinheiro Correia, 22 anos, com faróis desligados, atingiu a vítima. A jovem havia consumido bebida alcoólica antes do envolvimento. Na ocasião, ela vestia apenas calcinha e blusa.

Ainda de acordo com o hospital, o jovem foi submetido a procedimentos cirúrgicos nos membros inferiores, com duração de cerca de duas horas, e encontra-se orientado e com respiração espontânea em uma enfermaria. A vítima teve as duas pernas quebradas com impacto do atropelamento.

Um vídeo gravado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) mostrou Larissa confessando ter feito uso de bebida alcoólica. Ao ser questionada se havia ingerido álcool, ela disse: “Bebi, claro!” A jovem afirmou ainda, durante a filmagem, que bebia desde às 23h do dia anterior ao acidente e que tinha saído de uma boate. A polícia chegou a fazer o teste do bafômetro com a motorista, que cedeu prova de embriaguez voluntariamente. O exame apontou 0,35 miligramas de álcool por litro de ar expelido. Todo o registro ocorreu enquanto ela recebia atendimento médico dentro de uma ambulância.

Acidente

De acordo com a PRF, no local do acidente havia trabalhadores realizando a manutenção da pista. Larissa trafegava em alta velocidade e com faróis desligados quando perdeu o controle da direção, atingiu cones e placas de sinalização e atropelou o operário. O veículo só parou ao colidir na traseira do caminhão da empresa concessionária Triunfo Concebra, responsável pela manutenção da rodovia.

A polícia ainda informou que trabalhadores da empresa tentaram advertir Larissa por três vezes, com uso de apito, porém, não houve tempo hábil para que o funcionário Daniel, atingido pelo veículo, pudesse sair de cena. Para a PRF, não restou dúvidas de que a estudante estivesse embriagada no momento do acidente. Já que ela apresentava sinais visíveis de ingestão excessiva de bebida alcoólica, como fala enrolada, alucinações e odor. Em um dos trechos do vídeo, a motorista chega há perguntar que horas eram naquele período.

Conforme a delegada Adriana Carvalho, da Delegacia de Trânsito de Goiânia, Larissa foi atuada pela tipificação de crime como tentativa de homicídio, que não cabe fiança. Por tanto, a estudante ficará detida até que a Justiça analise o caso. A delegada explicou que a sugestão de crime é pela motorista ter conduzido um veículo embriagada e ao se deparar com uma rodovia em obras, embora em trechos, bem sinalizada não respeitou as sinalizações.

“A autoridade policial não pode arbitrar essa fiança, já que foi optado pelo crime de tentativa de homicídio. Sendo assim, só o Poder Judiciário poderá decidir se ela deve ter direito à liberdade ou deve permanecer presa preventivamente, assim como definir o tempo da pena, caso ela seja condenada”, destacou.

Jovens ao volante: mais velozes e perigosos

Não é de hoje que a relação álcool-volante revela facetas cruéis. Estatísticas revelam que em cerca de 75% dos acidentes com vítimas fatais nas ruas e rodovias do País existe um motorista alcoolizado envolvido. Os números são ainda mais preocupantes quando atrás do volante há um jovem embriagado no comando do veículo. Basta um encontro com a “galera” regado de álcool e muitos deles, depois de ingerir alta quantidade de bebida, esquecem os princípios básicos da segurança no trânsito, como: usar o cinto de segurança ao dirigir ou não enfrentar o trafego bêbado.

A tendência é que o número de jovens embriagados ao volante aumente e, consequentemente, uma enxurrada de acidentes aconteça. O Carnaval está às portas e mais uma vez ficam as perguntas: álcool e direção até quando? Quantos jovens vão morrer depois de se alcoolizarem e dirigir?

Não tenhamos números exatos, porém, não é surpresa receber notícias de mortes causadas por pessoas bêbadas na direção de um veículo em períodos festivos e de feriados.

Mas a culpa de tantos acidentes de trânsitos provocados por excesso de bebida alcoólica vem só da irresponsabilidade de jovens ou de pessoas consideradas imaturas?

De acordo com especialistas, há muita gente interessada que o álcool se propague. Desde donos de casas de shows até proprietários de bares e a indústria de bebida. Vale lembrar que a Ambev, maior companhia de bebidas alcoólica do Brasil, teve lucro líquido de R$ 2,51 bilhões nos meses de abril, maio e junho de 2015.

Acidentados

Dados parciais da Secretaria Municipal de Trânsito (SMT) de Goiânia revelam um alto índice de jovens entre 18 e 30 anos envolvidos em acidente de trânsito, não necessariamente associados à ingestão de bebidas alcoólicas.  De janeiro a dezembro de 2015, foram 280 envolvimentos de jovens de 18 a 20 anos. De 21 a 25 anos (1.105). Já de 26 a 30 (1.414). Se considerarmos pessoas jovens de 31 a 35 anos, os números alcançam 1.470.

Em relação a 2014, nas faixas etárias entre 18 a 35 anos, os números são surpreendentes e na maioria maiores que do ano passado. De 18 a 20 anos (1.120) e de 21 a 25 anos foram 3.820 acidentes com jovens. Já quando a idade é dos 26 aos 30 anos, os dados revelam 4.597 casos. Os números são puxados ainda mais para cima com pessoas com idade de 31 a 35 anos (4.400).

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