Morre aos 53 anos Lucimar das Neves, sobrevivente do acidente com Césio-137 em Goiânia
Léo Carvalho
Publicado em 28 de julho de 2026 às 13:25 | Atualizado há 35 minutos
Lucimar era irmão de Leide das Neves, que morreu após contato com o material radioativo em Goiânia em 1987 | Foto: Reprodução
Morreu aos 53 anos, no último sábado (25), Lucimar das Neves Ferreira, um dos sobreviventes do acidente com o Césio-137, ocorrido em Goiânia em 1987. A informação foi divulgada pela Associação das Vítimas do Césio-137 no Instagram. A causa da morte não foi informada.

Na época do acidente, Lucimar tinha 14 anos e fazia parte da família diretamente atingida pela contaminação provocada pelo material radioativo retirado de um aparelho de radioterapia abandonado. Ele era irmão de Leide das Neves Ferreira, menina que se tornou símbolo da tragédia após ingerir partículas do pó de Césio-137 e morrer semanas depois da exposição.
O acidente começou em setembro de 1987, quando dois catadores encontraram um equipamento abandonado em uma antiga clínica de radioterapia, no Centro de Goiânia. Ao desmontarem o aparelho, tiveram acesso a uma cápsula contendo cloreto de césio, um material radioativo que liberou um pó azul brilhante e contaminou pessoas, objetos e ambientes.
A tragédia mobilizou uma grande operação de descontaminação e deixou marcas profundas em Goiás. De acordo com informações da Secretaria de Estado da Saúde, centenas de pessoas tiveram algum tipo de contato direto ou indireto com o material radioativo, e os casos mais graves envolveram pacientes que desenvolveram lesões provocadas pela radiação.
Acompanhamento das vítimas
Após o acidente, o Governo de Goiás criou, em 1988, a Fundação Leide das Neves Ferreira, com o objetivo de acompanhar os efeitos da exposição à radiação nas pessoas atingidas. A instituição ficou responsável pela assistência médica e social às vítimas, além de estudos epidemiológicos sobre as consequências do acidente.
Com o passar dos anos, o acompanhamento dos sobreviventes continuou sendo realizado pelo Centro Estadual de Assistência aos Radioacidentados Leide das Neves (CARA), unidade vinculada à Secretaria de Estado da Saúde de Goiás responsável pelo monitoramento e atendimento dos radioacidentados.
Quase quatro décadas depois da tragédia, a morte de Lucimar das Neves Ferreira marca mais um capítulo da história das famílias que carregam as consequências do acidente com o Césio-137, considerado o maior acidente radiológico do mundo ocorrido fora de uma instalação nuclear.