Mugabe é condecorado com versão chinesa do Nobel da Paz
Redação DM
Publicado em 22 de outubro de 2015 às 01:02 | Atualizado há 11 anosPEQUIM — Acusado de usar torturas sistemáticas para se manter há 35 anos no poder, o ditador do Zimbábue foi agraciado com o Prêmio Confúcio, a versão chinesa do Nobel da Paz. Segundo o comitê , desde que assumiu o poder, em 1980, Mugabe trabalhou duro para trazer ordem polîtica e econômica ao país e riqueza à população. Grupos opositores ridícularizaram o prêmio.
Mugabe, de 91 anos, governa o Zimbábue desde 1980 e não tem previsão de deixar o poder. O país é considerado uma das democracias mais frágeis da África, e o presidente já foi acusado internacionalmente de ameaças e desparecimentos de rivais.
Apesar de tudo isso, ele levou o prêmio. O júri declarou que ele é merecedor da condecoração pelo trabalho realizado em prol da ordem política e econômica no país e pela melhoria da qualidade de vida da população. O texto também elogia Mugabe por ter sido eleito, este ano, presidente da União Africana.
— Se ele não tivesse assumido o poder em 1980, se não tivesse desempenhado esse papel, quanto talento seria desperdiçado — disse o presidente do júri, Qiao Damo, ressaltando a habilidade de Mugabe de levar estabilidade econômica no país ao mesmo tempo em que promoveu a paz.
Essa não é a primeira polêmica envolvendo o Prêmio Confúncio, criado em 2010 com o objetico de concorrer como Nobel depois que o comitê sueco condecorar o dissidente chinês Liu Xiaobo. Desde então, personalidades como o russo Vladimir Putin e o cubano Fidel Castro já receberam a premiação.