Cotidiano

Não quero afundar Cunha, quero o andamento das pautas, diz Lula

Redação DM

Publicado em 23 de outubro de 2015 às 02:36 | Atualizado há 11 anos

RIO – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira que não quer afundar o presidente da Câmara Eduardo Cunha porque quer o andamento das pautas do governo na Casa. O Lula negou que tenha feito acordo com a bancada do PT na Câmara e com o presidente Eduardo Cunha para que o deputado não fosse cassado pelas denúncias de corrupção e quebra de decoro parlamentar pelo conselho de Ética. Em troca, Cunha não daria andamento ao processo de impeachment.

— To cansado de ilações. Acho que o Eduardo Cunha tem que ter todo direito a defesa que quero pra mim, pra Dilma e pra todo mundo. Se ele for culpado, ele vai pagar como todo mundo nesse país. Enquanto ele for presidente da Câmara, ele vai determinar a pauta do Congresso Nacional. E nós temos interesse em aprovar, não só a CPMF, mas parte do ajuste, o orçamento e outras medidas que estão lá e que são importantes. Então, ao invés de ficar querendo afundar ele, eu quero é que ele coloque em votação as coisas e deixe o processo seguir naturalmente. E quando for julgado, ele vai pagar o preço. Não tem acordo — disse o ex-presidente.

Sobre a relação com o ministro da Fazenda Joaquim Levy e a suposta vontade de indicar o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles para o cargo, Lula disse que não seria desleal com Dilma e com ou sem levy, vai continuar apoiando o governo.

— Não seria desleal com a Dilma, nem com o Levy, nem com o Meireles. Eu não sou presidente e não tenho direito de indicar ninguém. Eu tenho o direito de torcer para que a presidenta Dilma escolha as pessoas mais corretas. Eu disse ao Levy num visita que a melhor notícia que Dilma tinha dado depois da vitória dela foi sua indicação. Foi o primeiro momento em que a imprensa olhou com carinho uma indicação da Dilma. E ele tem capacidade de fazer o ajuste. Mas ele não tem controle sobre o congresso nacional. Se a Dilma quiser ficar com Levy, ela fica, se quiser tirar ela tira. Eu vou continuar apoiando o governo — afirmou Lula, que ainda defendeu o ajuste econômico.

— Na campanha, a Dilma dizia claramente que esse negócio de ajuste era coisa de tucano e que ela não ia mexer no direito dos trabalhadores. Mas ela foi obrigada por circunstâncias políticas a ter que fazer um ajuste.

Sobre a reforma ministerial, e as mudanças na Casa Civil, assumida por Jaques Wagner, e a na Secretaria de Governo, sob o de Ricardo Berzoini, Lula disse que foram boas para “acalmar” o gongresso. Ambas as indicações teriam partido do próprio ex-presidente.

— O Congresso nacional, me parece que acaba de se ajustar. A ida do Jaques Wagner para a Casa Civil, me parece que deu uma certa tranquilidade, junto com o Ricardo Berzoini. Me parece que a coalizão da campanha está mais ajustada agora. E nós temos o problema do Eduardo Cunha, que é um problema que o Congresso tem que resolver e que está sob análise da Justiça. Há pouco a ser feito quando as coisas estão na mão da Justiça. Temos que separar as coisas. A crise da Lava-Jato não pode se misturar com crise política.

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