Cotidiano

Netanyahu endurece repressão após aumento da tensão com palestinos

Redação DM

Publicado em 5 de outubro de 2015 às 05:25 | Atualizado há 11 anos

RAMALLAH — O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu anunciou nesta segunda-feira medidas de segurança mais duras em resposta à recente onda de violência na Cisjordânia e em Jerusalém. A ação foi denunciada pelo presidente palestino, Mahmud Abbas, que acusou Israel de provocar uma “escalada” das tensões, que lembram as Intifadas de 1987 e 2000. Depois de dois de confrontos entre tropas israelenses e palestinos, um jovem morreu no domingo à noite.

“Estamos em uma guerra total contra o terror”, escreveu Netanyahu em um comunicado publicado em sua conta no Facebook, antes de uma reunião com autoridades de segurança.

Entre as medidas a serem aplicadas estão revistas na cassa de terroristas, o reforço da segurança em Jerusalém e na Cisjordânia e a proibição para as pessoas que incitarem a violência na Cidade Velha e no Monte do Templo, onde fica a Esplanada das Mesquitas. Nesta segunda-feira, barricadas foram vistas na turística Cidade Velha, impedindo a entrada de palestinos no local. O acesso também está sendo restringido na Esplanada das Mesquitas, onde os únicos muçulmanos que podem entrar são que têm mais de 50 anos.

Para Abbas, essas ações só aumentam a violência. O presidente palestino telefonou no domingo para o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, para informar sobre os distúrbios.

— A parte israelense e seu governo tem interesse em arrastar a região a um ciclo de violência. Tentam, através de uma escalada na Esplanada das Mesquitas e dos ataques de colonos, escapar de seus problemas políticos e de seu isolamento internacional — disse um comunicado divulgado pelo gabinete de Abbas.

Em responta, Ban disse que iria pedir uma ação urgente do premier israelense para amenizar a tensão.

O mais recente aumento da violência ocorre em um momento em que muitos palestinos não acreditam mais nas negociações de paz com Israel e depois de Abbas anunciar diante da ONU que não respeitará os acordos violados pelo governo israelense, em referência aos acordos de Oslo assinados entre os dois governos em 1993.

JOVEM PALESTINO

No domingo à noite, um jovem palestino de 18 anos, identificado como Hudhayfah Ali Suleiman, morreu após ser baleado em confrontos com tropas israelenses. Segundo o Exército, centenas de palestinos lançaram bombas incendiárias, pneus em chamas e pedras nos soldados, que abriram fogo.

O jovem chegou a ser levado para um hospital próximo, mas não resistiu aos ferimentos. O funeral dele está previsto para ocorrer nesta segunda-feira. As autoridades temem que o caso aumente ainda mais as tensões na região, enquanto palestinos e a oposição israelense consideram a possibilidade de uma Terceira Intifada.

Um dia antes, no sábado, um palestino matou a punhaladas dois homens israelenses e feriu uma mulher e seu filho em um ataque brutal na Cidade Velha de Jerusalém, perto de um lugar considerado sagrado por judeus e muçulmanos que está no foco das últimas tensões. O suspeito do crime foi morto pela polícia. Desde quinta-feira, já são quatro israelenses mortos.

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