Novo governo encontra Casa Rosa esburacada
Redação DM
Publicado em 27 de dezembro de 2015 às 05:07 | Atualizado há 11 anosBUENOS AIRES — Após assumir o poder, no último dia 10 de dezembro, o presidente da Argentina, Mauricio Macri, pediu a todos os ministros que dissessem a verdade sobre a herança recebida em matéria econômica, social, energética, comercial e tributária. O que Macri não informou publicamente, mas fontes de seu governo confirmaram, foi a surpresa ao descobrir uma herança não esperada: o mau estado do palácio presidencial, a Casa Rosada, e da residência oficial de Olivos. Há umidade nas paredes, buracos no chão, TVs sem acesso a canais do grupo Clarín e falhas nas conexões de internet.
— Encontrar buracos no chão da Casa Rosada não estava entre os problemas que esperávamos — comentou uma fonte do governo.
Durante os mais de 12 anos de kirchnerismo, a ex-presidente Cristina Kirchner fez reformas no palácio de governo. No entanto, os funcionários da nova gestão descobriram vários problemas na Casa Rosada. Entre eles está a impossibilidade de assistir ao canal “Todo Notícias”, do grupo Clarín.
Segundo o diário “La Nación”, a ex-presidente, que manteve durante anos uma disputa nos tribunais com o Clarín pela aplicação da Lei de Meios, teria dado a ordem de proibir a transmissão do principal canal de notícias do país.
A situação na residência oficial de Olivos, para onde a nova família presidencial argentina pretende se mudar em fevereiro, também não é das mais agradáveis. Atualmente, o presidente e sua mulher, Juliana Awada, moram num sofisticado apartamento no bairro de Palermo. Juliana já confirmou que a família vai precisar de algum tempo para adaptar Olivos a suas necessidades.
— Queremos dar calor familiar a Olivos — disse a nova primeira-dama, que se mudará com sua filha mais velha, Valentina (de seu primeiro casamento), e a pequena Antônia, de apenas 4 anos.
Nos últimos anos, Cristina ocupou um dos chalés da residência presidencial e sua filha mais nova, Florencia, que acaba de ter um bebê, vivia em outro separado.
Macri está especialmente preocupado em melhorar as condições do campo de futebol, essencial para o presidente, que todos os fins de semana se reúne com amigos. Também será necessário modernizar o salão de convenções, praticamente não utilizado por Cristina, e a sala de imprensa, que esteve fechada durante 12 anos, além de resolver questões técnicas para agilizar a rede de wi-fi.
Antes da chegada de Néstor Kirchner ao poder, em maio de 2003, os jornalistas que cobriam o governo argentino estavam acostumados a passar várias horas numa salinha que fica do lado de fora de Olivos. No entanto, a conhecida aversão à imprensa de Cristina e de seu marido e antecessor levou ambos a fechar a sala, o que, na prática, implicou na ausência total de jornalistas na residência presidencial do país.
— Vamos voltar a dar coletivas. Não queremos mais teias de aranha na sala de imprensa de Olivos — avisou Macri.