Cotidiano

Novo porta-voz de Netanyahu coleciona farpas contra Obama e outros líderes

Redação DM

Publicado em 5 de novembro de 2015 às 06:05 | Atualizado há 11 anos

JERUSALÉM — Ele acusou o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, de antissemitismo, sugeriu que o presidente do seu próprio país não era importante o suficiente para ser assassinado e descreveu o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, como tendo as habilidades mentais de um menino de 12 anos. As farpas de Ran Baratz no Facebook e na internet poderiam não ter chamado tanto a atenção se não fosse uma coisa: a nomeação do professor de filosofia de 42 anos como novo diretor de comunicações do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. Como chefe da assessoria de imprensa e relações públicas, Baratz, indicado para o posto na quarta-feira, terá a tarefa de melhorar a reputação de Israel no mundo.

Contudo, dias antes de Netanyahu embarcar para uma visita à Casa Branca para tentar consertar os estragos depois das desavenças duras relacionadas ao acordo nuclear com Irã, ao qual Israel se opõe, o momento da decisão de nomear Baratz levantou algumas questões.

Horas depois da nomeação, a imprensa israelense encontrou um punhado de recortes, citações apelativas no Facebook e artigos que ele publicou em sites de notícias. A equipe de Netanyahu parece não ter feito uma checagem.

Sobre o chefe de Estado do Israel, os comentários de Baratz na semana passada foram pelas fotos em que Reuven Rivlin viajava na classe econômica no voo de volta da República Tcheca, dizendo que “isso mostra que ele é uma figura tão excluída que não existe preocupação com sua segurança.

“Ele poderia voar de parapente sobre as colinas sírias controladas pelo Estado Islâmico que seria devolvido no dia seguinte com um pedido de negociação propondo que eles voltem para o Iraque se nós o aceitarmos de volta”, escreveu.

Durante pronunciamento em um feriado muçulmano, o secretário de Estado John Kerry comentou que líderes do Oriente Médio estariam aflitos com a ideia de que os confrontos entre palestinos e israelenses fossem parte do recrutamento do Estado Islâmico. A reação de Baratz foi uma nova postagem em sua página no Facebook.

“Este é o momento em que desejamos todo o sucesso ao secretário de Estado e começamos a contagem regressiva de dois anos no calendário com a esperança de que alguém no gabinete vá acordar e começar a enxergar o mundo com os olhos de um homem com idade mental superior a 12”.

DESCULPAS E RETRATAÇÕES

Uma autoridade disse que Baratz se desculpou com Netanyahu num telefonema, e, em comunicado, o premier se distanciou dos comentários, mas indicou que a nomeação continuava valendo. Ele disse que os dois se encontrarão, a pedido de Baratz, depois da viagem da semana que vem aos EUA.

“Acabei de ler as coisas que Ran Baratz publicou na internet, incluindo os comentários sobre o presidente de Israel, o presidente dos EUA e outras figuras públicas daqui e dos EUA. Eles não são apropriados e não refletem as minhas posições e as políticas do governo”, afirmou Netanyahu.

Em Washington, o porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, elogiou as desculpas de Baratz e disse que seus comentários não afetariam o potencial de Obama e Netanyahu em avançar sobre os interesses mútuos de seus países.

— É facilmente perceptível que esse pedido de desculpas foi justificável. Mas, obviamente, as decisões que o primeiro-ministro Netanyahu tem de fazer sobre quem vai servir o seu governo e representá-lo e ao seu país são decisões que ele legitimamente vai fazer por conta própria — disse Earnest em entrevista coletiva.

Em uma postagem no Facebook em março passado, Baratz disse que a resposta de Obama a um discurso de Netanyahu ao Congresso dos EUA, durante o qual ele criticou o acordo com o Irã, “foi o que parece ser aquele antissemitismo nos países ocidentais e liberais”.

Obama disse à época que ninguém pode contestar que o Irã repetidamente esteve “engajado nas mais venenosas das declarações antissemitas”. Mas, afirmou o presidente, Netanyahu não ofereceu alternativas viáveis “para a questão central, que é como vamos evitar que o Irã obtenha uma arma nuclear.”

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