Ocupação em reitoria da UFG acaba de forma pacífica
Redação DM
Publicado em 22 de abril de 2015 às 01:54 | Atualizado há 11 anosThalys Alcântara Da editoria de Cidades
Na noite de segunda-feira (20), duas oficiais de Justiça foram até a Reitoria da Universidade Federal de Goiás (UFG) para entregar o documento de reintegração de posse do prédio. Estudantes ocupavam o lugar há sete dias e pediam melhorias na assistência estudantil. As oficiais negociaram com os ocupantes e a advogada do movimento. Quatro agentes da Polícia Federal a paisana acompanharam a reunião com câmeras fotográficas. Foi acordado que a desocupação aconteceria entre as 14h e 16h de ontem.
“Não pensamos em nenhum momento em resistir”, disse o estudante de Designer Gráfico, Rodrigo Shayath, que participou da ocupação da Reitoria. “A causa não é brigar com a polícia, é negociar com o reitor. A gente não gosta de estar aqui. Não é legal ficar sete dias fora de casa”. Na tarde de ontem, Rodrigo acompanhou a vistoria do prédio com o gerente de segurança Elias Magalhães. Panfletos com a sigla do Movimento da Casa dos Estudantes (MCE) escrito “Sem depredação do patrimônio público” estavam espalhados por diversas portas da reitoria.
Um dos advogados do grupo, Nathália Oliveira disse que vai apresentar um recurso no Tribunal Regional Federal contra a liminar do juiz federal Mark Yshida. Segundo ela, é inconstitucional o interdito proibitório estipulado no documento de reintegração de posse, que proíbe novas ocupações de imóveis da universidade em Goiânia. “Isso na verdade é uma proibição de livre manifestação. A Constituição não fala o tipo específico de manifestação que pode ser feita”, defende a advogada.
A ordem de imediata reintegração de posse emitida pela 7ª Vara Federal de Goiás defende o interdito proibitório para “prevenir futuras turbações e esbulhos nos prédios da UFG”, diz o documento. O texto acrescenta que não se pode admitir a paralização de serviços públicos, “sob pena de evidente ofensa aos princípios fundamentais da administração pública e à legalidade”.
organização
O movimento de ocupação partiu inicialmente de moradores das Casas dos estudantes universitários (CEUs), prédios onde moram estudantes de outras cidades ou de baixa renda. As reivindicações foram entregues para o reitor Orlando Amaral, que compareceu pessoalmente à ocupação duas vezes. “A gente tem reivindicações de agora e futuras. Ele não atendeu nem uma, nem outra”, diz Rodrigo Shayath. Uma carta do reitor foi entregue aos manifestantes, em que garantia estudar as reivindicações, mas o movimento não aceitou a proposta.
No dia 17, os Conselhos Superiores da UFG aprovaram o pedido de reintegração de posse e comunicou todos os estudantes por e-mail.
Rodrigo explicou que a organização da ocupação acontece de forma horizontal e não tem lideranças. As decisões são tomadas em assembleias, onde são dividas comissões que realizavam diversas tarefas, como escrever textos do movimento ou realizar a limpeza e manutenção do prédio.
As principais reivindicações são o aumento da bolsa alimentação de R$ 200 para R$ 600. A ampliação da bolsa permanência para mais pessoas, incluindo moradores das CEUs. E a construção de novas moradias estudantis. Rodrigo defende a necessidade de um orçamento participativo, em que os estudantes possam participar da decisão orçamentária da universidade. Ele se preocupa com os cortes realizados pelo governo federal na Educação. Apesar do momento de poucos gastos, a UFG vai receber R$ 12 milhões a mais de recursos para a assistência estudantil que ano passado. Foram R$ 16 milhões, em 2014, e estão previstos R$ 28 milhões para este ano.