Cotidiano

Oposição acusa chavismo de ‘golpe judicial’ para impugnar deputados eleitos

Redação DM

Publicado em 22 de dezembro de 2015 às 05:45 | Atualizado há 11 anos

CARACAS – A oposição venezuelana acusou o governo de tentar ignorar os recentes resultados das eleições legislativas e de usar o poder judicial “como um órgão do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV)”, legenda do presidente de Nicolás Maduro. O PSUV abriu um recurso perante a Corte Suprema para tentar impugnar 22 deputados da Mesa de Unidade Democrática (MUD) antes do juramento de posse do dia 5 de janeiro. Opositores alertaram comissões da Unasul, da OEA e da União Europeia, temendo que a medida seja acatada pelo tribunal e derrube a maioria qualificada de dois terços do Legislativo obtida no início do mês.

— Alertamos a comunidade nacional e internacional e a grande avalanche que votou pela mudança: o governo tenta desconhecer os resultados eleitorais e usar novamente a Corte Suprema como um órgão do PSUV para tentar obter, mediante processos judiciais viciados, o que não conseguiram com votos — disse o coordenador nacional da Primeiro Justiça e deputado reeleito, Julio Borges.

O deputado eleito pelo estado de Miranda Rafael Guzmán disse à Rádio Unión que o recurso foi entregue na segunda-feira e que eles não haviam tido acesso ao expediente para saber a identidade dos que seriam impugnados.

— A informação sai da própria secretaria da Sala Eleitoral, que se encontra de férias. A presidente da sala, Indira Alfonzo, está convocando alguns suplentes, pois há magistrados que se encontram fora do país.

Guzmán denunciou que o PSUV quer “ignorar a vontade dos venezuelanos”.

— O que estamos alertando ao povo venezuelano e à comunidade internacional é que se está pretendendo ignorar o que aconteceu no dia 6 de dezembro, por mais de dois milhões de votos.

Jesús Torrealba, secretário executivo da MUD, afirmou que o governo tenta dar um “golpe de Estado judicial”. Ele classificou a ação como uma “medida suicida”.

— Com essa atitude estão perdendo o pouco que lhes restava de legitimidade. Somos uma maioria nacional e essa maioria tratará de se impor mais cedo ou mais tarde.

Durante coletiva de imprensa, Torrealba disse que integrantes da MUD já se comunicaram com as comissões da Unasur, OEA e da União Europeia para manifestar as irregularidades que se apresentam em um processo tido como transparente e certificado internacionalmente pelos observadores convidados.

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