Cotidiano

Órgãos e autoridades discutem o abastecimento de água na Região Metropolitana de Goiânia

Redação DM

Publicado em 4 de setembro de 2017 às 20:10 | Atualizado há 9 anos

Com a temporada de estiagem, volta a preocupação com o abastecimento de água na Região Metropolitana de Goiânia. Na última semana, o Ministério Público do Estado de Goiás (MPGO) se reuniu com superintendentes da Saneago, que apresentaram dados e informações sobre a atual situação hídrica da Região.

De acordo com coordenador do Centro de Apoio Operacional do Meio Ambiente (Caoma) do MPGO, Delson Leone, é necessário que se reconheça a gravidade do problema para que seja possível realizar uma fiscalização mais rigorosa na Bacia do Rio Meia Ponte. “Com as informações técnicas apresentadas pela Saneago, chegamos à conclusão de que há necessidade de reconhecer a existência de uma crise no abastecimento de água”, afirma.

A Saneago informou que também esteve em reunião com a Secretaria do Meio Ambiente, Recursos Hídricos, Infraestrutura, Cidades e Assuntos Metropolitanos (Secima) e apresentou um diagnóstico da situação do abastecimento. A companhia esclareceu ainda que a principal causa da eminente crise é os desvios indevidos do curso da água, que aumentam nessa época do ano, e indicou que há necessidade de fiscalização.

A Secima defende que não é falta de fiscalização, que é realizada o ano inteiro. Só na quinta-feira (31/8), o órgão lavrou seis auto de infração, oito embargos, uma notificação e multas que chegaram a R$ 101 mil. A Secretaria também identifica os desvios como causa do problema e acrescenta que os níveis de chuvas estão reduzindo há três anos.

Leonardo Razuk, assessor da Secima, garantiu que o órgão não se exime da fiscalização dos recursos hídricos. “A Secretaria realiza fiscalização o ano inteiro e está agora com operações intensificadas e em horários diferentes para identificar quem são os responsáveis puxar a água indevidamente”, afirma. Ele explica que muitas pessoas tem outorga para puxar a água, mas estão fazendo isso fora do prazo ou em quantidades maiores do que a outorga permite.

Os professores Karla Emmanuela e Maurício Sales da Escola de Engenharia Civil e Ambiental da Universidade Federal de Goiás (UFG) estão participando dos debates do Plano Diretor da Região Metropolitana de Goiânia no que tange à gestão dos recursos hídricos. Eles informaram que o Plano Diretor está em fase de diagnóstico dos problemas até a segunda quinzena de setembro.

Os docentes apontam mais causas para a atual situação da água na região, como: nascentes dos córregos pouco preservadas, grande retirada da vegetação nativa, reduzindo o volume de infiltração das águas das chuvas, e destruição em mais de 50% das áreas de áreas de preservação permanente ao longo dos cursos d`água em praticamente todos os mananciais na região. Eles adiantam ainda que o estudo em andamento não visa propor ações imediatas para solucionar os problemas, mas apontar possíveis cenários a serem alcançados em médio e longo prazo.

Para fazer o diagnóstico, Sales relata que foram visitados os 20 municípios e que as autoridades locais reconhecem a importância da gestão da água, mas se queixam da falta de recursos. “Desde o início dos trabalhos, o tema ‘Recursos Hídricos’ foi reconhecido como primordial e que transcende os limites municipais. A água não respeita a área de municípios e somente com a união de todos os 20 municípios é que encontraremos soluções para o abastecimento de toda a RMG”, destaca.

Entretanto, os docentes ressaltam também que não cabe apenas às autoridades se preocuparem com a questão, mas que à população. “Chamamos a atenção que a implantação efetiva da Região Metropolitana é uma oportunidade ímpar para discutirmos e encontrarmos soluções para problemas que não são de um só município, como o abastecimento humano. A participação popular, contribuindo e cobrando de todos os governantes, é a única forma de sairmos desta crise, que ainda pode piorar muito se nada fizermos”, alerta.

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