PF faz operação em Goiânia contra grupo suspeito de recrutar brasileiras para exploração sexual em Israel
Léo Carvalho
Publicado em 5 de novembro de 2026 às 14:33 | Atualizado há 2 minutos
Operação Dirty Dancing cumpriu mandados em Goiânia e no Pará para investigar recrutamento de brasileiras para exploração sexual no exterior | Foto: Divulgação/PF
A Polícia Federal realizou uma operação para desarticular uma organização criminosa transnacional suspeita de recrutar mulheres brasileiras para exploração sexual em Israel e outros países. A ação, denominada Operação Dirty Dancing, foi deflagrada na quarta-feira (4) e teve cumprimento de mandados em Ananindeua, no Pará, e em Goiânia.
Uma mulher apontada como líder do grupo foi presa preventivamente em Ananindeua, onde também foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão. Em Goiânia, os policiais federais executaram outro mandado de busca. A investigação apura ainda a atuação da organização na promoção de entrada irregular de brasileiras em outros países e na retenção de parte dos valores obtidos com a exploração sexual.
Por determinação da Justiça Federal, os bens e valores dos investigados foram bloqueados até o limite de R$ 10 milhões. Também foi determinada a suspensão das atividades de duas empresas vinculadas à mulher presa. Outros dois investigados tiveram os passaportes apreendidos, foram submetidos à monitoração eletrônica e estão proibidos de deixar o país.
Como funcionava o recrutamento
A investigação começou em fevereiro de 2025, depois que a Polícia de Israel compartilhou informações com as autoridades brasileiras sobre a atuação do grupo. A operação da PF é um desdobramento das apurações conduzidas pelas autoridades israelenses.
Segundo a Polícia Federal, a principal investigada utilizava redes sociais e aplicativos de mensagens para atrair mulheres interessadas em viajar para o exterior. A organização providenciava os deslocamentos e a hospedagem das brasileiras nos países de destino.
No Brasil, outros integrantes seriam responsáveis pela divulgação de anúncios em sites especializados e pelo agendamento de encontros com clientes. A estrutura investigada mantinha operadores encarregados de organizar essas atividades, enquanto a principal suspeita coordenava o recrutamento.
A PF também apura se o grupo facilitava a entrada irregular das mulheres em diferentes países e retinha parte do dinheiro recebido por elas.
Dinheiro era enviado ao Brasil por esquema clandestino
Outro ponto investigado é a movimentação financeira da organização. De acordo com a PF, os valores obtidos no exterior eram recolhidos em dinheiro vivo e enviados ao Brasil por meio de brasileiros residentes fora do país.
Os intermediários seriam responsáveis por transferir os recursos utilizando um mecanismo clandestino de câmbio, que também passou a ser investigado pelas autoridades.
A apuração busca identificar a extensão da rede, a participação de cada suspeito e a movimentação financeira relacionada às atividades investigadas.
Os envolvidos poderão responder por organização criminosa, tráfico internacional de pessoas, favorecimento da prostituição, rufianismo, promoção de migração ilegal e operação ilegal de câmbio.
A investigação continua para esclarecer a atuação dos suspeitos e identificar possíveis outras pessoas envolvidas no esquema.