Polícia Federal investiga lavagem de dinheiro em Goiás, Minas Gerais e DF
Redação DM
Publicado em 30 de maio de 2015 às 03:06 | Atualizado há 2 anosDa Redação
A Polícia Federal deflagrou ontem a Operação Acrônimo, que tem como objetivo combater uma organização criminosa investigada por lavagem de dinheiro em Brasília. Cerca de 400 policiais cumprem 90 mandados de busca e apreensão em Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Goiás e Distrito Federal.
A operação é resultado de uma investigação iniciada em outubro do ano passado quando a PF localizou e apreendeu R$ 113 mil em uma aeronave que chegava ao Aeroporto de Brasília.
As equipes de policiais envolvidos nas ações realizaram buscas em cerca de 30 endereços de pessoas físicas e 60 pessoas jurídicas. Um dos imóveis até o ano passado era ocupado por Carolina Oliveira, mulher do governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT).
O objetivo é localizar eventuais documentos, valores e mídias que possam esclarecer a suspeita de que os valores que circulavam nas contas de pessoas físicas e jurídicas ligadas aos investigados vinham da inexecução e de sobrepreço praticados pelo grupo em contratos com órgãos públicos federais.
O empresário Benedito Rodrigues de Oliveira Neto, operador de campanhas petistas, foi um dos detidos em flagrante. Conhecido como Bené, ele já havia sido levado à Polícia Federal em outubro do ano passado após seu avião ser flagrado com mais de R$ 100 mil em dinheiro vivo.
Desde outubro a PF investigava a origem do dinheiro e ontem prendeu Bené, o ex-assessor do Ministério das Cidades Marcier Trombiere, Pedro Augusto de Medeiros, apontado como suposto laranja do esquema, e Victor Nicolato, sócio do empresário.
Para ocultar a origem criminosa do dinheiro, os investigados empregavam a técnica de smurffing – que consiste na tentativa de evitar a identificação de movimentações fracionando os valores – além da chamada confusão patrimonial e do extensivo uso de pessoas interpostas, os “laranjas”.
Ao longo dos quase oito meses de investigação, os policiais realizaram acompanhamentos dos suspeitos, além de vigilâncias. As equipes de investigação também se detiveram sobre os dados existentes nos notebooks, smartphones, tablets, além de outros dispositivos e mídias apreendidos durante a ação no ano passado, cujos acessos foram autorizados pela Justiça. No total, mais de 600 GB de informação relevante foram analisados, cruzados com outras fontes e bases de dados, além de passarem por um atento trabalho de mineração de dados.
Entre as medidas determinadas pela Justiça Federal está o sequestro de um bimotor turboélice avaliado em R$ 2 milhões. A Polícia Federal rastreou o avião e sabe que ele esteve em Goiânia, Vitória e Rio de Janeiro.
NOME
O nome da operação é uma referência ao fato de que o prefixo da aeronave onde foram localizados os valores é uma sigla formada pelas iniciais dos nomes de familiares do principal investigado da operação.
