Cotidiano

Preso da Lava-Jato nega vínculo com Andrade Gutierrez

Redação DM

Publicado em 22 de junho de 2015 às 19:15 | Atualizado há 11 anos

CURITIBA — Começaram na tarde desta segunda-feira os depoimentos dos quatro presos temporários da 14ª fase da Operação Lava Jato, deflagrada na última sexta-feira. O primeiro a ser ouvido foi Flávio Lúcio Magalhães, apontado como funcionário da empreiteira Andrade Gutierrez. Em seguida, prestaram depoimento Antônio Pedro Campelo de Souza, da Andrade Gutierrez e Christina Maria da Silva Jorge, da Hayley do Brasil. Alexandrino de Salles, da Odebrecht, ainda está sendo ouvido.

O advogado de Flávio Magalhães, Guilherme San Juan, negou as acusações contra seu cliente.

— Ele esclareceu os pontos que eram equivocados, como, por exemplo, ele jamais foi funcionário, executivo, diretor da Andrade Gutierrez. Jamais pertenceu aos quadros dessa empresa – complementou o advogado.

A força-tarefa da Operação Lava-Jato chegou a Flávio Lúcio Magalhães por meio de um depoimento do doleiro Alberto Youssef, que assinou um acordo de delação premiada. Em 24 de março deste ano, Youssef disse que foi procurado por Magalhães em outubro de 2013 para “internacionalizar recursos no exterior para a Andrade Gutierrez”.

O doleiro disse que fez duas operações para Flávio, que, somadas, chegam a US$ 600 mil. Nas palavras dele “tratava -se de uma operação de caixa dois da empresa, para internalização de valores”. No despacho que motivou a prisão de 12 pessoas na sexta-feira, o juiz Sergio Moro escreveu que essa operação não tem “relação necessária com o esquema criminoso da Petrobras”.

Youssef disse aos investigadores que Flávio foi ao seu escritório acompanhado de uma pessoa chamada Alberto, que seria diretor da Andrade Gutierrez na Venezuela. A internacionalização dos recursos teria envolvido ainda Leonardo Meirelles, que já foi condenado pela Justiça por lavagem de dinheiro. No processo, Meirelles é apontado como operador no mercado negro de câmbio e fornecedor de contas no exterior para Youssef receber depósitos.

A advogada de Campelo deixou à sede da Polícia Federal em Curitiba sem falar com a imprensa. Já o advogado Gabriel Alencar Machado, que representa Christina Maria da Silva Jorge, disse que a empresária respondeu às perguntas, mas não deu detalhes sobre o depoimento, que durou 30 minutos. Ele afirmou que espera que a prisão temporária dela, que duraria mais um dia, não seja renovada.

De acordo com a Polícia Federal, a previsão é que os oito outros investigados da atual fase da operação que tiveram a prisão preventiva decretada comecem a prestar depoimento a partir de quinta-feira. Entre os que serão ouvidos estão o presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht e Otávio Marques Azevedo, presidente da Andrade Gutierrez.

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