Cotidiano

Protesto contra aumento da tarifa ganha apoio de sem-teto em SP

Redação DM

Publicado em 19 de janeiro de 2016 às 23:30 | Atualizado há 11 anos

SÃO PAULO – O protesto contra o aumento da tarifa de ônibus, trens e metrô em São Paulo nesta terça-feira ganhou o apoio dos movimentos de sem-teto e de estudantes que ocuparam escolas estaduais no fim do ano passado. Após o fim do ato, por volta das 23h, policiais lançaram duas bombas para dispersar um pequeno grupo que fechava a Avenida Ipiranga, próximo à estação República do Metrîo, no centro, que estava fechada. Em resposta, mascarados incendiaram latas de lixo. Ao todo, cinco pessoas foram detidas. Um novo ato foi marcado para quinta-feira.

Essa foi a quarta manifestação organizada pelo Movimento Passe Livre (MPL) para pedir a revogação do reajuste de R$ 3,50 para R$ 3,80 da tarifa do transporte público na cidade, que entrou em vigor no último dia 9. O protesto se dividiu em dois grupos e ganhou as ruas da região central da cidade no início da noite. O maior deles seguiu para a prefeitura. Um outro caminhou até a sede do governo do estado. Embora pacífico, o ato atrapalhou a volta para casa de muitos paulistanos, que ficaram parados no trânsito, por causa das interdições de avenidas. Segundo o MPL, sete mil pessoas participaram do ato. A Polícia Militar não deu estimativa.

AÇÃO NA PERIFERIA DE SÃO PAULO

Na periferia de São Paulo, militantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) aderiram à causa do Passe Livre e marcharam pela redução da tarifa nas Zonas Sul e Leste da cidade. O foco foram estações do metrô.

Na região central, estudantes secundaristas que, em dezembro, ocuparam mais de 100 escolas contra um projeto de reorganização do ensino proposto pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), que fecharia 93 instituições de ensino, reforçaram o protesto do MPL. Também participaram grupos como Juntos e Juventude Comunista e partidos, como o PSOL, PSTU e PCO.

Na concentração do protesto, o número de mascarados foi menor do que em manifestações anteriores. Mas a policiamento acompanhou de perto os manifestantes durante todo o trajeto.

O tenente-coronel da Polícia Militar André Luiz Oliveira, responsável pela operação de desocupação da esquina da Rua da Consolação com a Avenida Paulista que terminou em confusão no último dia 12, disse que a PM estava orientada a agir somente em caso de “quebra da ordem”.

— A polícia vai acompanhar a passeata no trajeto que foi divulgado. A concentração aqui (esquina das avenidas Faria Lima e Rebouças) atrapalha a cidade, mas, como eles (MPL) avisaram antes, a PM vai garantir que a manifestação ocorra. Se houver quebra da ordem, vamos agir — afirmou.

Apesar da série de manifestações, Alckmin e o prefeito Fernando Haddad (PT) não deram nenhum sinal até agora de que podem recuar do reajuste da tarifa. Em 2013, o Passe Livre conseguiu a revogação do aumento dado naquele ano depois de muitas pessoas ocuparem as ruas e de confusão e violência. Nesta terça-feira, manifestantes disseram que não sairão das ruas até a tarifa baixar.

— Nós não vamos sair das ruas até a tarifa baixar. Se a tarifa não baixar, a cidade vai parar — cantaram durante a passeata.

Pelo menos dois rapazes haviam sido detidos. Segundo a polícia, eles tinham martelo e estilingue nas mochilas.

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