Cotidiano

Reféns na embaixada dos EUA em Teerã ganham reparação, 36 anos depois

Redação DM

Publicado em 25 de dezembro de 2015 às 05:05 | Atualizado há 11 anos

WASHINGTON – Mais de 30 anos depois de começar a buscar reparações pelos 444 dias em cativeiro na Embaixada dos EUA em Teerã, de 1979 a 1981, os americanos que trabalhavam no local durante a Revolução Islâmica enfim conseguiram receber compensações. Na última lei de gastos aprovada no Congresso, parlamentares liberaram US$ 4,4 milhões para cada um dos 53 reféns ou suas famílias. O mesmo valeu para vítimas de outros atentados considerados apoiados por governos estrangeiros, como os atentados a bomba às embaixadas no Quênia e na Tanzânia, em 1998. A lei dá fim ao drama que chocou os EUA e fez o país romper laços com o Irã.

— Tive que parar no acostamento e simplesmente comecei a chorar quando soube da notícia — disse ao “New York Times” Rodney Sickmann, que era fuzileiro naval e trabalhava como guarda na embaixada em Teerã, quando foi detido junto com os outros americanos por uma multidão enfurecida que invadiu o local em 4 de novembro de 1979. — Foram 36 anos, um mês e 14 dias até que o Irã fosse responsabilizado.

A lei autoriza pagamentos de até US$ 10 mil por dia de cativeiro para cada um dos 53 reféns — 37 dos quais ainda estão vivos. É o fim de uma briga que se intensificou com o acordo que permitiu a soltura dos reféns, em janeiro de 1981 — que proibia os reféns de buscar compensação. Apelos foram repetidamente barrados por tribunais, inclusive a Suprema Corte.

Os primeiros sinais de uma mudança surgiram quando uma decisão judicial forçou o banco francês BNP Paribas a pagar US$ 9 bilhões por violar sanções contra Irã, Sudão e Cuba, três países que até então estavam na lista de apoiadores do terrorismo.

‘Fomos jogados no perigo’

Alguns dos reféns foram torturados física e psicologicamente no cativeiro, e tratam o “degelo nuclear” com o Irã como “frustrante e prematuro”. Foi assim que o principal advogado do grupo, V. Thomas Lankford, abordou a lei com seus clientes.

— Ficou claro que fomos ligados indissociavelmente às negociações nucleares. Por mais valiosa que seja a contenção da proliferação de armas nucleares, é igualmente importante estabelecer o precedente de que, de uma forma ou outra, um país apoiador do terrorismo não poderá sair impune — avaliou.

Muitos dos reféns tratam as reparações como tardias. Dizem que ficaram esquecidas até o lançamento de “Argo”, o filme dirigido por Ben Affleck que foca nos seis funcionários que escaparam da embaixada e conseguiram refúgio na casa do embaixador canadense, Ken Taylor.

Alguns alertam para o risco que alguns viveram trabalhando em representações pelo mundo, como no caso do embaixador americano na Líbia Christopher Stevens, morto em 2012 num ataque ao consulado em Benghazi.

— Sempre forçamos pelo cumprimento da promessa da reparação, mas sempre ficávamos de fora. Foi um passeio épico de montanha russa. Fomos jogados no perigo pelo governo e ninguém parecia querer fazer nada — diz David Roedes, ex-coronel da Força Aérea que esteve entre os reféns.

Os esforços no Congresso tiveram alguns líderes, como o chefe da minoria democrata no Senado, Harry Reid.

“Estes americanos mereciam finalmente ser compensados pelos horrores que passaram”, disse em comunicado.

Sickmann preferia que o Irã pagasse a compensação, como a Líbia fez pelas vítimas da explosão no voo 103 da Pan Am na Escócia, em 1988.

— Não acho que irão se desculpar, jamais. Não acreditam que fizeram algo errado.

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