Renan diz que ‘caprichos’ não podem estar acima do interesse nacional
Redação DM
Publicado em 30 de setembro de 2015 às 00:40 | Atualizado há 11 anosBRASÍLIA – Num recado indireto ao presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse que na política não se pode colocar “caprichos acima dos interesses do país”. Renan disse que Cunha decidiu realizar sessões da Câmara, praticamente no mesmo horário que estava marcada a sessão do Congresso e que . É que as sessões da Câmara e do Congresso ocorrem no mesmo Plenário.
No caso da sugestão da oposição , Renan disse que reunirá agora à tarde os líderes do Senado para tentar fechar um calendário.
— A política pode ser tudo, mas ela não pode colocar os seus caprichos acima dos interesses do país. Há uma exigência com relação à apreciação desses vetos da chamada pauta-bomba. Essa seria uma nova sinalização que daríamos ao país. E é, portanto, uma sinalização importante para o país. Muitas vezes, a política pode conter uma crítica mais dura, uma autocrítica que não foi a mais desejada. — disse Renan.
Em seguida, o presidente do Senado disse que iria “esperar” uma nova posição de Cunha, mas negou haver “confronto”.
— Não há confronto. Vamos esperar. O presidente da Câmara não é membro da mesa do Congresso, mas ele pode, e foi isso que ele fez, marcar sessões coincidentes. Não há, evidentemente, uma disputa política, de poder. É um problema espacial. É que o Congresso Nacional funciona no plenário da Câmara dos Deputados. E é preciso esperar para que o Congresso funcione — afirmou ele.
Perguntado sobre a realização da sessão ainda hoje, respondeu:
— Vamos esperar para analisar os vetos. Não temos nenhuma dúvida de que temos que colocar o interesse nacional acima de qualquer questão — disse Renan.
O presidente do Senado explicou porque isso pareceria um confronto com o Judiciário, já que o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que as doações empresariais estão proibidas.
— A condição (para a votação dos vetos) era que apreciássemos o veto que foi aposto ontem (sobre as doações empresariais). Isso, na prática, seria uma temeridade, porque pareceria confrontação de Poderes. Não é uma boa sinalização para a democracia — disse Renan.
Ele disse que a votação da PEC não era condição colocada ontem para a votação dos vetos. Essa condição apareceu nesta quarta-feira. Além disso, ele explicou que a votação da PEC necessitaria de um acordo para agilizar os prazos.
— Para avançarmos na apreciação da PEC, é preciso que haja um acordo de procedimento. No que depender de mim, eu colaborarei. Recebi os líderes da oposição da Câmara e do Senado. Vamos fazer o que for possível fazer para colaborar no sentido da construção de uma saída — declarou Renan, repetindo.
O presidente do Senado disse ainda que tratou da questão dos vetos com o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, no encontro ao meio-dia.