Safra de cana estimada em 635 milhões de toneladas
Redação DM
Publicado em 22 de agosto de 2018 às 04:24 | Atualizado há 8 anos
De acordo com o 2º Levantamento da Safra de cana-de-açúcar 2018/2019, divulgado ontem pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção total de cana está atualmente estimada em 635,51 milhões de toneladas, o que representa um aumento de 0,4% em relação à safra 2017/18, que fechou em 633,26 milhões de toneladas.
Na região de expansão, onde Goiás está inserido, a produção de açúcar caiu 26,7% na primeira quinzena de julho e a produção de etanol hidratado cresceu 41,7% em relação ao mesmo período de 2017, se mostrando recorde nas últimas safras. A produção de etanol total, no acumulado desde o início da safra, já supera os 55% até agora. Com o câmbio desvalorizado e perspectiva de produção robusta de açúcar na Ásia e Europa, o etanol deve bater novos.
Em Goiás, a irrigação de salvamento se mostra cada vez mais notório e importante nas regiões com maior déficit hídrico e de perda rápida de umidade do solo. E recordes de produção até o fim da safra. Em Goiás esse número ultrapassou os 9% com um ritmo de colheita bem acelerado.
PRODUÇÃO DE ETANOL NO BRASIL
Motivada pelo melhor fluxo de comercialização frente ao açúcar nesta safra, a produção total de etanol deverá alcançar 30,41 bilhões de litros, ou seja, um aumento de 11,6%. Desse total, a produção de etanol anidro terá aumento de 2,2%, devendo chegar a 11,24 bilhões de litros, motivado pelo maior consumo de gasolina que vem se mantendo nos últimos anos. Com relação ao etanol hidratado, que é o próprio álcool combustível, a produção também deverá ter um aumento de aproximadamente 18% (2,9 milhões de l), chegando 19,17 bilhões de litros.
Os números do açúcar seguem o movimento de retração. Segundo o levantamento, a produção deve chegar a 34,25 milhões de toneladas, ou seja, uma queda de 9,6% se comparada com a safra de 2017/18, que foi de 37,87 milhões de toneladas.
A área colhida também sofreu diminuição de 0,8%, que agora está estimada em 8,66 milhões de hectares. Esta queda foi influenciada pela devolução de terras arrendadas e pela rescisão de contratos com fornecedores.
EXPECTATIVAS DE MERCADO
O cenário para a exportação da soja deverá manter-se aquecido, mas a commodity do milho pode enfrentar um mercado acirrado em 2019. As análises são resultados de estudos realizados por analistas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgados segunda-feira, e que indicam quais as tendências das principais culturas para a próxima safra. Embora o estudo completo traga pesquisas de diversos produtos, a divulgação esteve focada nas três maiores do país: soja, milho e arroz.
Soja – O estudo aponta para os dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que acredita que a safra mundial de soja em grãos deve ser a maior da história, com 367 milhões de toneladas. Desse total, os Estados Unidos devem plantar 124 milhões e o Brasil 120 milhões de toneladas.
“Os chineses estão taxando em 25% a soja em grãos americana e, com isso, as exportações de soja no Brasil deverão manter-se aquecidas no próximo ano, pois somos o único país capaz de vender o produto e ocupar o espaço deixado pelos norte-americanos”, explica Leonardo Amazonas, analista de mercado de soja da Conab. “Por isso, a área de soja brasileira para a safra 2018/2019 deve aumentar”, acrescenta.
A perspectiva para a safra 2018/19 de soja é positiva, segundo a análise. Acredita-se que a produção deverá ser maior que a atual (2017/18), devido ao aumento de área para suprir a demandas internacionais, e poderá superar as expectativas, a depender do clima.
Milho – O produtor deve encontrar um cenário mais confortável para a safra 2018/19, tanto no que diz respeito ao abastecimento no mercado como em relação ao aumento de produção. Para o mercado, no entanto, o resultado das eleições poderá afetar nos preços internos, uma que os efeitos na economia nacional podem trazer variações significativas no dólar.
As questões relacionadas ao frete também deverão influenciar no direcionamento do mercado de milho para a safra seguinte. Neste caso, isso poderá acontecer devido ao tabelamento de preços, que deve aumentar o preço final do frete e, conseqüentemente, reduzir o interesse do produtor pela venda do produto. Isso causaria o aumento na quantidade de milho em estoque e a redução de preço.
Já no cenário externo as oportunidades de comercialização para o Brasil apontam para China e México. Entretanto, os Estados Unidos devem manter sua produção e também a disputa do mercado, o qual não pretendem perdê-lo para o Brasil e para a Argentina.
ARROZ
O cenário nacional e internacional para o arroz esteve em situações opostas no primeiro semestre de 2018. Embora tenha havido uma boa produção mundial, esta foi acompanhada também de aumento da demanda, o que acarretou alta nos preços. No Brasil a produção do grão manteve-se dentro da média histórica.
Mas a expectativa de aumento no estoque de passagem acarretou significativa desvalorização nos preços locais, uma vez que aumenta o poder de barganha das indústrias, frente aos produtores. Esta tendência, entretanto, não se concretizou, devido aos significativos superávits na balança comercial, a partir de novembro de 2017. Hoje, a projeção é de estoque de passagem reduzido para a próxima safra e de mais equilíbrio entre a oferta e a demanda interna.