Seca está matando pessoas e animais
Redação DM
Publicado em 20 de março de 2018 às 02:10 | Atualizado há 1 ano
O 8º Fórum Mundial da Água, aberto ontem em Brasília e que prosseguirá até sexta-feira, chama a atenção de todas as nações do Planeta. A seca mata pessoas e animais, além de atingir as florestas. Apesar de deter a maior bacia hidrográfica, o Brasil vê o Nordeste padecer de seca em mais de 800 municípios situados no sertão. São Paulo sentiu o drama. Em Goiânia, o atual governo construiu grande reservatório e dezenas de bairros na Capital e em Aparecida sentiram a falta d’água nas torneiras para a higienização pessoal, lavagem de louças, das roupas e das casas.
O governador Marconi Perillo, de olho no futuro próximo, determinou a recuperação das bacias do João Leite e do Meia Ponte objetivando a preservação das matas ao longo desses rios, com ênfase de suas nascentes. A seca, hoje, amedronta diferentes países, sobretudo na África e Ásia. Israel, por exemplo, adotou tecnologia revolucionária destinada a remoção do sal do mar objetivando ao seu uso doméstico.
Por essas questões, onde a água envolve inclusive segurança nacional, o evento contou cresce de importância. Com as presenças dos presidentes da República, Michel Temer, do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, da Procuradora Geral da República, Raquel Dodge, e do Congresso Nacional, o fórum foi aberto. O 8º Fórum Mundial da Água, sediado em Brasília, é o primeiro a contar com uma conferência exclusiva de magistrados e promotores de diversos países para discutir o direito à água e os desafios jurídicos para a proteção ambiental de fontes aquíferas.
Durante o encontro, foi destacada a percepção de que membros da Justiça, magistérios de diversos países estão se atentando para o problema que a falta de cuidado com a água vem causando no mundo. O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Herman Benjamim, comandou o primeiro painel do evento. Ele falou da importância dos debates do Judiciário no Fórum Mundial da Água. “A ideia é fazer uma integração [nas ações]. Não é só quem é especialista em meio ambiente, mas todos os seres humanos, inclusive nós que somos juristas”, declarou.
CARMEN LÚCIA: SEDE MATA
Presidente do STF e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Cármen Lúcia falou enfatizou o tema principal do evento: a água. “Esse fórum serve para pensarmos no tanto que evoluímos e quais serão as próximas metas. Outra questão que me impressiona positivamente é a quantidade de juristas que conseguimos reunir e que mostram estar empenhados e interessados em melhorar o meio ambiente do mundo como um todo.”
Cármen Lúcia também abordou outros problemas que a falta de gestão da água pode ocasionar. “Muitas pessoas morrem de fome, inclusive por não ter água potável na sua região. Não é possível conservar ou até mesmo produzir o alimento pelo fato de a água não estar nas melhores condições”, destacou. “ Se cuidarmos bem da natureza, ela só nos dará benefícios”, completou.
Raquel Dogde também falou a respeito da água. “Esse tema é de suma importância e deve fazer parte do segmento do Judiciário e do Ministério Público. Temos que refletir em conjunto para que esse bem essencial para a vida humana não se acabe. Temos sede de Justiça no Brasil”, pontuou.
TEMER PROMETE SUSTENTABILIDADE
O presidente Michel Temer disse, durante a abertura do 8º Fórum Mundial da Água, que o crescimento sustentável está “intimamente ligado” ao acesso à água. Ele reafirmou o compromisso histórico do Brasil com essa questão e disse que os trabalhos visando à sustentabilidade hídrica requerem “ações permanentemente integradas em nossos países e entre nossos países”.
O acesso à água está intimamente ligado à capacidade de crescer de forma sustentável. Em nome do futuro da humanidade, é nossa obrigação compartilhada buscar o desenvolvimento sustentável em todas suas vertentes. O consenso é de que a vida na Terra estará ameaçada se não respeitarmos os limites da natureza”, prosseguiu o presidente em seu discurso de abertura, ao lado de chefes de Estado que participaram do fórum.
Temer afirmou que o compromisso brasileiro com a questão ambiental foi reforçado a partir da conferência Rio 92, quando conceitos foram definidos, e depois na Rio+20. “Estamos firmemente empenhados em implementar essa agenda, e reafirmamos isso no 8º Fórum Mundial da Água”, disse o presidente, ao destacar a necessidade de diagnósticos precisos e ações coordenadas para melhor desenvolver essas políticas.
“A sustentabilidade hídrica requer ações permanentemente integradas em nossos países e entre nossos países. Se nos fecharmos em nós mesmos e se atuarmos de forma desarticulada, todos pagaremos o preço”, acrescentou.
Temer lembrou que há no mundo cerca de 2 bilhões de pessoas sem uma fonte segura de água em suas casas e sofrendo com a falta de saneamento. Além disso, acrescentou o presidente, há 260 milhões de pessoas que precisam andar mais de meia hora para ter acesso à água.
MARCO REGULATÓRIO
Em relação ao saneamento básico, o presidente indicou que o governo prepara um marco regulatório para buscar novos investimentos. “Nossa atenção volta-se, com muita naturalidade, para o saneamento, em que tanto há ainda por fazer. Nós estamos ultimando projeto de lei com vistas a modernizar nosso marco regulatório do saneamento e incentivar novos investimentos. O que nos move, naturalmente é a busca da universalização desse serviço básico”, disse. A minuta da medida provisória vem sendo debatida com as empresas de saneamento.
Segundo Temer, embora o governo tenha se empenhado para enfrentar, nos últimos anos, uma das maiores recessões de sua história, esse trabalho ocorreu “sempre com olhos postos na sustentabilidade”. O presidente citou o programa Plantadores de Rios, a proteção das florestas e a reversão da curva do desmatamento na Amazônia como fatores que colocam “a segurança hídrica no centro de nossas políticas”.
“Preservar não basta. É preciso fazer chegar água nos lares das famílias. Há comunidades que ainda lutam contra a seca. Daí nosso empenho na transposição do Rio São Francisco. Trata-se de um projeto antigo, mas que estamos finalizando e, ao fim, vai beneficiar 12 milhões de habitantes no Nordeste”, concluiu.
