Suposto estuprador de Anápolis pede perdão para criança
Redação DM
Publicado em 15 de julho de 2015 às 01:51 | Atualizado há 2 anosNa noite do último sábado, uma menina de 5 anos estava em uma feira de Anápolis, quando foi levada por um homem e colocada em um veículo e desapareceu, provocando desespero em sua família. No domingo pela manhã, foi deixada em um posto nas margens da GO-060 e os funcionários chamaram a polícia.
Com a descrição da garota, os policiais chegaram a um suspeito: Benedito Moreira da Abadia, de 57 anos. Exame realizado no Instituto Médico Legal (IML) constatou que a garota foi abusada sexualmente durante o desaparecimento.
O suspeito – que está preso acusado de estupro de vulnerável – nega as acusações. “Ás vezes, é uma defesa que ele está tendo, orientado pelo advogado. É muito difícil uma criança confundir o suposto agressor. É lógico que tem uma situação de estresse que pode influenciar a percepção dessa criança, mas é muito difícil cometer um erro em relação a isso, ainda mais que ela ficou mais de 12 horas com ele”, diz o psicólogo Eriko Netto de Lima.
O especialista alerta também para a possibilidade de existir várias pessoas com essa espécie de comportamento em Goiás e que as famílias têm que tomar cuidados. “Estas pessoas são sedutoras, oferecem balinhas para as crianças, se aproximam do nada querendo ganhar confiança. O objetivo dessas pessoas é ganhar confiança para depois fazer a agressão”, avalia.
Apesar da negativa de autoria, o suspeito pediu perdão pelo suposto crime. ”Ele pode estar usando isso como estratégia de defesa, como sentimento de culpa, de arrependimento ou como dissimulação. Tem criminoso que comete esse tipo de conduta e não sente nada, que é o psicopata, que não é o caso em discussão. A gente não pode enquadrar este caso como psicopatia, ainda mais agora que o suspeito sentiu remorso. Uma das características da psicopatia é exatamente não sentir remorso”, diz o psicólogo.

A mente de um estuprador
O que pensa um estuprador quando pratica o crime? Para saber isso, explica o psicólogo Eriko Netto de Lima, tem que ser realizada uma avaliação da história de vida do suspeito ou criminoso que praticou esse ato. Só assim para tentar fechar uma hipótese diagnóstica sobre o que levou a prática da violência. “Ele pode ter passado por alguma situação enquanto criança ou adolescente parecida com isso, apresentar sinais de psicopatologia grave ou de psicopatia, ou simplesmente um transtorno de comportamento em relação à situação que ele estava vivendo”, explica.
O profissional diz que o exame psicológico não é definitivo, ou seja, não afirma se a pessoa fez ou não a conduta. Ele apresenta traços e possibilidades diagnósticas em relação a personalidade do indivíduo, porém não define o agressor.
Para o psicólogo, na maioria dos casos de agressores sexuais, eles repetem a conduta, ainda mais quando não são pegos. Nesse caso, o ato se torna um ritual e o criminoso executa todo esse rito para praticar a violência.