Cotidiano

Terceira idade na labuta

Redação DM

Publicado em 1 de outubro de 2016 às 02:29 | Atualizado há 10 anos

  • Mesmo quem conta com auxílio da Previdência Social tem optado em se manter no mercado de trabalho

De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no segundo trimestre de 2015 o mercado de trabalho contou com a entrada de quase 2 milhões de pessoas procurando emprego ou trabalhando efetivamente. Dentre elas cerca de 502 mil têm 60 anos ou mais. O interessante é que a maioria dessas pessoas conta com auxílio da Previdência Social, seja para não estagnar no tempo ou como forma de complementar a renda e manter o padrão de vida. Dados da Previdência apontam que, em 2016, 72% das pessoas ocupadas com até 59 anos têm cobertura previdenciária. Esse índice sobe para 82% para mulheres e homens acima dos 60 anos. No total, o País possui 18,5 milhões de aposentados.

Até 2025, serão cerca de 31,8 milhões de pessoas com mais de 60 anos no País, segundo dados do IBGE. Uma dessas pessoas que optou por continuar a trabalhar mesmo depois de se aposentar é o corretor de imóveis, palestrante e consultor comercial e empresarial Edson Borghetti, 68. Para ele, a velhice não depende da idade de alguém, mas sim dos seus pensamentos e estilo de vida. Ele trabalha desde os 14 anos e garante: “Só vou parar no dia em que fechar meus olhos para sempre”.

Para Edson, o fato de continuar trabalhando não tem a ver apenas com o valor da aposentadoria. “Isso é muito relativo, eu tenho plena consciência de que não conseguiria manter o mesmo padrão de vida que tenho hoje apenas com a aposentadoria, sendo assim, optei por continuar trabalhando. Além disso, não me vejo parado, acho que não conseguiria ficar no marasmo sem fazer alguma coisa”, esclarece.

TENDÊNCIA

Ainda segundo a pesquisa do Pnad, ao todo, 6,645 milhões de idosos em todo o Brasil estavam em atividade entre abril e junho de 2015. E para o economista Rodrigo Leandro de Moura, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), a tendência é o idoso aumentar a participação enquanto a economia estiver ruim. “Isso vai continuar adicionando pessoas ao mercado de trabalho. Os idosos têm margem para aumentar ainda mais sua participação”, diz

Por outro lado, em uma análise do mercado de trabalho feita pelo Grupo de Conjuntura do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), por meio de microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), na comparação do segundo trimestre de 2015 com o quarto trimestre de 2014, o aumento do desemprego na faixa de idosos foi de 132%, enquanto entre os jovens a variação chega a 75%.

Quando se analisa o que ocorreu em 2016, a taxa de variação do desemprego também foi maior para as pessoas com mais de 59 anos: alta de 44% na comparação entre o primeiro e o segundo trimestres deste ano. A taxa de desemprego desse grupo passou de 3,29% no primeiro trimestre para 4,75% no segundo trimestre.

 

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