Cotidiano

Um tiro no coração do crime

Redação DM

Publicado em 11 de março de 2016 às 00:34 | Atualizado há 1 ano

 

 

A megaoperação conjunta das forças de segurança do Estado denominada Esfacela cumpriu desde a madrugada desta quinta-feira (10/3) 44 mandados de busca de apreensão e 41 mandados de prisão na Capital e nos municípios de Catalão, Cristalina, Itumbiara, Luziânia, Mineiros, Morrinhos, Quirinópolis, Rio Verde e São Simão. Foram 200 policiais envolvidos nas ações. Trata-se de um ataque frontal e articulado das polícias. O crime tremeu em Goiás. As investigações duraram cerca de um ano. Os presos foram conduzidos para o Núcleo de Custódia, em Aparecida de Goiânia, onde ficarão no regime de segurança máxima.

A Operação Esfacela visa desarticular quadrilhas criminosas e prender envolvidos com tráfico de drogas, roubos de veículos e sequestros, entre outros crimes. A ação foi coordenada pela Polícia Civil, por meio da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), e com ostensivo apoio e integração de outras forças policiais, como Polícia Militar, Polícia Rodoviária Federal e equipes especializadas, como GT3, Graer e Bope. Também participaram deste processo homens do Grupo de Operações Penitenciárias (Gope) e do Grupo de Operações Regionais (Gore).

O vice-governador e secretário de Segurança Pública e Administração Penitenciária, José Eliton, durante entrevista na manhã de ontem destacou a importância do trabalho integrado entre as forças policiais goianas. Segundo ele, o foco é combater a criminalidade em todo o Estado. A sintonia entre Estado, Ministério Público e Poder Judiciário tem contribuído com a redução dos índices de criminalidade em Goiás, afirma. Ele lembrou, ainda, que as ações de grandes impactos estão em sua fase inicial, mas os criminosos já sentem o duro golpe.

Participaram da entrevista o delegado geral da Polícia Civil, Álvaro Cássio dos Santos; o comandante geral da Polícia Militar, Divino Alves de Oliveira e os delegados Breynner Vasconcelos Cursino e Cleybio Januário, respectivamente titular e adjunto da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco). O promotor de Justiça Vinícius Marçal também esteve presente.

Combate ao crime

O secretário de Segurança Pública José Eliton citou os esforços para viabilizar os recursos financeiros que sustentarão a continuidade das ações e reforçou o comprometimento desprendido pelos demais poderes: “Temos recebido respostas imediatas dos Poder Judiciário e do Ministério Público para atacar as causas e implementar ações de combate ao comércio ilegal de peças automotivas e de uma série de outros crimes”, defendeu.

Os delegados responsáveis pelas investigações, Breynner Vasconcelos Cursino e Cleybio Januário Ferreira, respectivamente titular e adjunto da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), também participaram da entrevista coletiva. Explicaram que a operação teve início há um ano, em Itumbiara, no sul do Estado, quando as investigações mostraram que criminosos de vários presídios se comunicavam para planejar e executar diversos crimes, como, roubos de carros, assaltos a carros-fortes e explosão de caixas eletrônicos. “A partir daí, conseguimos identificar detentos que lideravam rebeliões e organizavam ações criminosas em vários locais”, afirmou.

‘Esfacela’ evitou crimes

Policiais chegam ao Núcleo de Custódia, em Aparecida de Goiânia, após cumprir mandados de prisão e de busca de apreensão em Goiânia e no interior: Operação Esfacela desmantela ação de criminosos (foto: Wildes Barbosa)

O delegado titular da Draco lembrou que a operação possibilitou à polícia evitar vários crimes em Goiás. “O uso do sistema de inteligência fez com que muitos crimes importantes não fossem concretizados pelos criminosos. Ficávamos sabendo com antecedência e o crime era inibido”, disse. Entre os crimes frustrados foi citado o roubo de uma carreta cegonha, lotada de veículos, em Rio Verde.

Sobre a dificuldade de coibir as ligações e o uso de comunicação nos presídios, o delegado garantiu que a Secretaria de Segurança Pública e Administração Penitenciária tem buscado meios e recursos tecnológicos que evitem essa situação. “A empresa de telefonia que ganhou a licitação para fazer o bloqueio teve problemas de ordem técnica com a operadora. Mas o assunto em breve será resolvido”.

Questionados sobre o motivo de trazer os presos para o sistema prisional de Aparecida de Goiânia, os responsáveis pela delegacia especializada esclareceram que é para evitar a ‘possível comunicação’ entre eles. Um comboio, incluindo ônibus lotado de criminosos, vindo do Sul do Estado, seguiu para o Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia.

Respostas rápidas

Em 15 dias de atuação, o secretário e vice-governador José Eliton já apresentou à sociedade, como resultado do trabalho conjunto das polícias goianas, responsáveis por crimes de grande repercussão, como no caso da estudante Nathália Zucatelli, que morreu próxima a um colégio na Capital. Divulgou o resultado das investigações que elucidaram o assassinato da estudante Jéssica Ferreira da Silva, 23 anos, em Aparecida de Goiânia (o menor, que atirou, já foi apreendido; e o outro responsável pelo latrocínio foi preso nesta quinta-feira). Também deflagrou a operação Tolerância Zero, na Capital e no interior do Estado, e que não tem data para terminar.

Desde que assumiu a pasta, o vice-governador José Eliton determinou que as forças policiais goianas atuem de forma cada vez mais ostensiva para combater a criminalidade no Estado. Quatro eixos são considerados por ele como principais para garantir a pacificação em Goiás. São eles: combate aos crimes contra a vida, a administração pública, o patrimônio e ao tráfico de drogas.

Por isso o destaque também para a Delegacia de Repressão a Crimes contra a Administração Pública (Dercap), que prendeu no último dia 2, em Palminópolis e em Trindade, nove pessoas que participaram de um esquema para fraudar um concurso público da administração municipal de Palminópolis. Oito pessoas foram conduzidas coercitivamente, ouvidas e receberam tornozeleiras para serem monitoradas por 90 dias. Uma delas e mais uma nona pessoa foram presas em flagrante por porte ilegal de arma.

Já na sexta-feira, dia 4 de março, agentes da Dercap também prenderam uma servidora da Secretaria de Estado da Fazenda. Ela foi pega em flagrante recebendo R$ 4 mil em propina de um empresário. José Eliton tem destacado que a sociedade brasileira tem sido condescendente com pequenos delitos, comuns no cotidiano e que nem sempre são vistos com o mesmo rigor que os crimes contra a vida ou ao patrimônio. Lembra sempre que a política de “tolerância zero” deve ser abrangente e tratar com o mesmo rigor o “jeitinho” brasileiro ou a busca de vantagens em prejuízo da administração pública.

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