USP é autuada pela produção da fosfoetanolamina sintética
Redação DM
Publicado em 3 de novembro de 2015 às 02:00 | Atualizado há 11 anosA Universidade de São Paulo (USP) foi autuada, no último dia 28, pela produção da substância fosfoetanolamina sintética, no Instituto de Química de São Carlos (IQSC), em São Carlos, a 230 km da capital. Em nota, o Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo (CRF-SP) explica que a substância, estudada pelo professor aposentado Gilberto Orivaldo Chierice há 20 anos, vem sendo utilizada com a indicação terapêutica para tratamento de câncer, sem, porém, um farmacêutico responsável. A USP informou que não vai se pronunciar sobre o assunto.
O CRF lembra ainda que a substância não passou pelos testes necessários para registro de medicamento no país, segundo a USP, e que os efeitos são pouco conhecidos, apesar do depoimentos de vítimas do câncer que se dizem curadas com sua utilização.
“O local foi autuado pelo CRF-SP por não ter farmacêutico em nenhuma das fases de produção e síntese do insumo farmacêutico, bem como na manipulação e na dispensação das cápsulas que contêm fosfoetanolamina. Para ser considerada medicamento passível de utilização de forma segura no país, a fosfoetanolamina teria de ser registrada segundo as normas sanitárias do governo federal”, informa o Conselho, em nota.
No mesmo documento, o presidente do CRF-SP, dr. Pedro Eduardo Menegasso, ponderou que “diante do clamor público, o governo poderia liderar um esforço concentrado para realizar as pesquisas mínimas de segurança e liberar, com isso, a utilização da substância em casos específicos. Da forma como está, a população está exposta a riscos”.
A Universidade tem uma semana, de acordo com o CRF, para se adequar às normas, ou seja, colocar um farmacêutico responsável no laboratório. Caso não cumpra as determinações, ela poderá ser multada e o instituto, lacrado.
O uso da fosfoetanolamina se tornou uma polêmica com dimensão nacional no mês passado, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) liberou o seu uso como medicamento experimental, derrubando decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo, que havia suspendido o fornecimento do remédio a 1.400 pacientes de câncer na cidade de São Carlos.
A fosfoetanolamina sintética foi desenvolvida em 1990 por Gilberto Orivaldo Chierice, professor de Química da USP-São Carlos. As cápsulas foram produzidas e distribuídas gratuitamente por ele a pacientes na própria universidade. Ano passado, após a aposentadoria de Chierice, o Instituto de Química da USP parou a produção e distribuição do medicamento, por não ter registro na Anvisa. Pacientes passaram a recorrer à Justiça para receber a droga. Apesar dos grupos de trabalho formados pelo governo, o Ministério da Saúde recomenda que as pessoas não façam uso da substância até que os estudos sejam concluídos.