Cotidiano

Vida de gado

Redação DM

Publicado em 30 de setembro de 2015 às 22:31 | Atualizado há 1 ano

 

O nível de descaso com o transporte público parece não ter fim em Goiás. A Rede Metropolitana de Transporte Coletivo (RMTC) “inovou” e instalou rampas no Terminal Vera Cruz que parecem rampas idênticas as utilizadas em fazendas para transporte de gado. Essa nova medida chamou a atenção da população goianiense que ficou indignada. A Polícia Militar foi colocada de prontidão no local para evitar tumulto.

As rampas foram estaladas devido a mudanças de rota dos ônibus do Eixo Anhanguera. Como as portas do Eixão são altas em relação ao solo, foram colocadas rampas improvisadas para nivelar o passageiro e garantir sua entrada no veículo.

O improviso viola quase todas as medidas de seguranças existentes, conforme relatório elaborado pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Goiás (Crea-GO). As rampas não tem angulação adequada, o vão entre o ônibus e o passageiro em alguns casos mede 30cm. Há relatos de pessoas caíram e se machucaram ao tentarem embarcar.

Vão de 30cm é mais que suficiente para derrubar pessoas e impedir a entrada de cadeirantes (Foto: Divulgação Crea-GO)

O piso deveria ter superfície regular, estável e antiderrapante sob qualquer condição. Também não pode haver trepidação de cadeira de rodas ou carrinhos de bebê. Porém, o relatório aponta para tábuas mal colocadas que desrespeitavam todos os requisitos.

O desnível no início da rampa também foge ao aceitável. Um cadeirante terá dificuldades no início do acesso, durante o percurso e por fim terá de ser auxiliado por terceiros para adentrar o veículo devido ao grande vão que o separa.

Piso desrespeita todas as normas da ABNT. Desnível atrapalha cadeirantes e carrinhos de bebê (Foto: Divulgação Crea-GO)

Os corrimãos também descumprem as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) quando se trata de acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos.

Os problemas não acabam aí. O mais grave problema foi constatado na vistoria dos engenheiros especialistas: Alguns suportes das plataformas improvisadas já ficaram deformadas com o peso dos passageiros e alguns apoios não estão fixados corretamente. Isso pode acarretar desabamento e acidentes para os usuários do transporte público.

Apoios foram mal fixados, já entortaram e há risco de quebra com peso de muitos passageiros (Foto: Divulgação Crea-GO)

Suspensão imediata das rampas

 

O Crea-GO enviou na tarde ontem um ofício para o Ministério Público de Goiás (MP-GO) sugerindo a suspensão imediata do embarque pelas rampas improvisadas. Um relatório de constatação foi enviado como argumento. O documento visa a interdição das rampas até que haja a intervenção de um profissional legalmente habilitado que adeque as estruturas do local.

Edvaldo Maia, um dos engenheiros responsáveis pelo relatório, disse que a segurança vem em primeiro lugar. O serviço deve ser suspenso mesmo que isso posso significar uma mudança de rota no terminal. Uma das preocupações do engenheiro é que as rampas provisórias perdurem por muito tempo devido a atrasos. Assim, o que seria provisório acabe se tornando permanente.

O engenheiro deixa bem claro: “as rampas não foram dimensionadas por um profissional e não atendem aos requisitos de acessibilidade, a chance de um acidente é grande, até mesmo um acidente mais grave”. Segundo Edvaldo Maia, “não existe problema em construir uma plataforma provisória, desde que siga as especificações de segurança”.

Caso o MP-GO acate a sugestão do Crea-GO, a RMTC pode alterar a rota do Eixo Anhanguera novamente até a construção de novas plataformas. Conforme o relatório de constatação, o Gerente de Projetos do Consórcio RMTC, Maurício Ernesto Coelho Júnior, informou que não foram elaborados projetos para a estrutura provisória, e salientou, ainda, que eles estão elaborando projetos para uma estrutura definitiva, que tem previsão de prazo para implantação de 30 dias.

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