Vinte mulheres relatam abuso sexual cometido por ginecologista em consultas em Goiás
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 23 de abril de 2026 às 15:15 | Atualizado há 2 meses
Médico é investigado após denúncias de abuso sexual durante consultas | Foto: Reprodução
Uma semana após as primeiras denúncias, feitas inicialmente por seis pacientes, a Polícia Civil já contabiliza novos desdobramentos no caso envolvendo o médico ginecologista e obstetra Marcelo Arantes e Silva. Ao todo, outras 14 mulheres prestaram depoimento e também relatam terem sido vítimas de abuso sexual durante consultas realizadas pelo profissional.
O médico, que atendia em Goiânia e Senador Canedo, foi temporariamente proibido de exercer a profissão após decisão do Conselho Regional de Medicina de Goiás (CRM-GO), que determinou a suspensão cautelar do registro enquanto as investigações seguem em andamento.
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Relatos semelhantes reforçam investigação
Das 20 possíveis vítimas ouvidas até o momento, 11 afirmaram que os abusos ocorreram durante atendimentos em Goiânia, enquanto outras nove relataram situações semelhantes em Senador Canedo. De acordo com a delegada responsável pelo caso, Amanda Menuci, os depoimentos apresentam forte similaridade, apesar de as denunciantes não terem qualquer vínculo entre si.
Segundo a investigadora, as mulheres descrevem condutas consideradas incompatíveis com procedimentos médicos. “São relatos de procedimentos invasivos e toques em áreas íntimas que não tinham relação com a consulta. Em ao menos um dos casos, o médico dispensou a secretária, trancou a porta do consultório e praticou sexo oral na paciente”, afirmou a delegada em entrevista concedida na semana passada.
Na ocasião, Amanda Menuci informou que evitaria novos pronunciamentos públicos até a conclusão do inquérito, com o objetivo de não comprometer o andamento das investigações. Ela também destacou que uma eventual solicitação de prisão dependeria do surgimento de novos elementos ou de mais vítimas, cenário que começou a se concretizar com os novos depoimentos.
Apesar da gravidade das acusações, Marcelo Arantes e Silva ainda não foi preso, mas está submetido a medidas cautelares impostas pela Justiça. Entre elas, está a suspensão temporária do exercício profissional.
A defesa do médico se manifestou afirmando que as denúncias precisam ser apuradas com rigor, mas criticou o que classificou como “prejulgamento midiático” e “linchamento moral” antes da conclusão das investigações. O caso segue sob apuração da Polícia Civil.