Cotidiano

“Zap Zap” guardião da educação

Redação DM

Publicado em 9 de dezembro de 2015 às 23:30 | Atualizado há 1 ano

Plataforma cada vez mais utilizada pela população, a rede social WhatsApp está servindo, em unidades de ensinos de Goiânia, como aliada da segurança pública. Grupo criado na ferramenta aproxima policiais e gestores escolares, além de agilizar circulação de informações sobre ações de criminosos dentro ou próximo das escolas e CMEIS. Educadores garantem que a parceria entre as instituições é indispensável para salvaguardar professores, alunos e funcionários.

A ideia surgiu há pelo menos quatro meses em reunião do 6° Conselho Comunitário de Segurança e Defesa Social (Conseg) da Região Leste da Capital após recorrentes casos de violência contra unidades escolares. Ao todo são 43 recintos educacionais participantes, incluindo CMEIS, escolas particulares e públicas do município e Estado. Trigésimo Batalhão da Polícia Militar (PM) é parceiro da comunidade escolar e responsável pelas rondas ostensivas em casos solicitados, na região.

Subcomandante do 30º Batalhão da PM, capitão Lázaro, esclarece que o uso da ferramenta digital faz parte do Programa Escola Mais Segura da polícia. “A ideia foi desenvolvida junto com os Consegs. Esse programa visa dar mais segurança a comunidade escolar e vizinhança da região. Quando há algum suspeito ou ação de terceiros que possa oferecer riscos a comunidade, é publicado no grupo. Isso tem ajudado a polícia a dar resposta mais satisfatória à população, principalmente naqueles momentos de maior aflição do cidadão”, diz.

NA REDE

A Escola Municipal Senador Darcy Ribeiro, situada no Bairro Recanto das Minas Gerais, área Leste, é um dos locais que interage com a polícia pelo “zap zap”. “A gente avisa o que está acontecendo e policiais vem patrulhar de imediato. Tem sido fundamental para inibir ações criminosas e ajudar policiais na identificação de suspeitos”, diz a diretora da escola, Lucilene Rodrigues. Ela destaca ainda ação rápida e efetiva da polícia.

“Outro dia desses à noite, alunos de outra escola da região pularam o muro da nossa unidade e começaram a fazer arruaças. Imediatamente à polícia foi acionada pelo aplicativo e, em seguida, atendendo ao chamado em tempo real, colocou fim a algazarra. Inclusive, neste mesmo dia, policiais aprenderam uma moto roubada na porta da escola”, conta Lucilene. No entanto, a gestora acrescenta também que, neste ano, já foi vítima de bandidos em plena luz do dia.

“Eles (ladrões) adentraram a escola em horário de aula e provocaram minutos de terror e aflição. Chegaram a roubar meu carro. Em outras situações, como no feriado de finados, foram roubadas (cerca) três televisões novas da escola. Nesse caso, foi inevitável por termos um sistema de segurança falho e ser um dia quando não tem ninguém no local. Contudo, cautelas já foram adotadas e, agora, contamos com mais esse recurso interativo (WhatsApp) de segurança”, diz.

AÇÃO RECORRENTE

No início do mês de outubro passado, estudantes do Instituo de Educação de Goiás (IEG), no Setor Leste Vila Nova, em Goiânia, relataram que foram assaltados e ameaçados com faca dentro da unidade de ensino. De acordo com os alunos, dois assaltantes invadiram o local e levaram celulares.

Por enquanto, apenas escolas da Região Leste possuem grupo de WhatsApp conectado com a polícia, explica Valdemir Ferreira Filho, presidente do 6º Conseg. Porém, conforme ele, a intenção é que a medida sirva de exemplo para outras regiões da cidade. “Esperamos que demais escolas possam aderir essa ideia a fim de proteger o ambiente escolar. Temos tido experiências positivas, em nossa região, com uso da ferramenta para solicitar ajuda policial. O atendimento passou a ser em tempo real”, afirma.

Colégio Estadual Juvenal José Pedroso, localizado na Vila Pedroso, também é uma das escolas que troca dados com a polícia. Para diretora da unidade, Divina Eterna Corrêa Rocha, houve melhora considerada no atendimento policial. “Não tem mais aquela burocracia que tínhamos antes, de ter que enviar ofício solicitando patrulhamento ou esperar ser atendido pelo 190. Até há pouco tempo, vivemos situação de roubo nas mediações, imediatamente divulguei o fato no grupo e, em questão de minutos, a PM  compareceu ao local”, afirma.

AGILIDADE

A gestora Divina lembrou ainda de certa situação em que acontecia festividade na escola e terceiros tentaram pular o muro da unidade de ensino. “Eles (suspeitos) chegaram jogar pedras dentro da escola, mas a polícia ao ser acionada no grupo, logo depois, fez as diligências e tomou medidas cabíveis para aquela situação. E isso dá uma sensação de proximidade da comunidade escolar com Polícia Militar”, exalta.

Por questões de segurança só é permitido a participação no grupo de WhatsApp, dos diretores e diretoras escolares, como também é conhecido por eles, gestores de unidades de ensino. Porém, para isso, capitão Lázaro esclarece que antes é feito checagem dos antecedentes criminais do educador. “É importante salientar que as pessoas que participam desse grupo são pessoas idôneas. Já que são elas que vão acionar PM, com intuito de ajudar a polícia, a deter o meliante que tiver praticando um delito”, explica.

Conselho de Segurança Comunitário têm por objetivo lutar por medidas e ações que visem à segurança e à promoção da paz da população

 


Leia também

Siga o Diário da Manhã no Google Notícias e fique sempre por dentro

edição
do dia

Impresso do dia