Amaury Menezes viveu entre cores e formas, indica exposição em Goiânia
Redação Online
Publicado em 17 de novembro de 2025 às 20:35 | Atualizado há 7 meses
Exposição reúne 80 obras produzidas por Amaury entre 1950 e 2020 - Foto: Divulgação
Marcus Vinícius Beck
Aos 95 anos, com olhar analítico e traços críticos, o artista plástico Amaury Menezes abre exposição hoje, a partir das 18h, no Museu de Arte de Goiânia (MAG). Amaury tornou-se reconhecido no cenário internacional pelo afinco estético com que realiza seus trabalhos.
A exposição reúne 80 obras produzidas por Amaury entre 1950 e 2020. Os trabalhos, entre aquarelas, pinturas e desenhos, ocupam as salas Reinaldo Barbalho e Amaury Menezes. Com entrada franca, as visitas vão de terça a domingo, das 9h às 18h e das 10h às 16h.
“Amaury Menezes – Reconhecimento e Gratidão: O legado de um pioneiro” marca ainda a reabertura do primeiro museu dedicado às artes visuais do Centro-Oeste. Localizado no Bosque dos Buritis, o espaço é administrado pela Secretaria Municipal de Cultura (Secult).
Há um simbolismo evidente na exposição: Amaury foi o primeiro diretor do museu. O artista o estruturou, definiu políticas expositivas e reuniu o primeiro acervo institucional, que incluía obras oriundas da “Exposição do Congresso Nacional dos Intelectuais”, de 1954.
Não bastasse sua relevância museológica, o artista possui prestígio na galeria histórica das artes visuais em Goiás. É reconhecido por sua trajetória na pintura, no desenho e nos murais. Como poucos, traduz o cotidiano ao colocá-lo em diálogo com temas urbanos ou afetivos.
Para o artista, a sensibilidade está nos detalhes que passam despercebidos, mas que soam como uma poesia quando colocados em suas telas. “Eu queria ter um espaço em que pudesse desenvolver e trabalhar como qualquer outra pessoa comum”, disse ao DM.

Trajetória
Amaury nasceu em 1930. De Luziânia, radicou-se na capital goiana em 1936. Graduou-se pela Escola de Belas Artes da Universidade Católica de Goiás, onde estudou com Frei Nazareno Confaloni e Gustav Ritter. Expôs em “10 Artistas de Goiás”, no Masp, em 1966.
Nos anos 1960, Amaury aprimorou suas especialidades. Virou professor de desenho na Escola Goiana de Belas Artes e no Departamento de Artes e Arquitetura da UCG — hoje PUC. Entre 1968 e 1971, chegou ao cargo de diretor do curso de Arquitetura da Católica.
A partir da década de 1970, Amaury percebeu a necessidade de dedicar-se em tempo integral à aquarela, técnica na qual mais se destacou. O artista, porém, não se limitou ao longo dos anos apenas a tal gramática, apesar de manuseá-la com sutileza ilimitada.
Comprometido com seu ofício, o pintor-retratista domina ao menos quatro métodos: óleo sobre tela, crayon, pastel sobre papel e bico-de-pena. Tudo lhe era inspiração: um passeio pelo parque, uma ida à janela de seu ateliê, um olhar arguto e urbano a respeito da vida.
Sobre sua rotina, disse ao Diário da Manhã: “É um trabalho como outro qualquer, tenho horário para chegar e horário para sair, mesmo que algumas vezes minha mulher ligue aqui no ateliê brava por já ser tarde e eu ainda não fui embora”. Amaury sorriu satisfeito.
Após reforma, MAG assume compromisso com memória

O Museu de Arte de Goiânia (MAG) assume sua vocação: guardião das artes. Artistas como Siron Franco, Antônio Poteiro, Frei Confaloni, DJ Oliveira, Gustav Ritter, Cleber Gouvêa, Amaury Menezes e Maria Guilhermina têm obras no acervo do museu goianiense.
A arte é, afinal, patrimônio coletivo. “Nosso propósito no MAG é garantir que todos possam usufruí-la”, afirma Antônio da Mata, curador da exposição de Amaury Menezes e gerente do local. “Esta é a primeira parte de uma reforma que garante acessibilidade e preservação.”
Inaugurado em outubro de 1970, o MAG esteve nos seus primeiros tempos na Praça Universitária. Foi, desde o início, destinado à memória das artes visuais produzidas em Goiás. Em 1981, o espaço foi transferido para o Bosque dos Buritis, onde funciona até hoje.
Acervo
“Ainda há trabalho a fazer, como a reforma do espaço da Reserva Técnica, que é onde ficam protegidas as obras do nosso acervo que não estão em exposição”, revela Antônio. Até aqui, houve restauro no teto de átrio central, em duas salas e na entrada principal do MAG.
Com produção executiva de Wellington Dias, museologia de Henrique Moreira Oliveira e curadoria e mediação artística de Antônio da Mata, a primeira revitalização devolve ao MAG o caráter de espaço público vivo. Ou seja, acena à diversidade cultural da cidade.
Segundo o MAG, as melhorias não se restringem ao aspecto físico. O projeto estabelece ações educativas e democratizadoras para aproximar estudantes e visitantes de um patrimônio goianiense. Tudo para preservar a memória, a cidadania e a criação.