Desativada 2

Colorindo a cidade de preto

Redação DM

Publicado em 20 de março de 2016 às 21:53 | Atualizado há 10 anos

O rap é a música da cidade, das periferias, de pessoas que escolheram esse som e movimento cultural pra expressar sua realidade. A realidade que vive e a que espera viver. “A Cor do Futuro” é um projeto do rapper goiano Gasper, que tem feito um rap itinerante em vários pontos da cidade.

Gasper defende a importância dessa turnê. “Eu acredito que toda ação que é feita pelo bem da cultura e pelo bem das pessoas é muito necessária. O Projeto “A Cor do Futuro” é mais uma afirmação da Cultura Urbana que mais cresce no Estado de Goiás: o hip hop. Goiânia tem periferias ricas de talentos, mas há falta de espaço, investimento ou qualquer outra forma de incentivo que não chega aos jovens”.

Nesse domingo o evento é na zona sul. Vai rolar na Praça do Pequi, no Parque Atheneu, a patir das 14h. O projeto em prol da valorização da cultura hip hop goiana vai levar entretenimento, música e esporte para a região. O evento é gratuito e tem produção de Dri Hartmann (Soulcrims) e apoio cultural da Prefeitura de Goiânia.

O evento conta com a apreentação de rappers goianos, essa é a X edição. O rap vai rolar nesse domingo com os grupos DeLaSul. Wu Tang Thug e os rappers Cassiano Gueto e Eder NB. E para fechar as apresentações musicais o show de Gasper.

O eixo central da apresentação de Gasper é um manifesto racial. O show é dedicado a cultura negra. Afinal o povo preto está cansado de ser sistematicamente marginalizado e mostra por meio da arte que os negros têm voz e reivindica seu lugar.

Os esportes de rua também vão ter seu espaço “Para os skatistas, a Blessed Skate Shop vai montar uma super estrutura com pista de 5 obstáculos durante a turnê. O espaço será aberto e gratuito”.

O evento vai contar ainda com batalhas de Mc’s. As batalhas de MC’s que tem se mostrado uma grande ferramenta para a manutenção da cultura hip hop, atraindo jovens e mostrando talentos escondidos na gyn city.

 A próxima edição da turnê acontecerá na Praça dos skatistas do Conjunto Itatiaia, no próximo dia 27 de março. O último evento será no Cepal do Setor Sul dia 3 de abril. “O projeto itinerante “A Cor do Futuro” presta uma homenagem simbólica a todos os representantes negros do movimento hip hop, a todos os poetas populares e reúne mais de 20 rappers goianos para fortalecer a cultura no estado”.

Entrevistei a mente em alta frequência que idealizou esse projeto, o rapper Gasper. Ele fala sobre a evolução da cena, momentos marcantes de sua caminhada e sobre seu projeto cultural. Confira.

DM: Gasper, qual é a sua trajetória no rap. Quanto tempo de estrada e quais os momentos mais marcantes?

Gasper: Eu conheci o Rap andando de skate pelas ruas de Goiânia, nunca mais saiu da minha vida. Eu tenho 3 trabalhos lançados e mais de 10 anos de estrada.Tenho músicas com diversos cantores do Brasil. Participei dos maiores festivais de música independente que acontece em Goiânia, que são conhecidos Nacionalmente e Mundialmente também. “A Cor do Futuro” é o 3º disco solo da minha carreira, lançado em 2014.

O Show do Disco ” A Cor do Futuro”  levamos para  Brasília , Salvador , São Paulo , Tocantins e cidades do Interior de Goiás. A Musica me trouxe mil momentos marcantes, mais poder estar nos palcos de Festivais como Bananada, Noise Festival, Vaca Amarela ,Grito Rock foi louco. O programa “Manos e Minas” na TV Cultura de São Paulo vai ficar na memória também. Cada Show que eu consigo dividir o palco com amigos cantando, ou tocando algum instrumento sempre eu guardo na memória.

DM: Qual foi a evolução no rap goiano durante sua carreira?

Gasper: Hip hop é a cultura que mais cresce no Brasil e aqui não é diferente. Impressionante ver como a nossa cidade evoluiu musicalmente, novos Grupos e Bandas surgiram e um novo público também vem crescendo junto com essa evolução. É muito importante ter Projetos, Festivais, encontros que estejam valorizando a música goiana e fortalecendo esse cenário musical que existe aqui. O Rap Goiano é reconhecido nacionalmente, Cantores daqui já foram premiados e também foram feitas diversas colaborações de músicos goianos em outras cidades por todo Brasil. A tendência é crescer muito mais, podem esperar.

DM: Qual o estilo do seu som, sua linha de rap?

Gasper: Eu não me prendo a nenhuma linha no Rap, eu estou sempre pesquisando e tentando incluir coisa nova nas minhas musicas. Minha prioridade na musica é ser feliz, quero falar de Amor e Drama. Às vezes quero mandar um recado pro mundo, outras vezes só para o lugar onde eu nasci. É assim que eu faço.

DM: Com toda essa moda de “ostentação” dos jovens de hoje, o rap está quebrando isso ou incluindo a “ostentação” no movimento?

Gasper: Eu acredito que os maiores valores de uma pessoa não é o dinheiro ou qualquer tipo de bem material. Quem só vive pelo dinheiro morre por ele também. Mas vejo que as coisas mudaram porque o jovem brasileiro quer se afirmar de várias formas, quer entrar e sair sem ser discriminado e deseja ter o que vários sempre tiveram e ele não.

Com certeza qualquer jovem da periferia que esteja conquistando dinheiro com seu trabalho, se vestindo bem desfrutando do que só a classe alta teve acesso, ele vai incomodar. Primeiro porque os ricos vão achar que nada daquilo foi feito pra ele, segundo pela própria periferia ter sido alienada em pensar que talvez eles não sejam dignos de nada, pela forma que o pobre e o negro sempre foram tratados nesse país. É aquela história “Me negaram o mínimo, agora eu quero tudo!”. Isso explica um pouco desse deslumbre pelo rap ostentação.

DM: Qual tem sido os resultados do projeto? A adesão da galera e a perspectiva para os próximos eventos.

Gasper: Eu sou muito grato por tudo que minha cidade sempre fez por mim. Não é fácil cantar rap em Goiânia, mas nossa cultura é forte e abraça cada dia mais os cantores daqui. Está sendo muito bom, resultado cem porcento positivo. Primeiro evento lotamos o Túnel Jaime Câmara com pessoas de todas as idades, famílias reunidas, foi uma grande surpresa pra todos nós envolvidos no Projeto. Esperamos ser surpreendidos nos próximos também. Tem muita coisa legal acontecendo no evento o tempo todo: campeonato de skate, batalhas de Mc’s, exposições de arte e muita música! Só temos a agradecer todo mundo que fortalece o cenário Hip Hop goiano e acredita que a cultura resgata o melhor das pessoas. Estamos construindo um lugar bem melhor com a cultura Hip Hop nos quatro cantos da cidade.

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