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Experiências auditivas

Redação DM

Publicado em 14 de março de 2017 às 02:09 | Atualizado há 1 ano

Já se passaram 73 dias no cronômetro de 2017, e muitos artistas e grupos musicais com propostas diferentes de música já apresentaram seus novos projetos no início do ano. A mistura de gêneros musicais e o surgimento de novas tecnologias tem influenciado o trabalho de músicos, cantores e compositores novatos ou veteranos. O site RateYourMusic, criado há quase 20 anos com o objetivo de catalogar toda a música já lançada no mundo, já criou sua lista de álbuns mais comentados do ano com base na opinião de seus usuários. Gêneros como metal, pós-rock e hip hop permanecem em alta, bem como a influência da música eletrônica na mixagem final de vários álbuns de estilos distintos. Confira uma lista de inovações musicais recentes.

 

 

Industrial eletrônico

O DJ britânico Blanck Mess retorna ao cenário musical com seu terceiro álbum, World Eater, que traz uma sonoridade rítmica, mecânica, hipnótica e agressiva, descrita pelos usuários do site como ‘pós-industrial’ e ‘electro-industrial’, subgêneros da música industrial, que por sua vez é considerada um importante movimento no cenário contracultural dos anos 1970. O estilo foi descoberto inicialmente através de bandas como Throbbing Gristle, com o álbum The Second Annual Report (1977), e imortalizou-se através de bandas como Coil e Nine Inch Nails nos anos 1990. No experimento do Blanck Mess, o que podemos observar é o contraste entre o pesado rock industrial com suas composições digitalmente amaciadas e repetitivamente minimalistas.

 

 

Flamenco atmosférico

Exquirla é o nome da banda espanhola recém-formada a partir da junção de outros dois grupos: Toundra, especializada em rock instrumental, atmosférico, lento e deslizante; e Niño de Eche, que se encarrega de temperar o som com flamenco, tradicional gênero musical espanhol tocado originalmente em guitarras acústicas. O primeiro álbum do Exquirla, Para quienes aún viven (Para aqueles que ainda vivem), traz uma visão épica e melancólica da realidade atual. “O título do álbum é claro: o que surge aqui é um clamor surgido puramente das entranhas. Diretamente para aqueles que ainda conseguem fazer algo para sobrepor-se à miséria e a injustiça que os rodeia”, escreve o crítico musical Paulo Ortiz para o site cultural espanhol Binaural.

 

Hip hop abstrato

 

Bedwetter é um dos projetos musicais de Travis Miller. Seu primeiro disco foi lançado no dia 29 de janeiro, depois de uma grande expectativa gerada pelo primeiro single, Stoop Lights, que saiu no dia 12 daquele mês. O álbum possui um título extenso: Volume 1: flick your tongue against your teeth and describe the present, que em português significa “Pressione sua língua contra seus dentes e descreva o futuro”. Miller é conhecido pelo estilo recluso e pela utilização de vários pseudônimos para lançar música, o mais famoso deles é Lil Ugly Mane. “Lida com a doença mental de forma madura: de modo algum glorifica ou simplifica. A capa é uma homenagem bastante arrepiante para Jandek, como é o próprio álbum, em certa medida”, pontuou ColdWar, usuário do site.

 

 

Ambient

O compositor nova iorquino William Basinski, que ficou famoso principalmente por sua série de álbuns The Desintegration Loops, lançada em quatro volumes entre 2002 e 2003, retorna ao cenário musical com A Shadow in Time. O trabalho traz toda a experiência de Basinski na criação e manipulação de texturas minimalistas. Dividido em duas faixas, cada uma com pouco mais de 20 minutos, A Shadow in Time tem sido descrito por fãs e críticas como uma experiência nostálgica e imersiva. A primeira música se chama ‘For David Robert Jones’, uma homenagem ao músico David Bowie que morreu no início do ano passado. “Tão delicado, modelado e quebradiço como uma teia de aranha de seda”, descreveu o usuário Stoo99.

 

 

J-Pop

O grupo musical japonês Wednesday Campanella, formado em 2012 em Tóquio, lançou no dia 8 de fevereiro seu sexto álbum de estúdio. Com o título Superman, o trabalho vem sendo considerado um dos melhores esforços musicais do pop japonês da década. O trabalho traz uma infusão de hip hop, música eletrônica (principalmente o house) e as tradicionais e melódicas viradas da música pop. “A primeira impressão é boa, principalmente por causa da produção cristalina, vibrante e cheia de vivacidade. Mas já na primeira impressão os vocais monotônicos já característicos do pop nipônico vão cansando aos poucos. Em uma segunda ouvida a boa produção já não é suficiente para deixar as coisas tão apreciáveis”, pontuou o usuário brasileiro Caetano Neves.

 

 

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