Desativada 2

Pane no sistema

Redação DM

Publicado em 22 de fevereiro de 2016 às 22:35 | Atualizado há 2 anos

 

Com elenco respeitável e efeitos especiais inovadores, a ficção científica ‘Brazil’, do cineasta norte-americano Terry Gilliam, marcou época e completa hoje 31 anos de lançamento. Traz no enredo a história de Sam Lowry, que vive em um estado totalitário controlado por aparelhos tecnológicos e por burocracia. Tal regime enfrenta problemas com o que eles chamam de ‘terrorismo’, e o nível de vigilância segue progressivo. Apesar do nome, o filme não faz alusão ao país Brasil, mas à canção ‘Aquarela do Brasil’, que é utilizada durante vários momentos. Isso ajudou na popularização mundial da canção, que já foi regravada por bandas famosas como Arcade Fire.

Trata-se de um filme político: uma tentativa de tecer críticas às classes políticas totalitárias através da arte do cinema. Quem traz uma análise mais profunda sobre isso é o usuário da rede social Filmow Lucas Brelaz: “É até agora um dos meus favoritos do estilo nonsense. Gostei dos temas abordados como: apatia do estado neoliberal às classes médias, indiferença da elite aos problemas sociais, luta contra o sistema, culto a beleza física, etc. E que trilha sonora é essa? Mesmo em momentos tensos e escuros, a aquarela do ‘Brazil’ nos fez duvidar se deveríamos estar rindo das desgraças presente nos filmes ou não”.

Felipe Kreator, no Filmow, fala sobre a relação do filme com o Brasil, e nas dificuldades que atrasaram o lançamento do filme, considerado polêmico. “Na época de seu lançamento, o filme passou por problemas para ser lançado, e quando estreou fez bastante sucesso. O título do filme já é algo que engana o espectador, pois ele não fala nada sobre o nosso país. Porém, na hora de assistir, notem a música que os personagens assoviam várias vezes, e segue seus instrumentais na trilha sonora. Terry Gilliam que teve a ideia do título do filme, somente porque ouviu a música”.

Distopia

Segundo o dicionário, “lugar ou estado imaginário em que se vive em condições de extrema opressão, desespero ou privação; antiutopia”. Como podemos perceber, a distopia seria a vilã da utopia. É uma palavra bastante usada para definir obras de literatura, música e cinema que se propõe a criar universos futuristas para tecer críticas à realidade atual. É como se o absurdo do futuro, que para a sociedade retratada é interpretado como normal, pudesse ser explicado de forma simples através dos hábitos da sociedade em que vivemos hoje.

Entre alguns filmes clássicos considerados distópicos estão ‘Laranja Mecânica’ de Stanley Kubrick, que estreou em 1971. É baseado em livro homônimo de Antony Burges, e fala sobre um tratamento medicinal alternativo que inibe impulsos sexuais e violentos em indivíduos presos que cometeram tais delitos. Existem também as distopias tecnológicas, que podem ser exemplificadas através dos filmes ‘Blade Runner’ e ‘O exterminador do futuro 2’. Uma distopia recente que fez sucesso no cinema foi ‘Cisne negro’, lançado em 2010, que toca na questão moral.

Literatura

Marcelo Queiroz também citou outra obra literária importante: “Me lembrou ‘O Processo’, do Kafka”.  O livro, lançado em 1925, apresenta uma série de elementos que convergem na mesma direção do filme ‘Brazil’. Um deles é o teor onírico de ambos: os sonhos tem papel fundamental na percepção de realidade de seus personagens. O ‘absurdismo’ também norteia as duas obras, principalmente ao tratar do tema da burocracia. Ambos também tecem críticas que parecem se encaixar no passado, no presente e em possíveis futuras sociedades. A falta de uma narrativa retilínea é outro ponto de intersecção entre ‘O processo’ e ‘Brazil’.


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