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Salvadores daqui

Redação DM

Publicado em 27 de junho de 2017 às 05:33 | Atualizado há 1 ano

Quatro nomes veteranos das artes plásticas goianense. Quatro, não cinco se contarmos o curador Alexandre Liah. Juntos, todos eles abrem amanhã, na Vila Cultural Coralina, uma exposição em que realidade e inconsciente se unem para fazer uma leitura contundente, mas satírica dos últimos acontecimentos mundiais. Trata-se de “Dali e de Cá–Homenagem ao Surrealismo”, na qual estão obras inéditas de Augusto Selva, Malaquias Belo, Pirandello e Tolentino.

“Dali e de Cá” é composta por 30 telas que vão ficar expostas no centro cultural até o dia 13 de agosto. Sua abertura vai contar com a leitura do Manifesto do Surrealismo, que foi escrito em 1924 pelo principal mentor do estilo, o poeta francês André Breton exatamente às 21h 12min e 38s.

O horário peculiar da atividade, claro que tem tudo a ver com estilo consagrado pelo artista Salvador Dali, e serve para questionar os parâmetros de normalidade entranhados no inconsciente da sociedade contemporânea. Além da leitura outras atividades culturais também vão se fazer presentes no evento.

 

Sincronicidade

Seria muito exagero dizer que o momento atual se assemelha com a década de 1920, época em que o surrealismo veio à tona fortemente influenciado pelas teorias psicanalíticas do psicólogo Sigmund Freud. Pois, surgiu no período machucado entre as duas Grandes Guerras Mundiais. No entanto, de acordo com o curador da mostra existe certa sincronicidade de hoje com aquela época, já que há tantas e diferentes tragédias ocorrendo por aí.

“Quando o movimento surrealista foi exposto havia um descontentamento com a cena política na época, havia uma pós guerra de países destruídos, pessoas mutiladas que estavam tentando retomar sua vida e o surrealismo propunha isso, uma busca pelo maravilhoso, da arte que vislumbra os olhos. Vejo semelhança daquela época com a que vivemos hoje: um vazio, um hiato de perspectiva política, econômica, social e cultural”, compara. .

Apesar de tratar de temas intragáveis “Dali e de Cá” não é de forma alguma uma exposição sisuda. Muito pelo contrário: traz em si todo espírito provocador de Dalí, mas também foca no lado irreverente do artista excêntrico, performático e satírico. Dalí ria das pessoas tinha um humor muito afiado. Na mostra quisemos trazer muito deste espírito”, explica.

 

Peculiaridades

A forma de abordar o surrealismo, obviamente aparece na mostra de maneiras muito específicas. Augusto Selva, por exemplo, tem uma ligação com a metafísica ao brincar com figuras mitológicas. “Ele tem todo um inconsciente lúdico, mas que é muito próximo do real. Em seus quadros aparecem arlequins, que querem alegrar o povo, enquanto mágicos querem ludibriar. Algo bem atual”, analisa o curador.

Por outro lado, Malaquias Belo está na busca das gêneses, quando evoca em suas obras a figura de sementes. “Malaquias acha que tudo sai de uma semente e vai colocando aquilo em suas paisagens. Assim se aproxima de pintores surrealistas como René Magritte”, diz Liah.

Já Tolentino, ainda segundo Liah, é o artista da mostra que trabalha o mundo surreal que se vive hoje de uma forma mais real. Ele faz isso através da releitura de telas icônicas que escancaram de forma muito técnica e satírica as mazelas mundo atual. “Tolentino se apropria de imagens consagradas e ressignifica isso em situações irônicas em trabalho muito bem executado.

E, Pirandelo, cuja forma de pintar era de maneira mais lúdica do que surreal, se arriscou pela primeira vez no estilo de Dali nesta mostra. “Ele se preocupa com a sustentabilidade, o nosso consumismo rápido, o desperdício e também matiza os sonhos através das telas”, detalha Liah.

 

Exposição Coletiva “Dalí e de Cá” – Homenagem ao Surrealismo

Abertura: Amanhã, às 20h

Visitação: até o dia 13 de agosto, de segunda a sexta das 9h – 17h; sáb., dom. e feriados 10h – 16h.

Onde: Vila Cultural Cora Coralina (Rua 3 esquina com Av. Tocantins, Centro)

Informações: (62) 3201-9863

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