Um goiano abre a cortina da dinastia comunista da Coreia
Redação DM
Publicado em 11 de outubro de 2016 às 02:45 | Atualizado há 1 ano- Ex-presidente da UEE [GO] e da UJS, Lucas Ribeiro ficou 10 dias na República Popular e vasculhou Pyongyang
- Estudante de Ciências Sociais da UFG tomou a cerveja, comeu Kimchi e viu as belas mulheres do País socialista
- Marxista, ele constatou a economia planificada, arquitetura urbana vintage da era soviética e caminho alternativo ao da China
- Crítico, admite campos de reeducação, transição de poder familiar, execução de tio, realismo estético e exaltação ao regime
Ele consumiu e adorou a Taedonggang, cerveja local. Mais: deliciou-se com o tempero do Kimchi, prato tradicional. O jovem, com indefectível cavanhaque, viu mulheres exóticas, e as classificou como as mais belas da Ásia, em comparação com China e Japão. Preto no branco: relata ainda que o poder, no País, é transmitido mesmo de avô para pai e filho. Com olhar sociológico, examinou a economia planificada, modelo que busca uma alternativa à de Pequim. Na contracorrente do que anunciam os grandes conglomerados de comunicação, revela que mais dois partidos políticos, o socialdemocrata e o Chindoísta, compõem com o PTC a paisagem política do País, embora minoritários. Com os seus próprios olhos, constatou que a população possui uma vida modesta, mas com acesso aos serviços básicos. Campos de reeducação? Sim, eles existem, afirma. Lucas Ribeiro, nascido em Goiânia dia 30 de julho de 1987, talvez seja o único goiano a entrar, nos últimos tempos, na nação mais fechada do mundo, a Coreia do Norte.
Ex-presidente da União Estadual dos Estudantes de Goiás e da União da Juventude Socialista, braço estudantil do PC do B, legenda da foice e do martelo nascida em 1962 que deflagrou a guerrilha do Araguaia [1972-1975], modelo inspirado na guerra popular prolongada formulada por Mao-Tsé-tung, líder da revolução socialista na China, de 1949, ele informa ao Diário da Manhã que a República Popular Democrática da Coreia, com 25 milhões de habitantes, teria se consolidado após 27 de julho de 1953, com a celebração de armistício, abençoado pelos EUA, com a Coreia do Sul. Durante três anos a guerra se alastrou pelo País. Os comunistas obtiveram à época o suporte tanto da China quanto da extinta União das Repúblicas Socialistas Soviéticas [URSS], sob a era do ex-seminarista que expandiu os Gulags, Iossif Vissarionovich Djugavilli, ‘nom de guerre’ Stálin, que morreria em 5 de março de 1953, três me- ses antes do acordo de paz. Moralmente, os Estados Unidos saíram derrotados do conflito, afirma ele.
A República Popular Democrática da Coreia tem a hegemonia política e ideológica do Partido do Trabalho da Coreia [PTC], conta. Dois partidos integram ainda o sistema político, registra. Tratam-se do Partido Socialdemocrata e o Chintoísta, explica. A economia é planificada, frisa. Não há economia de mercado ou propriedade privada dos meios de produção, pontua. Nem eleições diretas, ressalta. A população é organizada, como em Cuba com os seus CDRs [Conselhos de Defesa da Revolução], em comunas populares, adianta. Pyongyang, Capital do País, com dois milhões de habitantes, possui avenidas largas, é arborizada, mantém parques públicos e uma arquitetura ‘vintage’ estilo soviético do século XX, dispara. A propaganda estatal exalta os feitos do regime, destaca. Ex-colônia do Japão, possui, sim, campos de reeducação, como os que haviam na ex-URSS e em Cuba, no início da revolução de 1º de janeiro de 1959, tem a pena de morte em sua constituição, apesar de ser pouco aplicada, atira.
– Um tio do presidente do PTA morreu executado. Mas os EUA também aplicam a pena de morte…
A Coreia do Norte não quer o modelo chinês de reformas econômicas e busca caminhos alternativos, informa ao Diário da Manhã Lucas Ribeiro. O fundador da Coreia do Norte – República Popular Democrática da Coreia – foi Kim Il-sung, que nasceu em 15 de abril de 1912 e morreu em 8 de julho de 1994, aos 82 anos. Monumentos com a sua imagem existem em Pyongyang, diz. O seu filho, Kim Jong-il, que nasceu em 16 de fevereiro de 1941, assumiu o poder e morreu aos 70 anos de idade, em 17 de dezembro de 2011. O seu sucessor, filho, Kim Jong-un, nascido em 8 de janeiro de 1983, é o presidente do PTA e comanda o Estado. Ele estudou na Suíça e possui sólida formação militar, aponta. O mandatário tem, hoje, apenas 33 anos de idade, sublinha. A situação alimentar do País estaria equilibrada, segundo a Embaixada do Brasil, garante. A nação recebe, porém, ajuda humanitária alimentar da Organização das Nações Unidas [ONU], complementa o estudante de Ciências Sociais, um marxista-leninista do século XXI.
– Há uma situação de pleno emprego, os salários são baixos, é possível ver conjuntos habitacionais modernos, sem o luxo do capitalismo, cidades limpas e espírito de coletividade.
As artes exaltam o regime – Como no realismo socialista de Josef Stálin –, confidencia. A Coreia do Norte, que já possui energia nuclear e a bomba atômica, faz fronteira com a Rússia e a China e com a Coreia do Sul, onde existem bases militares americanas, afirma. Ele relata que com o fim da URSS, anunciada por Mikhail Gorbatchev em 25 de dezembro de 1991, a Coreia do Norte mergulhou, como Cuba, em grave crise econômica e social. Números oficiais apontam 350 mil mortos por fome, revela. O período de 1991 a 1997 é chamado de ‘Marcha Penosa’, conta. A crise agravou-se com as enchentes de 1994 e de 1996 e a seca de 1995, frisa. A Coreia do Norte possui uma indústria de médio porte, que corresponde a 40% do Produto Interno Bruto, o setor de serviços, 35% do PIB, e agricultura e pecuária, 25%, mostram números oficiais. Os espaços não ocupados são utilizados para plantios e cultivo, destaca.
“As artes e monumentos exaltam o regime coreano e o fundador da República”
Lucas Ribeiro

A Coreia do Norte em números
1945 Fim da dominação do Japão
1950 Início da Guerra da Coreia
1953 Armistício é assinado
1994 Morre Kim Il-sung
2011 Morre Kim Jong-il
2016 Kim Jong-un está no poder