As negras melodias de Caetano
Redação DM
Publicado em 14 de setembro de 2016 às 02:22 | Atualizado há 1 anoUm mergulho ao mar da Bahia de todos os santos, com olhos na mãe África e os pés no samba. É o que propõe a banda Mundhumano no show Caetano Negro, que será apresentado hoje, no Centro Cultural UFG (CCUFG). Trazendo canções do repertório do cantor baiano Caetano Veloso, que fazem referências à cultura negra, o grupo entra em cena a partir das 20 horas.
Da discografia de Caetano Veloso, aquele que se autodenomina o “mulato branco”, a banda retirou canções que falam de beleza, religiosidade, tradições e da histórica luta pela liberdade do povo negro no Brasil. E para a banda goiana a seleção de músicas do compositor de Você é Linda, que tratassem do assunto, não foi nada difícil. O tema é recorrente em sua carreira, tanto que Caetano até musicou a poesia de Castro Alves Navio Negreiro – uma das faixas garantidas no show de hoje da Mundhumano.
“No show tem canções como Haiti, Yansã e Onde O Rio é Mais Baiano, que é uma música que fala que o samba nasceu na Bahia. Há também duas canções do nosso repertório. Uma é A Voz de Todas as Línguas, que já foi gravada por Cláudia Vieira. A outra é Espelho de Água, uma música de saudação a Iemanjá, ambas são de minha autoria”, adianta o violonista da banda, Kleuber Garcêz.
Este show, de acordo com o músico, nasceu com a ideia de trazer mais representatividade do povo negro junto à música goiana. Por isso, a escolha do cantor e compositor da tropicália. “Pensamos em Caetano, por duas razões: primeiro porque ele é multi, tem olhos para todas as vertentes. Segundo, porque Caetano é muito querido pelo povo goiano e queríamos esta identificação”, argumenta.
E pelo jeito estão conseguindo. Caetano Negro estreou mês passado e agradou em cheio o público. “O show estava lotado e depois dele as pessoas começaram a perguntar se iríamos fazer outra apresentação e quando seria”, celebra Kleuber, completando que a próxima apresentação de Caetano Negro já está garantida e vai acontecer mês que vem, dentro da programação do Festival Internacional de Artes Cênicas – Goiânia Em Cena (que será realizado de 12 a 23 de outubro).
Primeiro EP a caminho
Além de cantar Caetano e a negritude, o grupo formado em 2012, e que nasceu das conversas entre a cantora e atriz Janaína Soldera e o compositor Kleuber Garcêz, engloba com diversos temas em sua música. E sempre pode-se enxergar nas composições do grupo questões sociais, como as diversidade e de gênero, por exemplo.
“O próprio nome da banda tem muito do que somos. Mundhumano une as palavras “mundo” e “humano”, em ligação de irmandade, de mundo mais humano, convidando para dançar e celebrar a vida, sem abandonar as questões de resistência, afirmação e consciência”, argumenta Kleuber.
Tudo isso é colocado no som da banda da forma menos convencional possível, pois os elementos tradicionais da cultura afrobrasileira são recriados dentro de uma linguagem moderna e, segundo a própria banda: “Rompendo, assim com os rótulos de ‘exótico e folclórico’.” Dessa forma, na música dos goianos é possível sentir pegadas do afro-beat, salsa, samba, reggae, carimbó, rap, grooves e batuques.
Mais referências e ideologias a banda vai mostrar ainda no primeiro EP, que está previsto para ser lançado em novembro e vai se chamar Os Deuses Dançam. “Uma das canções deste álbum que até já gravamos chama-se Pedra Fundamental, que Luciana Clímaco gravou no disco dela. O EP terá sete músicas, quase um álbum, para os padrões do dias de hoje”, diz rindo Kleuber.

Show Caetano Negro
Quando: Hoje, às 20 h
Onde: Centro Cultural UFG ( Praça Universitária, Setor Universitário)
Ingressos: R$ 10 (meia) e R$ 20 (inteira)