Batalha da Codorna
Redação DM
Publicado em 23 de dezembro de 2015 às 21:14 | Atualizado há 11 anosO ano de 2015 foi um prato cheio para as culturas hip hop e rastafári na cidade de Goiânia. Nessa sexta, pela quarta vez, o canto da codorna adquire amplificações e distorções, ecoando através do beco que vem se tornando cada vez mais popular no Centro da capital. Além das clássicas batalhas de rap, que trazem o improviso afiado de artistas que emanam a cultura de rua da cidade, o evento apresenta quatro grupos locais, além das pedradas de reggae do grupo Marreta Sound System de Anápolis, responsável pelo comando dos sistemas de som.
Em conjunto com as Batalhas do beco, eventos como o Green City, organizado por coletivos independentes em parceria, vêm trazendo diversidade sonora e opções mais baratas de lazer para a metrópole. A cerimônia tem apresentação do coletivo Riminação de Aparecida de Goiânia, que vem se especializando na organização de batalhas do gênero, e que também comandou outras edições do evento.
Shows
Entre as atrações do evento, que tem inicio marcado para as 18h dessa sexta, destaques do cenário rap/reggae recente de Goiânia. O grupo Clann, formado em 2013 por Ópio, Pedrin, Emici, Mahatma e Kazan, traz a realidade das ruas compactada com estilo em um hip hop tomado por consciência. Também é dia de presenciar o show d’A TropaH2, formada pelos veteranos Ras Tibuia e YellowMan, que trazem um rap crítico e suave, que transborda elementos da música jamaicana.
A poesia de rua ganha ainda mais força no evento através do Vagal Crew, também de Goiânia, que prega emancipação e o poder da mente através de suas letras, com “ideias de evolução, revolução e ação”. Quem também completa o rolê mandando sua letra é o rapper Dudu, direto de Aparecida de Goiânia, que lançou este ano em parceria com Félix a canção ‘Baile da Vida’, com versos como “O Amor aposentou / As flores não brotam mais / O peito reflete a dor / Sociedade sem paz/ Já que o mundo não escuta / O berro de um ser vivo /Nas canetas nasce boca e nos papéis nascem ouvido”, bastante elogiada pelos fãs do gênero.
Quem também fortalece o evento é o artista Henrique Côrtes, que oferece uma tatuagem para o vencedor das batalhas. Os vencedores também terão a oportunidade de gravar uma música no Studio do Beco. Candidatos aos duelos devem inscrever-se no próprio local do evento. Os organizadores do evento convocam a todos em solidariedade à educação pública. No evento serão arrecadados alimentos, no intuito de prestar solidariedade às ocupações de escolas do estado, geridas por secundaristas que se manifestam contra a terceirização e militarização do ensino público de Goiás.
O cunho social dos estilos abordados na Batalha da Codorna é ressaltado pelos organizadores. “O rap e o reggae são ferramentas culturais, modificadoras do meio e do espaço, trazendo emancipação e conhecimento a população periférica, hoje chegamos ao centro, e estamos mostrando a que viemos, e de onde viemos, e essa ação só vai servir de reforço”. A importância de divulgação e documentação da cena também é contemplado. “Com apoio da Ras Sound System contamos agora com estrutura de som e podemos proporcionar um batalha de alto nível, que só vem crescendo tanto em público, quanto no nível dos MCs no freestyle, visando também a cena local, contamos com shows de grupos goianos”.