Espetáculo dos Sentinelas do Cerrado chega em Goiânia
Redação DM
Publicado em 17 de dezembro de 2015 às 18:30 | Atualizado há 1 anoNas últimas décadas, vem sendo retomada a arte de contar histórias. E dessa vez, não apenas por pessoas ligadas à educação, mas também contemplando as várias formações e várias camadas sociais, que se reúnem para partilhar memórias e afeto através das narrativas. Crianças, Jovens e adultos se encantam com uma história bem contada, seja ela retirada de um livro de histórias, de uma narrativa pessoal ou de um fato verídico. A arte de contar histórias é um ato milenar, que reúne pessoas em torno de mensagens, conhecimento e informação desde o tempo em que apenas a oralidade era possível.
O Grupo de Contadores de Histórias Sentinelas do Cerrado, mantendo a tradição de recorrer a memória como fonte de todas as narrativas e experiência do cotidiano, apresenta nesse espetáculo: crônicas, contos e causos que aproximam pessoas, desvendam mistérios, compartilham aventuras, medos, angústias e finais felizes. Afinal, contar histórias não é um ato apenas intelectual, mas é também afetivo. E isso fica melhor ainda quando essas histórias são contadas espontaneamente.
Por isso, é no Tablado que os atores mantêm fidelidade e originalidade em relação ao formato textual dos grandes cronistas e contadores de histórias. Uma vez que os cronistas, em geral, expressam os seus pontos de vista em relação a uma problemática da sociedade, com boa dose de humor, como instrumento para transmitir uma opinião e abordar um determinado assunto, descrevendo situações de acordo com a sua própria visão crítica dos fatos, muitas vezes através de frases dirigidas ao leitor e ao público, como se estivessem estabelecendo um diálogo.

Quando a trupe entra em cena e inicia o primeiro diálogo, fica a sensação de estarmos a conversar com um amigo próximo. Alguns textos acentuam, de forma explícita, essa característica e evocam o público, proporcionando com este um diálogo claro, quase interativo. Afinal, essa é a magia de uma boa contação de histórias, uma forma mais dinâmica, já que os personagens dialogam sem colocar o narrador como figura central,fator este,que nem sempre empolga o ouvinte.E é nessa ocasião que compartilhamos sentimentos, tornamo-nos sensíveis aos sonhos alheios e dividimos não apenas um espaço, mas as imagens, os pensamentos e as emoções.E o mérito é de quem está no tablado, pois a idéia é acreditar naquilo que está se contando,como se quer o cronista que, a cada instante flagrado, deseja mostrar-nos o que o tocou, o que o motivou a compartilhar conosco aquele acontecimento do cotidiano.
E, mesmo na falta de uma fogueira ou das lareiras de nossas avós, podemos fazê-lo aqui e agora, partilhando nossas histórias numa versão do século XXI .
Venha dar muitas risadas e se emocionar com o Grupo Sentinelas do Cerrado, interpretando de forma bem divertida o espetáculo Crônicas do Cotidiano. Venha conferir, no palco, as situações inusitadas que podem estar no cotidiano de qualquer um de nós. Como no diálogo que se desenvolve entre os dois vizinhos que passa de uma simples conversa informal, bem comum, para um envolvimento amoroso. Tudo isso a partir do lixo, texto inspirado na crônica de Luís Fernando Veríssimo. Ou seja, o lixo como um elemento de aproximação entre as pessoas.
E como nada escapa ao olhar atento dos cronistas, o grupo ironiza a prioridade que os brasileiros dão ao futebol. A crônica torna-se um instrumento para criticar uma série de problemas típicos da sociedade brasileira, sobretudo certos costumes e questões sociais que dificultavam o processo civilizatório e o funcionamento do estado. É o que se observa em “O importuno”. Nessa crônica, um cidadão brasileiro anônimo chega a uma repartição pública e não é atendido pelos funcionários por causa do jogo do Brasil. E, ainda para piorar, o transformam em uma espécie de inimigo dos interesses da pátria.
Venha conhecer a magistral interpretação de Chapeuzinho Email, do escritor paulista Adeilson Salles, que faz uma releitura do Chapeuzinho Vermelho para os dias atuais. O cenário é a internet e o Facebook, onde os personagens mostram, de forma lúdica, os perigos da Rede, com o intuito de ser mais que uma estória divertida, mas também educativa. Tem também uma conversa inusitada entre um assaltante e a sua vítima, quando o assaltado tenta negociar o roubo, um diálogo que vai tomando proporções inesperada, cena inspirada a partir da crônica de Carlos Drummond de Andrade.Além de muitas outros diálogos que tratam de questões do cotidiano, como: conflito de gerações, as exigências que a modernidade nos faz para ter um corpo e uma saúde perfeita, racismo, política, acidentes de avião, curiosidade infantil, fim de namoro, etc.
No dia 1º de maio de 2015, O grupo quase lotou as dependências do Teatro Goiânia Ouro. Nessa ocasião, recebeu várias críticas positivas pela boa presença de palco e o humor inteligente. Dia 21 de novembro, a mesma façanha foi repetida no Ponto de Cultura Cidade Livre em Aparecida de Goiânia. E no dia 05 de dezembro, a Livraria Saraiva do Passeio das Águas ficou pequena para receber Os Contadores de Histórias Sentinela do Cerrado. O grupo que já apresentou vários espetáculos em ambientes escolares, em Goiânia e no interior, nasceu de um projeto de incentivo à leitura numa escola da Rede Pública, num bairro periférico de Goianira. O objetivo principal era despertar o gosto pela leitura e proporcionar oportunidades para que os alunos entrassem em contato com diversos gêneros textuais, produzissem textos, desenvolvendo a linguagem oral, e a autonomia. A Trupe é formada por adolescentes com hábitos diferentes dessa geração carimbada de WhatsApp. São jovens com um repertório de adultos que não dispensam a companhia de um bom livro, apesar de viverem numa comunidade de alto risco social, com muita violência, famílias desestruturadas e a sombra constante do fantasma do tráfico de drogas.
A idealização e direção do espetáculo é do historiador Elson Ribeiro, que é aluno da Cia de Teatro Gustavo Ritter. Elson já foi produtor cultural em Goiânia na década de 90, produzindo espetáculos musicais de artistas como Elomar Figueira Melo, Dércio Marques, Saulo Laranjeira, Kátia Azevedo, Rubinho do Vale, Saulo Ribeiro, Chaves Filho e José Miguel Rodrigues. Fazem parte do elenco: Letícia Carvalho, Fernanda Rodrigues, Matheus Miranda, Mariana Cunha, Gisely Soares, Mariana Ubaldo, Ionara Pereira e Nathália Silva. E nesse espetáculo, o grupo ainda tem a companhia do jovem talentoso Vinícius Queiroz, da Cia de Teatro Gustav Ritter,promessa do Teatro em Goiás, que faz uma participação e s-p e-c i-a l.Este ano Vinicius Queiroz participou de várias montagens pela Cia de Teatro Gustav Ritter, como: Vida Útil e o Tosco.
Serviço
Espetáculo: Crônicas do Cotidiano
Grupo de Contadores de Histórias Sentinelas do Cerrado
Dia 19 de dezembro
Local: Teatro Goiânia Ouro
Horas: 20:00hs sem atraso
Valor do Ingresso: 10:00( Dez reais) preço único de meia entrada.