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“Estamos todos no mesmo barco”

Redação DM

Publicado em 7 de abril de 2017 às 02:49 | Atualizado há 1 ano

Depois de uma estreia bem-sucedida na semana passada, o espetáculo Origens retorna aos palcos da Capital e depois deverá ainda sair em circulação pelo estado. Estará em cartaz amanhã e domingo (9) e no próximo final de semana – de sexta (14) a domingo (16) –, na Sala 8, na Praça Universitária, sempre às 20 horas. Depois seguirá para apresentação em Pirenópolis (no dia 21 de abril) e Alto Paraíso (no dia 22 de abril).

A direção e a concepção do espetáculo são de Valéria Braga, que no palco coloca em foco o drama dos refugiados, para discutir origem, território, memória e pertencimento de cada um – refugiado ou não. Devido à tamanha complexidade do tema, a direção procurou misturar linguagens da dança, do teatro e da performance que é expressada no palco através da atuação dos artistas Elena Diego, Fernanda Pimenta e Rodrigo Cunha.

Os atores contracenam em um cenário que tem chamado bastante atenção do público que tem direito a piso espelhado, que foi pensado pelo arquiteto Ricardo Braudes. Outro destaque é a trilha sonora, criada pelo compositor Marcos Galvão, especialmente para a peça.

 

Oficina 

Para mostrar um pouco do processo de criação deste espetáculo, os atores de Origens vão realizar uma oficina de teatro para profissionais e estudantes de Artes Cênicas. Durante três dias (de 10 a 12 de abril), das 14h às 17h, cada um deles vai liderar um vetor da pesquisa cênica de cinco meses que resultou na montagem da peça Origens, na Oficina Cultural Geppetto (Rua 1.013, 467, Setor Pedro Ludovico). A inscrição é grátis e basta enviar um e-mail para [email protected] manisfestando interesse. São oferecidas 15 vagas e o participante pode optar se deseja participar de um, dois ou todos os dias de atividades.

 

Entrevista Valéria  – diretora de Origens

DMRevista– Alguma notícia em especial sobre refugiados te inspirou mais na composição de Origens?

Valéria Braga- O desejo de lutar pela vida – a vontade incondicional de sobreviver – é uma questão para os refugiados e também para nós. São travessias vislumbrando a vida, apesar dos riscos trágicos. Por isso, o título da peça está no plural. O que as pessoas que buscam refúgio e nós temos em comum é que estamos sempre compartilhando águas desconhecidas. Porém, a travessia dos refugiados lança um grande debate sobre a noção de origem, território, memória e pertencimento. E, por vezes, as próprias travessias acabam por se tornar, em alguma medida, o ponto de partida.

 

DMRevista– Como foi a recepção do espetáculo nesses dias em que ficou em cartaz no CCUFG?

Valéria Braga- As pessoas têm saído bem inquietas. É um trabalho que exige um tempo de decantação. Não há uma experiência de término, fechamento de uma trama. As imagens do espetáculo sustentam um estado de reverberação. Para ser mais concreta, após a apresentação da segunda-feira passada, dia 3, fizemos um debate com alguns alunos das disciplinas de Interpretação e Montagem do curso de Artes Cênicas da UFG. Foi um evento generoso, por parte do professor Alexandre Nunes, e riquíssimo, pois ouvimos muitos depoimentos. Como a peça é aberta e não tem uma dramaturgia apoiada em uma história, notamos que acaba despertando no público histórias muito pessoais.

 

DMRevista– Como foi o trabalho com os atores? Eles já tinham esta proximidade com estas três linguagens: dança, teatro e performance?

Valéria Braga- Rodrigo Cunha e eu temos uma parceria que já dura quase 15 anos, nos quais dedicamos ao aprofundamento de um campo de pesquisa cênica em que o corpo presentifica todas as linguagens, porque durante a experiência cênica o gesto se faz som, imagem, superfície, tempo e por aí vai. Somos feitos dessas diferentes texturas. Vejo que Elena Diego ficou surpresa com o processo de trabalho. E, considerando o último trabalho que vi da Fernanda Pimenta e do próprio relato dela, o processo criativo de Origens é algo bem diferente de tudo que ela havia feito. Então, meu trabalho foi construir um barco possível para nossa travessia com sensibilidade e atenção ao material que todos eles trazem.

 

DMRevista– Pode falar um pouco da cenografia e trilha sonora do espetáculo? A sensação que buscavam era a de levar junto o público nessa travessia.

Valéria Braga- A cenografia, proposta pelo arquiteto Ricardo Braudes, tem chamado muito a atenção. Principalmente o piso espelhado, que dá uma ideia de duplo. É uma superfície reflexiva, projeta e incorpora o duplo. Fazendo surgir, de uma certa maneira, um ambiente onírico. Sobre a trilha sonora, criada com exclusividade pelo compositor Marcos Galvão, posso dizer que é uma personagem a mais. Ela dialoga muito com a respiração dos atores e o lacre das fitas adesivas. É uma satisfação perceber que há uma construção coletiva. Depois do nosso primeiro ciclo de apresentações, os atores estão se relacionando bem com os elementos da peça, como o gelo que colocamos em cena. Além disso, cada vez mais deixam de encenar para o público para encenar com o público. E isso é muito importante para a noção de travessia que queremos imprimir: perceber que estamos todos no mesmo barco.

 

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Espetáculo Origens
Quando: dias 8, 9, 14, 15 e 16 de abril, às 20 horas
Onde: Sala 8 (Avenida Universitária, 1.166, Setor Leste Universitária – atrás do Museu Antropológico da UFG – Praça Universitária)
Ingressos: R$ 5 (meia) / R$ 10 (inteira)

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