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Festival Internacional de Cinema discute diversidade sexual e identidade

Redação DM

Publicado em 24 de abril de 2017 às 21:53 | Atualizado há 9 anos

A segunda edição do Festival Internacional de Cinema da Diversidade Sexual e de Gênero de Goiás (DIGO) acontecerá em Goiânia no começo de junho. As inscrições já estão abertas e seguem até o dia primeiro de maio, podendo ser realizadas através do site oficial do Festival. Podem se inscrever curtas e longas-metragens com duração máxima de até vinte e cinco minutos, produzidos a partir de 2015, não podem estar disponíveis na internet, também serão aceitos longas e curtas de qualquer gênero, desde que abordem a temática da “sexualidade humana em suas diversas formas de expressão”.
As premiações contemplarão as melhores produções com o Troféu DIGO, nas categorias melhor direção, roteiro e interpretação em curtas goianos, nacionais e internacionais, a ser julgadas pelo júri oficial o Festival. O público também poderá eleger suas produções preferidos, que serão contempladas com as premiações especiais, dentre as quais está o Prêmio Christian Petermann (Menção Honrosa) para Melhor Filme. O Festival ainda oferece, durante os quatro dias, mostras paralelas e competitivas, realização de performances, teatro, exposições do artista plástico Vinícius Figueiredo e do fotógrafo Alejandro Zenha, e debates sobre a diversidade sexual e de gênero.
O Festival é realizado com o uso de recursos próprios, com ajuda voluntária de parceiros, com o intuito de estimular e promover a conscientização e o respeito aos direitos humanos. O DIGO é pioneiro na região Centro-Oeste e obteve repercussão mundial na cena cinematográfica sobre a diversidade sexual e de gênero. Tem como objetivo evidenciar a 7° arte articulando audiovisual, educação e tecnologias para ampliar o universo da expressão e da percepção estética da diversidade de Goiás, do Brasil e do mundo. O DIGO faz parte da Red DIVERCILAC – Diversidad en el Cine Lationamericano y Caribeño, o que proporciona a possibilidade de os inscritos participarem da programação em festivais internacionais, em regime de network, e mostras especiais itinerantes.

Entrevista com Cristiano Sousa, diretor e produtor do DIGO:

DM Revista: Como surgiu a ideia e de quem partiu a iniciativa em transformar o DIGO em algo concreto?
Cristiano Sousa: Há 3 anos decidi assumir o cinema como atividade principal, estudei cinema e realizei diversos curta metragens independentes com o tema de diversidade sexual que ganharam diversos prêmios e foram selecionados em mostras no mundo todo. Percorrendo os festivais como realizador, percebi que no Centro Oeste não havia nada parecido do gênero e por isso surgiu a necessidade de se criar algo relacionado a diversidade em Goiás, para realizadores como eu, que queiram ousar sem a preocupação de serem barrados pelo tema, por isso surgiu o DIGO como uma necessidade de transmitir ao público goiano toda a cultura, a energia positiva, conhecimento e aprendizado que os festivais de cinema podem oferecer, criando um ambiente seguro para que as pessoas possam se identificar sem a preocupação de fobia ou preconceito podendo exercitar e criar para um público sem preconceitos. A primeira edição aconteceu com bastante luta já que o tema LGBTI é ainda tabu e sofre resistência em alguns meios, não conseguimos apoio em leis de incentivo (onde tivemos a resposta que não havia público interessado em Goiás, por exemplo) mas decidimos realizar através de voluntariado, amigos, e parceiros como a Dra. Cristina, Cine Cultura, CREI  e empresas privadas o que resultou em um evento acima da média com várias atividades, oficinas, mostras competitivas de curta nacionais e internacionais, longas metragens inéditos na região, mesas e muito debates que recebeu um público não só de Goiás, mas também de outros estados e até do exterior, com repercussão internacional  o que provou sobre a necessidade de um evento assim na região.
A segunda edição continua sendo um evento independente mas muito maior que o primeiro com muitas performances, atividades e filmes excelentes que irão compor uma programação bastante interessante além de exposições de arte realizadas exclusivamente para o DIGO agora no Centro Cultural da Universidade Federal de Goiás.

DM Revista: O projeto articula audiovisual, educação e tecnologias para ampliar o universo da expressão e da percepção estética da diversidade de Goiás, do Brasil e do mundo. Dentro do quesito “educação”, nesta e na edição anterior, houve a preocupação dos cineastas participantes em abordar a questão de identidade de gênero para crianças?
Cristiano Sousa: Ainda estamos em processo de inscrição, na primeira edição tivemos 202 inscrições sendo apenas 90 relacionadas ao tema da diversidade sexual e de gênero,  nesta edição já passamos das 250 inscrições com possibilidade de muito mais já que as inscrições se encerram no dia 1 de maio e muitos deixam para a última hora. Percebemos que todas as inscrições se relacionam com o tema da diversidade. Desde a primeira edição quando nesta, até o momento,  existem diversas obras que abordam a questão de identidade de gênero para todos os públicos incluindo crianças – ressaltando os conflitos e as dificuldades de abordagem ao tema já que se tem muito a aprender sobre. A importância de um festival nesta “educação” é contribuir através da linguagem cinematográfica vivências e situações relacionadas a sexualidades sempre com muita discussão e bate papo, onde todos aprendem independente da sexualidade, oferecendo a possibilidade de se estar “na pele” do outro e entender essas dificuldades e assim através da aceitação salvar vidas e amar o ser humano independente de rótulos. Essa é a importância de um festival de cinema temático – levar para a sociedade através do cinema as emoções da humanidade.O festival está sempre atuante e promove mostra itinerantes o ano inteiro e parcerias teatrais que abordam a sexualidade para todos os públicos – incluindo uma peça destinada ao público infantil realizada pelo Teatro Zabriskie.

DM Revista: Que tipo de impacto o Festival Internacional de Cinema da Diversidade Sexual e de Gênero de Goiás pretende gerar na sociedade?
Cristiano Sousa: O impacto que o Festival pretende gerar na sociedade é promover um espaço livre de julgamentos e preconceitos onde se pode aprender através do cinema e de atividades a não violência contra o diferente que não é tão diferente assim e que somos iguais. Um lugar de alegria e aceitação, onde não há perseguições ou violência e que se trata de um festival de cinema para TODO O PÚBLICO e para TODAS AS SEXUALIDADES, e que todos são bem vindos para viver a cultura da diversidade e assim aprender sobre todas as possibilidades, não cultivando preconceitos ou fobias, primando pelo respeito. Na primeira edição recebemos  mensagens de pessoas que disseram que tiveram as vidas transformadas na questão de estarem mais a vontade com a sua sexualidade e a dos outros, porque se identificaram nas telas, aprenderam nos bate papos e atividades que a tiraram do senso do preconceito ou culpa.

DM Revista: Qual a repercussão gerada a partir da primeira edição do Festival? E as expectativas para a edição deste ano?
Cristiano Sousa:A primeira edição do festival  inspirou novos eventos sobre o tema, teve repercussão internacional e muito interesse do público em novas edições. A segunda edição tem muitas novidades como exposições exclusivas de audiovisual e fotográficas com a colaboração de Alejandro Zenha, exposição de Vinícius Figueiredo, Oficinas de Drag Queen, Stilleto e Curta Metragem, teatro, performances, feira LGBTI -,muitas novidades que prometem movimentar quem for ao festival com várias atividades acontecendo ao mesmo tempo, garantindo a diversidade também na programação.

 

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