Goiânia celebra a saudade
Redação DM
Publicado em 24 de junho de 2016 às 02:47 | Atualizado há 1 anoA música sertaneja é uma febre nacional já há alguns anos. Aqui em Goiás o gosto pela música sertaneja virou de certa forma uma identificação genérica de “goianidade”. Um ano atrás, um dos mais famosos cantores sertanejos na época morreu precocemente aos 29 anos. Cristiano Araújo faleceu após um acidente de carro na rodovia durante a volta de um show, sua namorada Allana Moraes que o acompanhava também veio a óbito na ocasião.
O músico teve um grande ponta pé em sua carreira após participar de um programa de auditório da Rede Globo e ganhou fama por todo o País. O último disco do cantor foi lançado no ano de 2014 depois de uma sequência de três discos que foram sucesso de público, sendo o primeiro trabalho de 2011.
A comoção pela morte do cantor muito fez lembrar a tristeza generalizada na cidade de Goiânia no ano de 1998 por ocorrência da morte de um dos integrantes da dupla goiana de sertanejo mais querida de todos os tempos, os célebres habitantes de Goianápolis, Leandro e Leonardo. Leandro, que fazia parceria com seu irmão, morreu por conta de um câncer.
Da mesma forma que as celebrações fúnebres de Leandro levaram milhares de pessoa ao seu velório e enterro, Cristiano, após sua morte, movimentou pessoas de outras cidades e até outros Estados em busca de uma despedida de seu ídolo.
A missa de sétimo dia da morte do cantor reuniu cerca de 8 mil pessoas na igreja que sua família frequentava e onde ele mesmo já havia ido após a fama e cantado durante os cultos religiosos. Na mesma igreja, na noite de ontem, foi realizada a missa de um ano de morte.
Homenagem por um ano de morte
Ontem, o cantor Cristiano Araújo foi lembrado com uma missa na Paróquia Nossa Senhora da Assunção, na Vila Itatiaia, em Goiânia. Cerca de 5 mil pessoas participaram da cerimônia celebrada pelo padre Marcos Rogério de Oliveira, sacerdote muito querido pela população católica goiana. Os números do evento são de acordo com contagem da Polícia Militar.
Na missa, João Reis, pai do artista, subiu ao altar com Bernardo, de três anos, filho caçula do sertanejo, nos braços. “Obrigado por amarem o Cristiano como todos nós amamos. Obrigado por tudo”, afirmou. Ainda na missa, foi exibida uma projeção de imagens de Cristiano. Um telão mostrava fotos dele e de Allana Moraes. O ponto alto da celebração foi o momento em que um holograma do cantor apareceu no palco ao lado do Padre Marcos Rogério, causando comoção geral em todos os presentes.
O pároco lembrou momentos da vida do cantor e da sua namorada e pediu orações para o casal. “Cristiano e Allana viveram com muita intensidade. Não estamos aqui para celebrar a morte, mas sim a vida. Mesmo com toda a saudade, os pais estão aqui de pé porque a vida de Cristiano e Allana foi eternizada. Eles continuam vivos em cada gesto, em cada palavra. Os sonhos deles estão sendo concluídos diante de Deus”, disse Marcos.
A celebração, além de milhares de fãs e as homenagens comuns em missas de aniversário de morte, ainda teve interpretação das canções do artista por familiares e amigos. O irmão dele, Felipe Araújo, que acaba de gravar um DVD, interpretou Noites Traiçoeiras. O cantor Gabriel Gava cantou, em homenagem ao amigo, Amo Até o Céu e, acompanhado de forma emocionada pelo público, cantou Cê que Sabe, canção que contém o refrão “o que temos para hoje é saudade”.

