Desativada 2

Nova Psicodelia Digital

Redação DM

Publicado em 11 de outubro de 2016 às 02:37 | Atualizado há 1 ano

O universo musical também vive a nova realidade virtual. Impulsionada pelo amadurecimento da internet, a indústria da música passa por um processo de digestão tecnológica. O ápice dessa reformulação está no surgimento do gênero musical chamado de vaporwave, que teve início em 2010 e foi o primeiro a ser concebido em um ambiente completamente virtual, através de artistas anônimos e de várias nacionalidades. Um dos nomes mais conhecidos de tal meio é o produtor musical Blank Banshee, responsável pelo icônico álbum Blank Banshee 0, de 2012, lançado virtualmente na plataforma Bandcamp. Quatro anos se passaram, e depois de ter ganhado bastante visibilidade, ele lança seu terceiro disco sob grande expectativa dos fãs.

O álbum foi oficialmente anunciado no dia 1º de outubro de 2016, mas o produtor já dava indícios de que estava trabalhando em um novo projeto desde 2014. O álbum, que ganhou o nome de Mega, foi lançado por volta das 10 da manhã de ontem, e apenas comprovou que o vaporwave, mesmo que de forma tardia, vem alcançando uma fama cada vez maior ao redor do mundo. Blank Banshee é na verdade um pseudônimo. O produtor consegue manter sua verdadeira identidade desconhecida, e aparece apenas com o rosto coberto por máscara. É comum que artistas do estilo escondem seus verdadeiros nomes como um sinal de manifesto à milionária indústria musical, pois eles trazem um pensamento de livre compartilhamento, refletindo poder de fluidez e multiplicação da internet.

O vaporwave faz uma espécie de reciclagem de músicas pop dos anos 1980 e 90, através de recortes que ganham um tratamento de desfiguração. Esses recortes podem ter a velocidade diminuída, aumentada, ganhar eco, eles são computadorizados ao extremo, refletindo a voz da virtualidade e materializando a intimidade que existe entre as pessoas e seu computador pessoal. Blank Banshee ficou conhecido por fundir o vaporwave com outro estilo, conhecido como trap, derivado do hip hop. O álbum Blank Banshee 0 é considerado o precursor do vaportrap, o que fez com que ele chamasse a atenção da mídia especializada. A revista online The Fader escreveu uma resenha positiva sobre o disco, chamando-o de “obra-prima da nova psicodelia digital”.

 

Bandcamp

O lançamento do disco foi anunciado na página do Facebook do artista, e em poucas horas acumulava milhares de compartilhamentos e comentários em vários idiomas. A postagem, que foi feita às 5 da manhã no horário de Vancouver, no Canadá (única informação disponível sobre a atual localização de Blank Banshee), contém um link para a plataforma Bandcamp, onde Mega pode ser escutado gratuitamente. Este site possibilita que artistas disponibilizem sua música, também gratuitamente, e incentiva os ouvintes a doarem alguma quantia (à sua escolha) em dinheiro para apoiar o trabalho dos artistas. O site cobra apenas 15% do valor arrecadado com as vendas, caso ocorram. A dinamicidade do Bandcamp foi muito importante para o alastramento do vaporwave.

A recepção de quem acompanha o trabalho do músico desde o início foi eufórica. “Valeu muito esperar! Esta é sem dúvidas sua melhor obra até agora. A mistura de composições originais com samples que todos nós conhecemos e amamos de uma maneira que nunca vimos antes cria uma única e genuína experiência. Os traços sutis de melancolia distribuídos em vários momentos também são geniais. Blank Banshee não apenas solidificou sua reputação como melhor sampleador de todos os tempos com este lançamento”, comentou um fã na página dedicada ao álbum no Bandcamp. “Sublime e sofisticado. A produção de Blank Banshee se desenvolveu muito desde o último trabalho”, escreveu Adam Dratsky, usuário do site.

 

2814

O ano de 2016 segue cheio de lançamentos para os fãs de vaporwave. Outro destaque disponibilizado recentemente foi o álbum Rain Temple, da dupla 2814. O trabalho veio em sequência do disco (que pode ser traduzido como O nascer de um novo dia – no vaporwave é comum que os títulos sejam escritos em caracteres japoneses, é uma opção estética), lançado em 2015. Este disco é considerado uma das primeiras iniciativas pós-vaporwave, tendo em vista que não são utilizado samples, mas instrumentos musicais que reproduzem a atmosfera introspectiva do gênero. A dupla 2014 é formada por dois artistas de renome no cenário vapor: Hong Kong Express, que vive em Londres, e Telepath, que atualmente vive em algum lugar dos Estados Unidos.

 

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