O ápice da intolerância
Redação DM
Publicado em 30 de outubro de 2015 às 15:57 | Atualizado há 1 anoHoje, na tradicional comemoração norte-americana Halloween – que respingou aqui no Brasil como o Dia das Bruxas -, relembramos uma verdadeira e cruel “caça às bruxas”. Na realidade, a história é mais um triste episódio de fanatismo e intolerância religiosa, que resultou na morte de 19 pessoas. Tal acontecimento ficou conhecido como o lendário caso das Bruxas de Salém. E, não apenas inspirou livros e filmes, como colaborou na luta defesa pela liberdade religiosa nos Estados Unidos.
A história tem como cenário o vilarejo de nas cidades de Boston e de Salem, no atual estado de Massachusetts. Tufo teria começado em 1691, quando Betty, filha do reverendo Mister Parris, começou a apresentar comportamentos estranhos: se jogava no chão, caía petrificada na cama se recusando comer, grunia e latia. Sem embasamento científico algum, o médico da cidade diagnosticou a garotinha, como vítima de feitiço. E, logo o caos estava formado.
Como acontece muito em cidades pequenas não demorou a se espalhar o boato de que o demônio estava naquelas cidades. E tudo piorou depois que outras meninas amigas de Betty, também apresentaram o mesmo sintoma.
No tribunal, as garotas foram pressionadas a identificar quem as estava enfeitiçando. As acusações se basearam na chamada “prova espectral”. Isto é: o diabo trabalharia por intermédio de interpostas pessoas, alterando seus “espectros”.

Tituba, uma escrava negra da região, foi a principal acusada. Ela teria contado algumas histórias vudus (religião tradicional da África Ocidental), para as garotas educadas sob uma educação rígida, que ficaram perigosamente impressionadas.
Tibuta, incrivelmente assumiu todas as acusações e “entregou” várias outras pessoas. Os julgamento de mais de 200 pessoas supostamente envolvidas com bruxaria, foram realizados perante o juiz Samuel Sewall. Cotton Mather, um pregador colonial que acreditava em bruxaria, encarregou-se das acusações. Dessa forma, o medo da bruxaria durou cerca de um ano. O caos reinou na cidade, pois para a população todos eram suspeitos de tais atos “satanistas“.
Todas as pessoas indesejadas da região, intuitivamente, foram alcançadas pelas forças processantes. A primeira enforcada chamava-se Sarah Bishop, dona de uma taverna. Qual a acusação? Seu “espectro” teria pairado sob o berço de uma criança, que teria sofrido e que em seguida morreu.
Um dos homens, Giles Corey, morreu, de acordo com o bárbaro costume medieval de ser comprimido por rochas em uma tábua sobre seu corpo até morrer, levando ao total três dias. Foram presas cerca de cento e cinquenta pessoas, 19 delas, a maioria mulheres, foram declaradas culpadas de realizar bruxaria e executadas.
A situação só foi se acalmando com o tempo, especialmente com a vinda de um novo governador para a colônia, que passou a contar com uma outra Constituição (Charter). Muitas condenações foram revistas, e algumas famílias de vítimas foram indenizadas.
Na dramaturgia
Este triste episódio inspirou e muito o mundo da ficção. A primeira produção baseada no episódio, foi a peça teatral escrita no início da década de 1950 pelo dramaturgo Arthur Miller em 1953. O espetáculo foi ainda uma resposta ao macartismo, período no qual o governo estadunidense passou a perseguir pessoas acusadas de comunistas.
Esta peça foi adaptada duas vezes para o cinema. A primeira adaptação, intitulada Les Sorcières de Salem, foi feita na França em 1957 por Jean-Paul Sartre. A segunda, intitulada The Crucible, foi produzida em 1996 pelo próprio Miller, que recebeu uma indicação ao Oscar de melhor roteiro adaptado.
Em 1961 a peça foi adaptada para o formato de ópera pelo compositor Robert Ward, que recebeu um prêmio Pulitzer de melhor música por seu trabalho nessa adaptação. Também houve várias adaptações para a televisão, as mais notáveis são a de 1967 com George C. Scott no papel principal e a de 2002, intitulada Salem Witch Trials, com Kirstie Alley e Rebecca De Mornay.
Outro longa inspirado no episódio é As Bruxas de Salém. Dirigido por Nicholas Hytner. Este filme tem no elenco: Paul Scofield, Winona Ryder e Daniel Day –Lewis .
