Desativada 2

O cuidado fotográfico

Redação DM

Publicado em 4 de abril de 2017 às 02:39 | Atualizado há 9 anos

Fotografar já é por si só uma arte que exige cuidado, respeito e paciência por parte do artista. A melhor luz, o melhor ângulo, o olhar mais expressivo do fotografado, tudo isso são fatores externos, alheios à experiência do fotógrafo, mas que são fatores determinantes para um resultado espetacular numa fotografia seja ela de paisagens, fotos publicitárias, de casamentos, aniversários e até mesmo de balada. Imagine então o cuidado redobrado que um fotógrafo deve ter ao registrar momentos tão íntimos quanto um parto. Um momento de intensa ligação entre os pais, médicos e o bebê que está para pôr os olhos nesse mundo veloz e faminto pela primeira vez, e vice e versa.

A fotógrafa Patrícia Bicalho, especialista em fotografia de parto, explica como deve ser o trabalho fotográfico nesses casos: minucioso e atento. “Estamos falando de um instante que não volta, então não podemos perder nenhum ponto. É sobre registrar a expressão de um pai, a lágrima de uma mãe ao escutar o chorinho do bebê pela primeira vez’’, comenta. Para a fotógrafa, registrar um momento tão único quanto um parto é registrar tudo aquilo que a mente falhar em guardar. Momentos como a expressão dos pais, a tensão do lado de fora da sala de parto, a primeira troca de roupinhas, tudo merece um olhar cuidadoso e atencioso do fotógrafo. “É preciso saber lidar com qualquer tipo de situação com profissionalismo, já que o trabalho é realizado em ambiente pequeno, com luz desfavorável e esterilizado”, explica Patrícia Bicalho.

Christyanne Freitas é médica pediatra e comenta bem-humorada o porquê da escolha de um profissional para registrar o parto de sua filha Elisa, nascida em janeiro deste ano. “Contratei uma fotógrafa primeiramente porque o melhor dia da minha vida precisa ser eternizado, e segundo porque as fotos tiradas por acompanhantes pelo celular sempre ficam tremidas”, ri a mamãe orgulhosa.

Partolândia

“Partolândia” é o termo definido usado pela fotógrafa Patrícia Bicalho para definir o estado em que as mães se encontram no momento do nascimento do filho. Segundo a fotógrafa, as mães não veem, não ouvem e não sentem nada que não esteja relacionado ao nascimento da criança naqueles momentos. Sendo assim, encontram-se na Partolândia, imunes aos acontecimentos externos. “A mãe está conectada com o seu eu mais íntimo, e não consegue visualizar o que está de fato acontecendo. Algumas já até me perguntaram, na entrega do álbum, se eu estava realmente lá”, relembra.

Patrícia ressalta que, em razão do ambiente (sala de parto) onde são realizadas as fotos, não se requer nem se dispõe de muita produção, mas é necessário muita disposição, discrição e sensibilidade, além de entender o funcionamento de um centro obstétrico. “As fotos representam uma história que deve ser contada em detalhes e com amor. É um registro documental”, conclui Patrícia.

“O mais impressionante das fotos de parto é que podemos sempre rever aquele dia mágico, e observar cada detalhe tranquilamente. É importante que você contrate alguém por quem tem empatia e confiança, e principalmente se sinta à vontade, pois é um momento de completa exposição e intimidade. Além disso, devemos observar a discrição do profissional e a qualidade das imagens, que deve captar a naturalidade e espontaneidade dos instantes vividos na sala de parto”, aconselha a mãe e pediatra Christyanne. A pediatra passou muito mal durante o parto da filha Elisa, e aliado ao nervosismo as memórias do parto eram bem poucas. Ela afirma que rever as fotos do parto causam-lhe muita emoção e alegria.

Tags

Leia também

Siga o Diário da Manhã no Google Notícias e fique sempre por dentro

edição
do dia

Impresso do dia