Desativada 2

O garoto cresceu

Redação DM

Publicado em 5 de abril de 2016 às 02:01 | Atualizado há 10 anos

Sambista, carioca, sangue bom e talentoso. Este é Dudu Nobre, que ao chegar em Goiás para dois shows que acontecem hoje traz também um pouco da alma boêmia carioca à estas terras. O artista irá se dividir em apresentações no Alabama Bar, em Goiânia, e no Brasileiríssimo em Anápolis, no projeto chamado Feijoada Du Nobre, que terão ainda participação de artistas locais e ambos, começam a partir das 12h.

Tanto na apresentação no Alabama, como no Brasileiríssimo, o artista inaugura a chamada Feijoada Du Nobre, um projeto no qual o artista traz um show intimista, ao lado artista locais e celebra uma mistura tipicamente brasileira: feijoada e samba. Em Goiânia a banda Quero Mais irá abrir o show e o grupo também participa do show de Anápolis juntamente com os pagodeiros do OuSambaí e o DJ Limma.

Para os dois shows Dudu Nobre chega com canções que ganharam o público por meio de sua voz, a exemplo:A Grande Família,Goiabada Cascão,No Tempo de Don-Don, e, em rápida entrevista ao DMRevista por telefone, o cantor fez uma recomendação: “a rapaziada pode ir com disposição para sambar”.

Vários projetos

Assim, o afilhado de Zeca Pagodinho, bom no cavaquinho e com inspiração para improvisar uma canção em segundos, chega mais uma vez no estado como uma promessa que se concretizou. Mesmo sem lançar algo novo há quase dez anos – o último trabalho foi o disco Ainda é Cedo(2007), ele se tornou um artista requisitado até nos palcos do mundo.

Mês que vem, por exemplo, embarca para Europa e Estados Unidos em turnê internacional, que, como o próprio diz, acontece todos os anos desde 2006. Isso prova que o “garoto Dudu” (apelido, que intitulou seu segundo álbum lançado em 2001) cresceu. Pelo menos musicalmente. Até agora o artista já lançou doze álbuns, e mesmo longe do padrinho famoso, se consagrou como um importante nome do chamado Partido Alto.

E, embora o plano de gravar disco novo com inéditas tenha de esperar os Jogos Olímpicos – Rio 2016 – que acontece no Rio de Janeiro em agosto – passarem, ele não para. Este ano deve lançar um disco apenas de música instrumental em parceria com DJ Negralha (de O Rappa), no qual vai mistura chorinho e samba à música eletrônica e ao funk.

Já outra faceta que tem se dedicado, na verdade, faz parte de suas origens: os sambas-enredo. Este ano, por exemplo, foi a canção que ajudou a compor- “Semeando Sorriso, a Tijuca festeja o Solo Sagrado”- , que embalou a passagem da escola de samba carioca Unidos da Tijuca.

Ele foi também um dos compositores dos sambas-enredos da Unidos de Vila Maria – em São Paulo – e da Mocidade Unida da Glória (MUG) – de Vila Velha, que inclusive, foi a vice campeã do Carnaval de Vitória este ano. “Eu começei a fazer samba-enredo quando tinha 10 anos. Fiquei um período afastado e agora, em 2014, eu voltei. Eu acho bem bacana este lado, pois tem algumas particularidades, que é uma disputa com mais uns 30 sambas. É emocionante e trabalhoso. Mas, a gente vai que vai!”, brinca o sambista.

Inspiração

Composições e rimas, aliás, para o artista saem de forma quase instantânea. Este dom, ele conta que herdou de sua maior escola: o Partido Alto. “Esta questão do improviso sempre foi uma parada tradicional e a gente segue essa linha. É uma coisa que é tranquila, fazemos músicas brincando. Quando é para tocar em rádio fazemos uma coisa mais elaborada. Mas, de vez em quando sai uma brincadeirinha também”, revela sorrindo.

Nas composições mais sérias, conta que tenta colocar um pouco do seu dia a dia e tudo que vê e escuta. E as suas mensagens tem chegado longe. Até mesmo em terras onde a tradição do samba não é exatamente predominante. “O sertanejo em Goiás realmente é forte. Tem uma galera que investe e faz grandes eventos. Por outro lado o Brasil é muito eclético e tem espaço para todo mundo”, analisa.

E a distância entre este público eclético que conquistou, Dudu Nobre tenta diminuir com a ajuda de um aliado bem comum hoje em dia: as redes sociais. Para comunicar com os fãs, o Instagram é o meio preferido do artista que assume que para administrá-lo também conta com a ajuda de sua equipe. Afinal, sambista é um bicho solto. “Se a pessoa não tiver controle, a internet pode virar vício. Quando a gente vê perdeu meia hora do dia no celular. Tem que ter um cuidado com isso”, alerta rindo.

Sobre o atual momento político, o artista também está “ligado”. E, para ele, a renovação deve acontecer de forma ampla. “O brasileiro tem que aprender a votar também para vereador, deputado e senador. As pessoas têm votado de maneira errada e, o voto de protesto atrapalha também, o povo tem que ter uma direção”, argumenta, agora em tom mais sério.

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