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“Sempre conto histórias com minhas gravuras”

Redação DM

Publicado em 11 de abril de 2015 às 01:58 | Atualizado há 1 ano

Rariana Pinheiro, Da editoria DMRevista

A Plus Galeria abre hoje,com direito a vernissage às 17h, a primeira mostra individual, após inauguração de seu espaço físico. O local, que há cerca de cinco anos funcionava virtualmente, se concretizou no Setor Sul, com um intuito de se tornar um ponto de encontro para amantes do mundo das cores. O primeiro nome a começar esta história será o do gravador e impressor Ramon Rodrigues. Por meio das xilogravuras, na mostra que leva seu nome, ele vai apresentar obras que dialogam com outras expressões a exemplo do cinema, literatura e música.

As obras de Ramon ficam em cartaz até o dia 11 de junho e, amanhã o artista irá realizar workshop de xilogravura durante todo o dia, no mesmo local. Lydia Himmen, curadora da instituição, conta que nesta exposição os goianienses poderão ter contato com aquele que é um dos nomes dos mais expressivos da arte brasileira da atualidade.

“Ele faz coisas inimagináveis com a xilogravura. Apesar de muito jovem, é um grande mestre gravador e impressor, isso fora o desenho com suas luzes e sombras incríveis. É um artista completo que chama cada vez mais atenção de colecionadores do mundo todo”, observa.

A exposição retrata os últimos cinco anos de trabalho do artista, especialista no entalhe das matrizes de madeira e em suas impressões sobre o papel de algodão. Ramon estudou e expôs no Brasil e na Argentina, e é representado pela Plus desde 2011.

 

Arte e cevada

Na exposição, Ramon Rodrigues irá ainda dar continuidade a um projeto desenvolvido pela Plus Galeria, chamado “Cerveja Plus Edições Artísticas”. Nesta série o mestre cervejeiro Dwain Santee foi convidado para produzir cervejas especiais, que teriam seus rótulos serigrafados por artistas. “A primeira foi uma Porter (Ale) do Oscar Fortunato, linkada com o seu livro Tipo Assim, durante seu lançamento”, explica Lydia Himmen.

Segundo a participar do projeto, a cerveja assinada por Ramon Rodrigues recebeu o nome “Herege”. A bebida é resultado da fermentação de malte com três tipos de uva: niagara, isabel e rubi. O rótulo foi criado por Ramon e aplicado diretamente na garrafa pela técnica da serigrafia, por Oscar Fortunato, com tinta porcelana líquida.

“A próxima cerveja será uma Weiss com rótulo do artista goiano Rustoff, todas elas impressas serigraficamente com tinta especial (resistente e que não descasca) diretamente na garrafa pelo artista Oscar Fortunato, especialista no assunto”, conta a curadora.

Abertura da Exposição Ramon Rodrigues

Quando: Sábado (11), das 17h às 21h

Onde: Plus Galeria (Rua 114 nº 70, Setor Sul – Goiânia)

Entrada franca. Obras de arte, comidas e bebidas à venda

Informações: (62) 3278-2582 ou [email protected]

 

ENTREVISTA RAMON RODRIGUES

 

 DMRevista – Como e quando você se encantou pelo mundo das artes e como encontrou a xilogravura?

Ramon Rodrigues – Desenho desde que me lembro. Aos 11 anos de idade eu fiz com meu pai um curso profissionalizante no Senac de desenho e pintura. A gravura (primeiro litogravura, depois xilogravura), conheci nas oficinas de artes da Fundação Catarinense de Cultura em 2008. Depois estudei xilogravura em Buenos Aires e nunca mais parei.

DMRevista – O que achou de participar deste projeto de Cervejas Plus Edições Especiais? Em que pensou ao criar?

Ramon Rodrigues – Achei muito interessante. Gosto muito de cerveja e ter uma feita por mim é demais. Pensei em manter uma coerência da proposta da cerveja feita pelo Dwain Santee com meu trabalho, acredito que tenha funcionado bem.

DMRevista – Poderia dizer que sua arte é gótica? Como você a define?

Ramon Rodrigues – Não, não definiria como gótica. Eu me influencio por diversas coisas, não curto muito essa coisa de rótulos. Meu trabalho é uma mistura de tudo que eu gosto e que me influencia como música, cinema, literatura, desenho, outros artistas visuais, etc.

DMRevista -A obra do escritor Edgar Allan Poe te influencia muito também?

Ramon Rodrigues – Sempre gostei dele e me interesso pelo fato de ele escrever geralmente contos e com temáticas que de alguma forma fecham com o que eu gosto. Para mim o conto é muito próximo do que faço. Tento sempre contar uma história com minhas gravuras.

DMRevista – Além desta exposição atual, quais outras exposições já participou?

Ramon Rodrigues – Já expus em diversos lugares e já viajei bastante para dar cursos, expor, me apresentar com a Gráfica Clandestina… Acho que está aumentando esse alcance e espero que continue se expandindo.

DMRevista – Como você analisa a arte de Florianópolis, onde mora com a de Goiânia?

Ramon Rodrigues – Tanto Goiânia quanto Florianópolis tem um potencial interessante de produção artística. Porém acho que as duas ainda tem muito a crescer, tanto no sentido de incentivo do governo para uma produção relevante e mais consistente de arte quanto no próprio interesse das pessoas. Mas uma coisa leva a outra…

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