The Wall Live in Berlin
Redação DM
Publicado em 21 de julho de 2016 às 02:29 | Atualizado há 10 anosNo dia 21 de julho de 1990, na capital alemã Berlim, era realizado um dos maiores espetáculos musicais do mundo, idealizado pelo cantor e compositor Roger Waters, ex-membro do Pink Floyd. A descomunal estrutura construída entre a Praça Potsdamer, no centro de Berlim, e o Portão de Brandeburgo suportou um show assistido por quase 500 mil espectadores. No concerto, estavam presentes vários artistas, entre eles Bryan Adams, Cindy Lauper, Sinead O’Conor e a banda Scorpionsa, além da Orquestra Sinfônica de Berlim e do ator Albert Finney, que interpreta “o juiz” na penúltima canção. No Brasil, o show foi transmitido ao vivo pela TV Bandeirantes.
O show foi encomendado pela prefeitura de Berlim, que também determinou a localização específica para a realização da apresentação. O terreno onde o concerto foi realizado era conhecido como “terra sem dono”, e o palco foi erguido onde antes estava o muro derrubado oito meses antes. Foi também a primeira vez em que todas as músicas do álbum The Wall foram apresentadas desde que Waters abandonou o Pink Floyd.
The Wall é uma ópera-rock centrada em Pink, um personagem fictício baseado no próprio Roger Waters, que compôs a maior parte das canções. As experiências de vida de Pink começam com a perda de seu pai durante a Segunda Guerra Mundial, e continuam com a ridicularização e o abuso de seus professores, com sua mãe superprotetora e, finalmente, com o fim de seu casamento. Tudo isso contribui para uma autoimposta isolação da sociedade, representada por um muro metafórico.
O simbolismo representado tanto pelo local, pelas músicas e pelo contexto histórico, político e social da Alemanha e de todo o mundo foram de um impacto tão surpreendente e comovente que, até hoje, emocionam milhões de fãs, tanto do cantor, quanto da própria obra. O espetáculo também evidencia a importância da arte e da música como manifestação social e como um meio de buscar a pacificação e união entre as diversas culturas e ideologias presentes no mundo.
Construído no dia 13 de agosto de 1961, este muro era patrulhado por militares da Alemanha Oriental Socialista, com ordens de atirar para matar os que tentassem escapar (a famigerada Schießbefehl ou Ordem 101). Esse tipo de ação provocou, segundo dados do regime socialista, a morte de 80 pessoas, 112 feridos e milhares de aprisionados nas várias tentativas de fuga para o ocidente capitalista, além de separar, até sua queda, dezenas de milhares de famílias berlinenses que ficaram divididas e sem contato algum. Os números de mortos, feridos e presos são controversos, pois os dados oficiais do fechado regime socialista são contestados por diversos órgãos internacionais de Direitos Humanos.
No dia em que o muro começou a ser destruído, os cidadãos da Alemanha Oriental (Alemanha Socialista) foram recebidos com grande euforia em Berlim Ocidental. Muitas boates perto do Muro espontaneamente serviram cerveja gratuita, houve uma grande celebração na Rua Kurfürstendamm, e pessoas que nunca tinham se visto antes cumprimentavam-se. Cidadãos de Berlim Ocidental subiram o muro e passaram pelo Portão de Brandenburgo, que até então não era acessível aos ocidentais (capitalistas). O Bundestag (Parlamento alemão) interrompeu uma das sessões e os deputados espontaneamente cantaram o hino nacional da Alemanha.
Oito meses depois, era realizado o concerto em Berlim, que custou mais de 37 milhões de euros na época e, em 2003, a gravação do evento foi remasterizada e gravada em formato de DVD pela Mercury (subdivisão da Universal Music). Novamente a população alemã e mundial celebrou a união e a paz entre os povos, algo que precisa ser revivido em dias tão violentos como os que estamos vivenciando atualmente.